O Jabuti e a Festa no Céu

4 min de leituraHistorinha para dormir
O Jabuti e a Festa no Céu
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Era uma vez uma festa muito especial, que ia acontecer no céu.

Todos os bichos da floresta ficaram sabendo.

Todos os que voavam foram convidados: a arara, o tucano, o beija-flor, a coruja, o gavião.

Os bichos que não voavam ficaram olhando para cima, com vontade.

Entre eles estava o jabuti.

O jabuti

O jabuti era um bicho lento, de casco duro e passos pequenos.

Mas tinha uma coisa que muita gente reparava: era muito esperto.

Quando soube da festa, ele pensou: eu quero ir.

Mas como? Ele não tinha asas.

Ficou pensando.

E, no dia da festa, apareceu no meio das aves que se preparavam.

O pedido

— Bom dia, amigos — disse o jabuti, com o ar mais tranquilo do mundo. — Vi que vocês vão a uma festa. Eu também gostaria de ir.

As aves se olharam.

— Mas, jabuti, você não voa.

— Ah, mas eu poderia ir com alguém.

As aves ficaram em silêncio.

O urubu, que era sério e já tinha sido convidado, pensou um pouco.

— Eu levo você — disse, por fim. — Mas só se você se comportar.

— Prometo — respondeu o jabuti, sorrindo.

O voo

O urubu esticou a asa, o jabuti subiu em cima dele, e os dois levantaram voo.

Subiram, subiram, subiram.

A floresta foi ficando pequenininha lá embaixo. As casas viraram pontinhos. O rio virou um fio brilhante.

O jabuti olhava tudo, de olhos arregalados.

Nunca tinha visto o mundo de tão alto.

A chegada

Quando chegaram à festa, o céu estava iluminado por lanternas de todas as cores.

Tinha música, comida, e muita gente conversando.

As aves pousaram, e o jabuti desceu do urubu.

Ele logo foi cumprimentado por todo mundo.

— Que alegria ter você aqui! — diziam.

O jabuti agradecia, com a maior educação.

O nome

Quando a festa já estava no melhor, os bichos foram à mesa.

O anfitrião da festa anunciou:

— A comida vai ser servida, mas fica reservada para os convidados.

O jabuti deu uma risadinha.

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Ele sabia que, em festa, todo convidado come. Mas queria ter certeza de que ia ficar com uma boa parte.

Então, quando perguntaram o nome dele, respondeu:

— Eu me chamo "Todos".

A comida

O anfitrião começou a servir.

— Para quem é esta comida?

— Para todos! — responderam as aves, pensando na festa inteira.

— Então para "Todos"! — disse o jabuti, sorrindo.

E se serviu primeiro, de tudo o que havia.

As aves ficaram olhando, sem acreditar.

Quando perceberam o truque, já era tarde: o jabuti tinha comido quase tudo.

A volta

Quando a festa acabou, as aves estavam chateadas.

Ninguém quis levar o jabuti de volta.

Ele ficou parado, olhando para baixo, sem saber o que fazer.

Foi o urubu, mais uma vez, que se aproximou.

— Eu trouxe você. Mas eu avisei que era para se comportar. Você me desrespeitou, e a todos os outros.

— Eu sei — disse o jabuti, baixinho. — Eu fui esperto demais, e esperteza sem respeito não vale nada.

O urubu ficou calado.

— Eu levo você de volta. Mas só quando todo mundo for dormir.

A queda

Na hora da volta, o jabuti subiu de novo nas costas do urubu.

Mas, no meio do caminho, a história conta que ele escorregou, e caiu.

Caiu, caiu, caiu, direto na floresta.

Bateu numa pedra e o casco rachou em muitos pedacinhos.

Ele ficou lá, tonto, sem se mexer.

O conserto

Foi a floresta que cuidou dele.

Os bichos pequenos juntaram os cacos, devagarzinho, um por um, e colaram no lugar.

Passaram resina das árvores, que ficou dura como cola.

Quando terminaram, o casco do jabuti ficou como é até hoje: cheio de desenhos, que parecem um mosaico.

O jabuti pediu desculpas para todos os bichos.

E dizem que, a partir daquele dia, ele passou a ser um pouco mais cuidadoso com as suas espertezas.

De onde vem

Esta é uma história do folclore brasileiro, que existe em muitas versões, contadas em diferentes regiões do país. Em algumas, quem leva o jabuti é um pássaro diferente, e ele pega o violão de alguém, ou a queda é causada por outra coisa.

Nesta versão, o final em que o urubu fala com o jabuti e os bichos consertam o casco foi acrescentado, para a hora de dormir. O mosaico do casco é a explicação que a lenda dá para os desenhos do casco do jabuti.

De verdade

O jabuti existe, e é diferente do cágado e da tartaruga. Ele vive em terra firme, tem as patas redondas e grossas, e come principalmente folhas e frutas.

Alguns jabutis vivem muitos anos.

O casco, na verdade, é parte do esqueleto dele, formado por placas, e é por isso que tem aquele desenho.

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