O Cavalo-Marinho que Esperava os Filhotes

4 min de leituraHistorinha para dormir
O Cavalo-Marinho que Esperava os Filhotes
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No fundo de um mar raso e claro, entre algas e corais, vivia um cavalo-marinho chamado Hipo.

Ele era pequeno, do tamanho de uma mão fechada. Tinha a cabeça parecida com a de um cavalo, a cauda enrolada como a de um macaco e o corpo coberto por anéis de pele dura.

E tinha um jeito diferente de nadar.

Ao contrário dos outros peixes, que nadam deitados, o Hipo andava em pé, balançando as nadadeirinhas bem depressa, como se tivesse asas de beija-flor.

A dança da manhã

Hipo morava com a Mar, uma fêmea cor de pêssego, que ele conhecia fazia muito tempo.

Toda manhã, os dois faziam uma coisa especial.

Quando o sol batia na água, os dois se encontravam num galho de coral, enrolavam a cauda no mesmo lugar e começavam a dançar.

Nadavam um ao redor do outro, mudavam de cor, pareciam conversar sem falar.

A dança durava alguns minutos.

Depois, cada um seguia o seu dia.

A grande novidade

Um dia, a dança foi diferente.

Foi mais longa. Os dois nadaram juntos, subiram, desceram, ficaram bem pertinho.

No fim, a Mar se aproximou do Hipo e fez uma coisa muito especial.

Ela colocou ovos dentro de uma bolsa que ele tem na barriga.

Eram muitos ovos, pequeninos, que ficaram bem guardados ali.

A partir daquele dia, o Hipo ia ser o responsável por eles.

O pai

Quem carrega os filhotes no cavalo-marinho é o pai.

É uma coisa tão rara que os cientistas se interessam muito por ela.

A bolsa da barriga do Hipo fechou. Dentro dela, os ovinhos ficaram protegidos, quentinhos, recebendo tudo o que precisavam para crescer.

O Hipo continuou a nadar, devagar, para a bolsa não balançar demais.

E os dias foram passando.

A espera

Passaram-se duas semanas.

O Hipo andava mais devagar, de barriga redonda, sempre perto do galho de coral onde se encontrava com a Mar.

Ela passava por lá toda manhã, para a dança.

E, mesmo sem falar nada, os dois sabiam: faltava pouco.

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À noite, quando o mar escurecia, o Hipo enrolava a cauda num galho para não ser levado pela correnteza e dormia assim, de pé, no escuro, ouvindo o barulho das ondas lá em cima.

A hora

Numa manhã, o Hipo sentiu a barriga se mexer.

Ele se enrolou no galho, firme, e esperou.

A bolsa se abriu um pouquinho.

E, num instante, saiu um filhotinho minúsculo, do tamanho de um grão de arroz, com cabeça de cavalo e cauda enrolada, igualzinho ao pai.

Depois, saiu outro.

Depois outro.

Eram muitos, saindo da bolsa um por vez, como se fossem pontinhos com vida, nadando para cima, para o brilho do sol.

A despedida

Os filhotes saíram nadando, cada um para um lado.

O Hipo ficou olhando.

Ele não podia acompanhá-los. Os cavalos-marinhos nascem prontos para viver sozinhos, e os pais não cuidam deles depois que saem da bolsa.

Mas o Hipo sabia que tinha feito a parte dele: tinha cuidado dos ovos até o fim.

A Mar se aproximou, e os dois enrolaram a cauda no coral.

Ficaram ali, parados, vendo os filhotes sumirem na luz da água.

O mar à noite

A noite chegou devagar.

As luzes lá de cima foram ficando mais fracas. Os peixes foram dormir. As algas balançaram devagar.

O Hipo e a Mar continuaram juntos, de cauda enrolada, no mesmo galho.

No dia seguinte, ao nascer do sol, fizeram a dança de sempre.

De verdade

O cavalo-marinho existe, e é um peixe, embora não pareça.

Em todas as espécies, é o macho quem carrega os ovos, numa bolsa na barriga, até os filhotes nascerem. O tempo varia: costuma ser de algumas semanas.

Os filhotes saem muito pequenos e se viram sozinhos.

Muitos casais de cavalos-marinhos fazem uma espécie de dança de cumprimento toda manhã, que os cientistas já observaram.

No Brasil, vivem algumas espécies, mas esse animal preocupa os pesquisadores, porque perde lugar para viver quando as algas e os corais desaparecem, e porque é capturado para a venda.

Se um dia você encontrar um, o melhor é só olhar.

O nome Hipo, a Mar e os detalhes da rotina deles são invenção desta história. Os fatos sobre a bolsa e os filhotes são reais.

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