Zuri, a Zebra que Queria Ser de uma Cor Só

4 min de leituraHistorinha para dormir
Zuri, a Zebra que Queria Ser de uma Cor Só
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Na savana africana, onde o capim é dourado e as acácias abrem a copa como guarda-chuvas, vivia um grande rebanho de zebras.

Eram centenas, todas de listras pretas e brancas, caminhando juntas, de manhã até a noite. Corriam pelo campo, bebiam água no rio, descansavam à sombra.

Entre elas, havia uma zebrinha chamada Zuri, que tinha um desejo secreto.

Quero ser diferente

Zuri se olhou no reflexo de uma poça d'água e fez uma careta.

— Listras, listras, listras! — disse ela. — Todo mundo aqui é de listras! Eu queria ser diferente.

— Diferente como? — perguntou o irmãozinho.

— De uma cor só! Toda marrom, ou toda amarela, ou toda azul!

— Azul? — riu o irmão. — Ninguém é azul!

— Pois eu queria ser.

A mamãe, que estava perto, ouviu tudo e não disse nada. Apenas sorriu, de leve.

A tentativa

No dia seguinte, a Zuri decidiu fazer a ideia dar certo.

Foi até um barranco de barro vermelho e rolou nele, de um lado e do outro, até ficar toda coberta de lama.

— Pronto! — disse. — Agora sou toda vermelha!

Foi mostrar para os amigos. Mas, na hora, um dos amigos, o Pedro, que também era zebrinha, falou:

— Zuri, é você? Quase não te reconheci.

— Sou eu, sim! Estou toda vermelha!

— Está mesmo — disse ele. — Mas está cheia de barro. Daqui a pouco vai secar e cair.

O rebanho se move

Naquele instante, o rebanho começou a se mexer.

Era hora de ir para outro lugar, onde havia mais capim. As zebras se juntaram, todas de uma vez, e começaram a caminhar, levantando uma nuvem de poeira.

Zuri correu atrás, mas as pernas, cobertas de barro seco, estavam pesadas.

— Esperem por mim! — gritou.

Mas o rebanho era tão grande, e tinha tanta zebra de listra preta e branca, que a Zuri, toda vermelha, ficou para trás.

Perdida

A Zuri olhou em volta. O rebanho estava longe, e a poeira cobria tudo. Não dava mais para distinguir quem era quem.

— Mamãe! — gritou ela. — Mamãe!

Ninguém respondeu.

Ela começou a correr, entre as zebras, procurando a mamãe. Mas todas as zebras pareciam iguais. Eram tantas listras que a cabeça da Zuri começou a rodar.

— Onde está a minha mamãe? — soluçou. — Eu não consigo achar.

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Foi então que ouviu um relincho, bem baixinho, vindo de longe.

A voz da mamãe

— Zuri! Zuri!

Era a mamãe, correndo pelo rebanho, olhando para todas as zebras, uma por uma.

— Mamãe, estou aqui!

A mamãe olhou, olhou, mas, no meio da poeira e do barulho do rebanho, a voz da Zuri se perdia, e a filha estava toda vermelha de barro. A mamãe não a enxergava.

— Onde está a minha filha? — dizia, preocupada.

— Aqui, mamãe! Sou eu!

A mamãe chegou mais perto. Olhou bem, e viu, embaixo do barro, um pedacinho das listras da filha, na orelha dela.

— Zuri! — gritou. — Meu bem! É você!

A lição

A mamãe abraçou a filha, de focinho no focinho, sem ligar para o barro.

— Que susto! Eu reconheço você pelas suas listras, pela sua voz e pelo seu cheiro. Cada zebra tem as listras num desenho diferente, como o de ninguém mais. As suas são só suas.

— Só minhas?

— Só suas. Não existe outra zebra igual a você. É por isso que sempre acho você no meio de tantas.

A Zuri olhou para o próprio corpo, cheio de barro.

— Mas eu queria ser diferente.

— Você já é, meu amor. Tão diferente que ninguém mais no mundo tem as suas listras.

O banho

A mamãe levou a Zuri até o rio, e as duas entraram na água. A lama foi saindo aos poucos, e as listras foram aparecendo, pretas e brancas, brilhantes.

— Nossa! — disse a Zuri. — Eu tinha esquecido como são bonitas.

— São lindas — disse a mamãe. — E são suas.

A Zuri se olhou no reflexo da água. Viu cada listra, cada risco, cada curvinha. E, pela primeira vez, entendeu que eram o desenho mais especial do mundo.

Boa noite

Ao entardecer, o rebanho parou para descansar, perto de um lago. O céu ficou cor de laranja e rosa. As zebras ficaram juntinhas, umas ao lado das outras, e os filhotes se deitaram no capim.

A Zuri se aninhou perto da mamãe, com a cabeça encostada no pescoço dela.

— Mamãe — disse, sonolenta —, eu gosto das minhas listras.

— Que bom, filha. Elas são o seu jeito de ser.

A Zuri fechou os olhos e dormiu, sob o céu cheio de estrelas, com as listras pretas e brancas brilhando à luz da lua.

Boa noite, pequeno leitor. Não existe ninguém igual a você, e é isso que faz você tão especial.

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