Lena, a Lagarta que Tinha Pressa de Voar

5 min de leituraHistorinha para dormir
Lena, a Lagarta que Tinha Pressa de Voar
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Num jardim cheio de flores, bem no meio de uma folhagem verde e macia, vivia uma lagarta chamada Lena.

Ela era gordinha, verde e cheia de listrinhas amarelas e pretas. Tinha muitas perninhas, olhos grandes e simpáticos, e um apetite enorme. Passava o dia inteiro comendo folhas.

Mas a Lena tinha um sonho.

O sonho da Lena

Todas as manhãs, a Lena olhava para o alto, onde as borboletas voavam entre as flores. Eram laranjas, amarelas, azuis, brancas. Batiam as asas, bem devagar, e pousavam nas pétalas.

— Que lindas! — suspirava ela. — Quando eu vou poder voar assim?

Ela rastejava devagarinho, de folha em folha, mexendo as perninhas, e achava aquilo muito lento.

— Eu quero voar agora! — dizia. — Não aguento mais rastejar!

O conselho

Uma manhã, uma borboleta laranja pousou ao lado da Lena, numa folha.

— Bom dia, Lena — disse ela, com uma voz doce.

— Bom dia! — disse a Lena, de olhos brilhando. — Como a senhora aprendeu a voar?

A borboleta sorriu.

— Eu também fui lagarta, sabia? Comia folhas, rastejava devagar e sonhava em voar.

— A senhora? — disse a Lena, espantada. — Mas como foi que a senhora virou borboleta?

— Com tempo — respondeu a borboleta. — Cada coisa tem a sua hora. Você precisa comer bastante, crescer, e depois descansar.

— Descansar? Eu não quero descansar! Quero voar!

— Eu sei — disse a borboleta, rindo. — Mas, às vezes, o descanso é parte da transformação.

A pressa

A Lena ficou pensando naquilo. Mas, no fundo, a pressa era maior.

— Vou tentar fazer tudo mais rápido — decidiu.

Passou a comer como nunca. Comia folhas de manhã, folhas de tarde, folhas à noite. Comeu tanto que ficou ainda mais gordinha.

Mas o que ela queria era voar, e as asas não apareciam.

— Está demorando demais! — reclamou. — Será que eu vou ser lagarta para sempre?

Nesse momento, uma joaninha que passava disse, com uma voz miúda:

— Lena, olhe para trás.

A pele

Ela olhou. A pele dela, já apertada, tinha rachado nas costas. Por baixo, havia uma pele nova, mais folgada, bem verdinha.

— Ai! — disse a Lena, assustada. — Estou rasgando!

— Não está — disse a joaninha. — Você está crescendo. Isso se chama trocar de pele. As lagartas fazem isso várias vezes.

A Lena sacudiu o corpinho, e a pele velha caiu, deixando-a mais solta e leve.

— Que sensação gostosa! — disse. — Estou maior!

— Viu? — disse a joaninha. — Cada passo conta.

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A hora chegou

Os dias foram passando. A Lena comeu, cresceu, trocou de pele mais uma vez. E, certa manhã, sentiu uma vontade diferente.

Não queria mais comer. Queria subir.

Subiu, subiu, até o galho mais alto do arbusto. Lá, fez um fiozinho de seda e prendeu a ponta do corpo no galho, ficando pendurada, de cabeça para baixo.

— O que estou fazendo? — perguntou a si mesma. — Não sei, mas o meu corpo sabe.

Então, a pele dela se abriu uma última vez, e, por baixo, apareceu uma casinha verde e macia, em forma de gota. Era a crisálida.

Dentro da casinha

Lá dentro, estava escuro e quentinho. A Lena não conseguia se mexer, mas sentia, bem fundo, que estava acontecendo alguma coisa.

— Será que eu estou ficando parada? — pensou. — Será que isso vai demorar?

Os dias passaram. Lá fora, o vento balançava a crisálida de leve, como se fosse um berço. Chovia, fazia sol, anoitecia e amanhecia.

Dentro, a Lena foi se transformando, aos poucos. As perninhas foram ficando finas. Nasceram asas, bem pequeninas, dobradas, como papel de seda.

Era um trabalho silencioso, que só o tempo podia fazer.

Sair

Numa manhã, a Lena sentiu que a casinha estava apertada. Esticou o corpo, e a crisálida rachou.

Ela saiu, devagarinho, de perninhas finas, segurando-se no galho. As asas, molhadas e amassadas, pendiam como folhas dobradas.

— Estou assim, toda amassada? — disse a Lena, preocupada.

— Fique parada um pouquinho — disse uma voz conhecida. Era a borboleta laranja, que a olhava, sorrindo. — Deixe as asas secarem ao sol.

A Lena ficou ali, no galho, esperando. O sol foi esquentando, as asas foram se abrindo, esticando, secando.

E, aos poucos, apareceram as cores: laranja, preto e branco, brilhando como vitrais.

Voar

— Agora é só tentar — disse a borboleta.

A Lena respirou fundo. Abriu as asas, bem devagar. Bateu uma vez, duas vezes. E, de repente, saiu do galho.

Ela estava voando.

Subiu, subiu, até o alto do jardim, e girou no ar, de asas abertas, sentindo o vento no rosto.

— Eu consegui! — gritou. — Eu estou voando!

Pousou numa flor, e sentiu o cheirinho doce. Era tudo tão bonito.

— Valeu a pena esperar — disse, rindo. — Cada passo, cada folha, cada dia dentro da casinha. Tudo isso me trouxe até aqui.

Boa noite

Ao entardecer, a Lena voltou para o arbusto, e pousou numa folha, bem perto do lugar onde tinha sido lagarta.

Olhou para o céu cor de laranja, e depois para a lua, que subia devagar.

Pensou nas folhas que tinha comido, na pele que tinha trocado, na casinha onde tinha esperado.

— Tudo no seu tempo — sussurrou.

E fechou as asas e dormiu, bem quietinha, com o cheiro das flores ao redor.

Boa noite, pequeno leitor. Crescer leva tempo, e cada dia é um passo para chegar lá.

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