O Jabuti e a Festa no Céu

Era uma vez uma festa muito especial, que ia acontecer no céu.
Todos os bichos da floresta ficaram sabendo.
Todos os que voavam foram convidados: a arara, o tucano, o beija-flor, a coruja, o gavião.
Os bichos que não voavam ficaram olhando para cima, com vontade.
Entre eles estava o jabuti.
O jabuti
O jabuti era um bicho lento, de casco duro e passos pequenos.
Mas tinha uma coisa que muita gente reparava: era muito esperto.
Quando soube da festa, ele pensou: eu quero ir.
Mas como? Ele não tinha asas.
Ficou pensando.
E, no dia da festa, apareceu no meio das aves que se preparavam.
O pedido
— Bom dia, amigos — disse o jabuti, com o ar mais tranquilo do mundo. — Vi que vocês vão a uma festa. Eu também gostaria de ir.
As aves se olharam.
— Mas, jabuti, você não voa.
— Ah, mas eu poderia ir com alguém.
As aves ficaram em silêncio.
O urubu, que era sério e já tinha sido convidado, pensou um pouco.
— Eu levo você — disse, por fim. — Mas só se você se comportar.
— Prometo — respondeu o jabuti, sorrindo.
O voo
O urubu esticou a asa, o jabuti subiu em cima dele, e os dois levantaram voo.
Subiram, subiram, subiram.
A floresta foi ficando pequenininha lá embaixo. As casas viraram pontinhos. O rio virou um fio brilhante.
O jabuti olhava tudo, de olhos arregalados.
Nunca tinha visto o mundo de tão alto.
A chegada
Quando chegaram à festa, o céu estava iluminado por lanternas de todas as cores.
Tinha música, comida, e muita gente conversando.
As aves pousaram, e o jabuti desceu do urubu.
Ele logo foi cumprimentado por todo mundo.
— Que alegria ter você aqui! — diziam.
O jabuti agradecia, com a maior educação.
O nome
Quando a festa já estava no melhor, os bichos foram à mesa.
O anfitrião da festa anunciou:
— A comida vai ser servida, mas fica reservada para os convidados.
O jabuti deu uma risadinha.
Ele sabia que, em festa, todo convidado come. Mas queria ter certeza de que ia ficar com uma boa parte.
Então, quando perguntaram o nome dele, respondeu:
— Eu me chamo "Todos".
A comida
O anfitrião começou a servir.
— Para quem é esta comida?
— Para todos! — responderam as aves, pensando na festa inteira.
— Então para "Todos"! — disse o jabuti, sorrindo.
E se serviu primeiro, de tudo o que havia.
As aves ficaram olhando, sem acreditar.
Quando perceberam o truque, já era tarde: o jabuti tinha comido quase tudo.
A volta
Quando a festa acabou, as aves estavam chateadas.
Ninguém quis levar o jabuti de volta.
Ele ficou parado, olhando para baixo, sem saber o que fazer.
Foi o urubu, mais uma vez, que se aproximou.
— Eu trouxe você. Mas eu avisei que era para se comportar. Você me desrespeitou, e a todos os outros.
— Eu sei — disse o jabuti, baixinho. — Eu fui esperto demais, e esperteza sem respeito não vale nada.
O urubu ficou calado.
— Eu levo você de volta. Mas só quando todo mundo for dormir.
A queda
Na hora da volta, o jabuti subiu de novo nas costas do urubu.
Mas, no meio do caminho, a história conta que ele escorregou, e caiu.
Caiu, caiu, caiu, direto na floresta.
Bateu numa pedra e o casco rachou em muitos pedacinhos.
Ele ficou lá, tonto, sem se mexer.
O conserto
Foi a floresta que cuidou dele.
Os bichos pequenos juntaram os cacos, devagarzinho, um por um, e colaram no lugar.
Passaram resina das árvores, que ficou dura como cola.
Quando terminaram, o casco do jabuti ficou como é até hoje: cheio de desenhos, que parecem um mosaico.
O jabuti pediu desculpas para todos os bichos.
E dizem que, a partir daquele dia, ele passou a ser um pouco mais cuidadoso com as suas espertezas.
De onde vem
Esta é uma história do folclore brasileiro, que existe em muitas versões, contadas em diferentes regiões do país. Em algumas, quem leva o jabuti é um pássaro diferente, e ele pega o violão de alguém, ou a queda é causada por outra coisa.
Nesta versão, o final em que o urubu fala com o jabuti e os bichos consertam o casco foi acrescentado, para a hora de dormir. O mosaico do casco é a explicação que a lenda dá para os desenhos do casco do jabuti.
De verdade
O jabuti existe, e é diferente do cágado e da tartaruga. Ele vive em terra firme, tem as patas redondas e grossas, e come principalmente folhas e frutas.
Alguns jabutis vivem muitos anos.
O casco, na verdade, é parte do esqueleto dele, formado por placas, e é por isso que tem aquele desenho.
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