O Tuiuiú e o Ninho de Todo Ano

4 min de leituraHistorinha para dormir
O Tuiuiú e o Ninho de Todo Ano
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No Pantanal, quando o sol está nascendo, o céu fica cor de pêssego, a água brilha, e um pássaro enorme, branco e preto, sobe devagar nas asas abertas.

Ele tem pernas compridas, bico grosso e preto, e, no pescoço, uma faixa vermelha, como um lenço.

É o tuiuiú.

Quem vê um, nunca esquece.

A família

Nesta história, o casal de tuiuiús se chama Tuio e Tuia.

Eles moravam num ninho no topo de uma árvore alta, perto de um rio.

O ninho era enorme.

Era feito de gravetos, galhos, folhas e pedaços de capim, empilhados uns sobre os outros, tão grandes que dava para ver de longe.

Eles voltavam ao mesmo ninho todo ano, e, a cada ano, a primeira coisa que faziam era consertar.

O conserto

Quando a época da cheia estava terminando, e o tempo começava a mudar, Tuio e Tuia começaram a arrumar a casa.

Ele saía de manhã, voava devagar por cima do rio, e voltava com um graveto no bico.

Ela pegava o graveto, e o encaixava no lugar certo.

Era um trabalho de paciência.

Alguns gravetos caíam. Outros ficavam tortos. Mas, aos poucos, o ninho foi ficando mais alto, mais firme, mais forte.

A pesca

Para comer, os tuiuiús fazem uma coisa que parece estranha.

Eles andam devagar, dentro da água rasa, com o bico meio aberto, mergulhado na água.

E ficam tateando o fundo.

Quando o bico toca num peixe, tac!, fecha rapidinho.

Nem precisam enxergar. O bico sente.

O Tuio andava assim, de manhã bem cedo, com a água batendo nas pernas.

De vez em quando, levantava a cabeça, engolia o peixe, e continuava.

Além de peixe, também comia pequenos répteis e outros bichinhos da água.

Os ovos

Um dia, a Tuia botou os ovos.

Eram alguns, brancos, grandes, e ela os acomodou no centro do ninho.

Tuio e Tuia se revezavam.

Um ficava chocando, enquanto o outro saía para buscar comida.

Durante o dia, quando o sol esquentava muito, o que estava no ninho abria as asas, para fazer sombra sobre os ovos.

Foram semanas assim.

O nascimento

Numa manhã, ouviu-se um barulhinho de dentro do ovo.

Toc. Toc.

Depois de um tempo, um bico minúsculo apareceu, e saiu um filhote, pequeno e de penugem clara.

Depois, outro.

Os dois ficaram deitados no ninho, de bico aberto, piando fininho.

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Tuio e Tuia olharam, felizes.

Aquele ninho de gravetos, que eles tinham arrumado com tanto cuidado, agora tinha vida.

A comida

Os filhotes comiam muito.

Os pais saíam voando o dia inteiro, buscavam peixes, engoliam, voltavam e, no ninho, colocavam a comida na frente dos filhotes, que pegavam com o bico.

Todo dia, a mesma coisa.

Voar, pescar, voltar.

Em pouco tempo, os filhotes foram crescendo, ganhando penas, e ficando mais fortes.

A tarde de vento

Uma tarde, o vento soprou forte.

O céu escureceu e a árvore começou a balançar.

Os filhotes se apertaram no meio do ninho, assustados.

Mas o ninho, feito de tantos gravetos bem encaixados, não se mexeu.

Tuio e Tuia ficaram em pé nas bordas, com as asas semiabertas, protegendo os filhotes.

A tempestade passou.

E o ninho continuou lá, no mesmo lugar, firme.

O primeiro voo

Algumas semanas depois, os filhotes já estavam quase do tamanho dos pais.

Eles abriam as asas, batiam, ensaiavam pulinhos na beira do ninho.

Num fim de tarde, quando o céu estava cor de laranja, o primeiro deles se jogou.

Bateu as asas, caiu um pouco, e depois subiu.

Estava voando.

O outro olhou, hesitou, e foi atrás.

Os dois voaram, devagar, por cima do rio, e os pais, de longe, ficaram olhando.

A noite

Quando o céu escureceu, os filhotes voltaram ao ninho.

Ainda precisavam dele por um tempo.

Tuio e Tuia ficaram de cada lado, e, acima deles, as estrelas começaram a aparecer.

Lá embaixo, o Pantanal brilhava, com a água refletindo o céu.

Era uma noite quieta, só com o som dos sapos e dos grilos.

E os quatro dormiram, no alto da árvore, na casa que tinha sido construída, galho por galho.

De verdade

O tuiuiú existe e é a ave-símbolo do Pantanal. É uma das maiores aves voadoras da América do Sul, com mais de um metro de altura e asas abertas que passam de dois metros.

Ele faz ninhos grandes de gravetos nas copas das árvores e, em geral, volta a usá-los por vários anos, consertando todo ano.

Come peixes e outros animais pequenos que encontra na água rasa, tateando com o bico.

Os tuiuiús são aves protegidas e ainda são vistos com frequência no Pantanal, mas dependem de rios e áreas alagadas saudáveis para pescar e criar os filhotes.

Os nomes Tuio e Tuia e as cenas do ninho são invenção desta história. Os fatos sobre o bico, a pesca e o ninho são reais.

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