Quero, o Quero-Quero que Vigiava o Campo

3 min de leituraHistorinha para dormir
Quero, o Quero-Quero que Vigiava o Campo
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Num campo bem grande e bem verde, no sul do Brasil, onde o capim chega até os joelhos das vacas, vivia uma família de quero-queros.

O quero-quero é uma ave de pernas compridas e penas cinzentas, com um pequeno topete na cabeça. Mora no chão, em campos abertos, e faz o ninho ali mesmo, no meio do capim, com algumas pedrinhas e gravetos.

Tem uma coisa que todo mundo sabe sobre ele: quando alguém chega perto, o quero-quero grita. E o grito é tão alto que o campo inteiro escuta.

O filhote

Num dos ninhos, nasceu um filhote chamado Quero.

Era miudinho, de perninhas compridas e cabeça grande. Os pais cuidavam dele com muito carinho, mostrando onde achar minhocas e insetinhos.

— Papai — perguntou o Quero, certa manhã —, por que os quero-queros gritam tanto?

— É a nossa tarefa, filho — respondeu o pai. — Quando vemos alguém se aproximando, avisamos. Assim, os outros animais ficam sabendo e podem se cuidar.

— Mas gritar é feio! — disse o Quero. — Eu queria cantar bonito, como o sabiá.

O pai sorriu.

— O sabiá canta para encantar. Nós gritamos para proteger. São dois jeitos de ajudar.

O primeiro grito

O Quero ficou pensando nisso o dia inteiro.

À tarde, enquanto os pais procuravam comida, ele ficou sozinho no capim, aprendendo a ficar quieto, agachado no meio do capim, como eles tinham ensinado.

De repente, ouviu um barulho. Passos pesados, vindo devagar.

Era um cachorro-do-mato, de focinho comprido, que andava pelo campo, cheirando o chão.

O Quero ficou imóvel. O coração batia depressa. Ele abriu o bico para gritar, mas não saiu nada.

A voz

— Quero... — tentou ele, bem baixinho.

O cachorro-do-mato continuava andando, cada vez mais perto.

O Quero respirou fundo e lembrou do que o pai tinha dito. É a nossa tarefa.

— QUERO-QUERO! QUERO-QUERO! — gritou ele, com toda a força que tinha.

O grito foi tão alto que ecoou pelo campo inteiro.

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O cachorro-do-mato levou um susto, parou e olhou em volta. Dali a pouco, os pais do Quero chegaram voando, gritando também, batendo as asas bem forte.

— QUERO-QUERO! QUERO-QUERO!

O cachorro-do-mato, vendo que o campo todo tinha acordado, deu meia-volta e se afastou, rápido, sem olhar para trás.

O aviso

Os grilos, que estavam quietinhos no capim, ficaram agradecidos. Um cágado, que passeava perto, escondeu a cabeça no casco e voltou a sair quando o perigo passou. Até os bois ergueram a cabeça para olhar.

— Foi o Quero quem avisou! — disse uma vaca.

— O filhote do quero-quero! — disse um sapo que espiava de uma poça.

O Quero ficou sem graça. Mas, ao mesmo tempo, sentiu um calor bom no peito.

— Pai — disse ele, quando os pais voltaram —, eu consegui!

— Conseguiu mesmo — disse a mãe, com os olhos brilhando. — E foi na hora certa.

Uma tarefa importante

Dali em diante, o Quero parou de achar que o grito dele era feio.

Todos os dias, ao entardecer, ele ficava de guarda no campo, em pé, com as perninhas bem retas e o topete arrepiado, olhando para longe. Quando via alguém chegando, gritava, e o campo todo ficava sabendo.

Os animais passaram a gostar dele e a conversar com ele de manhã.

— Bom dia, Quero! — diziam. — Tudo tranquilo hoje?

— Tudo tranquilo! — respondia ele, orgulhoso.

Boa noite

O sol foi se pondo, e o campo ficou cor de laranja e rosa.

Os quero-queros se juntaram no ninho, com o Quero no meio, bem quentinho. O vento balançava o capim, e os grilos começaram a cantar.

— Pai — disse o Quero, sonolento —, eu gostei de ser quero-quero.

— Que bom, filho — disse o pai. — O campo precisa de você.

O Quero fechou os olhinhos. E dormiu, de bico escondido nas penas, sabendo que, se alguma coisa se aproximasse, ele acordaria na hora, pronto para avisar.

Boa noite, pequeno leitor. O seu jeito de ser tem um valor que só você pode dar.

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