O Beija-Flor e o Incêndio na Floresta

4 min de leituraHistorinha para dormir
O Beija-Flor e o Incêndio na Floresta
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Num cantinho do mundo, bem no meio de uma floresta enorme, vivia um monte de bichos.

Tinha onça, tinha tucano, tinha macaco e anta, tinha tatu e uma porção de passarinhos.

E, entre eles, vivia o menorzinho de todos: o beija-flor.

Ele era tão pequeno que muita gente, no começo, nem reparava que ele estava ali.

O barulho

Numa tarde muito quente e seca, a floresta de repente começou a cheirar a fumaça.

Lá longe, uma faísca tinha pegado numa folha seca.

E, em pouco tempo, o fogo estava crescendo.

Os bichos saíram correndo, cada um para um lado, assustados. A onça, a anta, o macaco, o tucano, todos eles.

Foram parar na beira de um rio largo, onde o fogo não alcançava.

E ficaram ali, quietos, olhando a floresta lá longe, com chamas alaranjadas aparecendo entre as árvores.

O menorzinho

Todos pararam, olharam.

Todos pensaram a mesma coisa: que pena. Não tem o que fazer.

Menos um.

O beija-flor deu uma olhada para o rio. Depois olhou para a floresta.

Mergulhou o bico na água, pegou uma gotinha, e saiu voando de volta, em direção ao fogo.

A gotinha

Lá em cima, bem perto das chamas, ele soltou a gotinha.

Plic.

Aquela gota era tão pequena que se perdeu sem fazer diferença.

Mas o beija-flor não ficou olhando.

Voltou para o rio, pegou outra gota, e foi de novo.

E de novo.

E de novo.

A conversa

Um tatu, na beira do rio, viu aquilo e não aguentou.

— Beija-flor! — gritou. — O que você está fazendo? Você acha que vai apagar o fogo com isso?

O beija-flor parou, no ar, batendo as asas bem depressa.

— Sei que não vou apagar sozinho — respondeu. — Mas estou fazendo a minha parte.

E saiu voando de novo.

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O tatu ficou calado.

A parte de cada um

Aos poucos, os outros bichos foram olhando uns para os outros.

O tucano, com aquele bico enorme, levou água também. Trouxe mais do que o beija-flor, e ele ficou contente de ver.

O macaco juntou folhas grandes, encheu de água e foi levando.

A anta entrou no rio, voltou toda molhada e sacudiu o corpo perto da beira da mata, onde as chamas ainda eram pequenas.

A onça e o tatu ajudaram a abrir um caminho para o fogo não passar para o outro lado.

Cada um fez o que sabia e podia.

A chuva

Perto do fim da tarde, o céu escureceu.

Uma nuvem grande veio de longe, empurrada pelo vento.

E, de repente, começou a chover.

A chuva foi caindo, devagar, depois com força, molhando as árvores, o chão, os galhos queimados.

O fogo foi diminuindo até virar só fumaça.

Ninguém sabe se foram as gotas do beija-flor, a ajuda dos outros ou a chuva que apagou o incêndio. Provavelmente, um pouco de cada.

Mas todos sabiam que, se ninguém tivesse tentado, a floresta teria perdido muito mais.

A noite

Quando o céu ficou escuro, os bichos voltaram, devagar, para a mata.

Havia muito para recuperar.

O beija-flor pousou num galho, de olhos fechados, cansado, com o peito batendo bem depressa.

Nenhum bicho disse nada. Mas, um a um, passaram por baixo do galho onde ele estava e baixaram a cabeça, em silêncio, como quem diz: obrigado.

De verdade

Esta história é uma lenda, e existem muitas versões dela, contadas em vários lugares do mundo. Não se sabe quem a inventou primeiro.

Mas o beija-flor existe, e é um bicho cheio de coisas incríveis.

Ele só vive nas Américas. Muitos pesam menos que uma moeda de um real.

Bate as asas dezenas de vezes por segundo, tão depressa que a gente só enxerga um borrão. É por isso que ele consegue ficar parado no ar, de frente para uma flor, e até voar de costas, o que quase nenhum outro passarinho faz.

Ele se alimenta do néctar das flores e, sem querer, leva pólen de uma para outra. Sem os beija-flores, muitas plantas teriam dificuldade para dar frutos.

Quanto ao fogo, é melhor deixar essa parte para os adultos: se alguém vir fumaça ou fogo na mata, o certo é chamar os bombeiros e ficar longe.

Mas a lição da lenda vale para qualquer tamanho de problema.

Ninguém consegue fazer tudo.

Mas todo mundo consegue fazer a sua parte.

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