Aladim e a Lâmpada Maravilhosa

Há muito tempo, numa cidade cheia de mercados e telhados de barro, morava um menino chamado Aladim.
Ele vivia com a mãe numa casa pequena e simples.
Não tinham muito dinheiro. A mãe fiava lã o dia inteiro para conseguir o pão.
E o Aladim, que era esperto, mas muito distraído, passava os dias na rua, brincando, sem ajudar em nada.
O estranho
Um dia, um homem alto, de barba preta e roupas bonitas, parou na frente do Aladim.
— Você é filho de Mustafá, o alfaiate? — perguntou ele.
— Meu pai morreu faz tempo — respondeu o Aladim.
— Ah! Eu sou irmão dele. Seu tio! Há muitos anos viajo pelo mundo, e agora voltei.
O Aladim ficou olhando, desconfiado. O pai nunca tinha falado de nenhum irmão.
Mas o homem foi muito simpático.
Deu ao menino algumas moedas, levou-o para comer, e prometeu comprar para ele roupas e uma loja.
O Aladim, que nunca tinha recebido tanta atenção, acreditou.
O passeio
Alguns dias depois, o homem disse:
— Vamos passear para fora da cidade. Eu quero te mostrar uma coisa.
Eles caminharam muito, até um vale entre montanhas, onde só havia pedras e silêncio.
O homem parou e começou a murmurar, e uma pedra grande, no chão, abriu-se sozinha.
Debaixo dela, havia uma escada que descia, escura.
— Aí embaixo está um tesouro — disse o homem. — Mas só você pode entrar. Pegue a lâmpada que está no fundo. Não toque em mais nada.
E deu a ele um anel.
— Este anel vai te proteger.
A caverna
O Aladim desceu a escada.
Era uma caverna enorme, cheia de árvores com frutas brilhantes, cada uma de uma pedra preciosa: vermelhas, verdes, azuis, douradas.
O menino ficou de boca aberta.
Mesmo com a ordem do homem, ele colocou algumas frutas nos bolsos, porque eram muito bonitas.
No fundo, encontrou a lâmpada, velha e empoeirada, presa num pedestal.
Pegou a lâmpada e voltou para a escada.
O pedido
Lá em cima, o homem esperava.
— Me dê a lâmpada! — disse, com a mão estendida.
O Aladim sentiu um frio na barriga.
Aquilo não era um tio, era alguém muito interessado na lâmpada.
— Me ajude a sair primeiro — disse ele.
O homem ficou furioso.
— Dê-me a lâmpada! Agora!
Mas o Aladim não deu.
Então, o homem, com raiva, murmurou de novo, e a pedra se fechou, deixando o menino preso na escuridão.
O anel
O Aladim ficou três dias preso, sem saber o que fazer.
Chorou, bateu na pedra, chamou pela mãe.
No terceiro dia, torcendo as mãos de aflição, esfregou o anel sem querer.
E, num redemoinho de fumaça, apareceu um gênio, enorme, de pele azulada.
— Sou o servo do anel. O que o senhor deseja?
O Aladim, com a voz tremendo, respondeu:
— Quero sair daqui. Quero voltar para casa.
No mesmo instante, o menino estava na porta de casa, abraçado à mãe.
A lâmpada
A mãe do Aladim, depois de ouvir toda a história, olhou para a lâmpada velha.
— Está muito suja. Vou limpá-la para a gente vender.
Pegou um pano e começou a esfregar.
E, de repente, uma fumaça imensa saiu da lâmpada, e apareceu outro gênio, ainda maior, de olhos brilhantes.
— Eu sou o servo da lâmpada. Vou realizar tudo o que o senhor mandar.
A mãe do Aladim desmaiou, de susto.
Mas o menino pegou a lâmpada, olhou para o gênio e pensou.
O primeiro pedido
O Aladim não pediu um palácio, nem montanhas de ouro.
Pediu um jantar.
O gênio trouxe uma mesa cheia de pratos, em bandejas de prata, com todas as comidas do reino.
O Aladim e a mãe comeram até se fartar.
Depois, o menino guardou a lâmpada com cuidado.
E, durante um bom tempo, vendeu um prato de prata de cada vez, para comprar o que precisavam, sem pedir mais nada ao gênio.
A princesa
Os anos foram passando.
O Aladim cresceu, aprendeu a ler, a negociar, e se tornou um rapaz respeitado.
Um dia, viu a filha do sultão, a princesa Badroulbadour, passando numa carruagem.
Ficou encantado.
Pediu à mãe que fosse falar com o sultão.
E, com a ajuda da lâmpada, o Aladim mandou ao palácio presentes de joias e frutas de pedras preciosas, como ninguém nunca tinha visto.
O sultão ficou impressionado.
O palácio
Para o casamento, o sultão exigiu que o Aladim tivesse um palácio à altura da princesa.
O Aladim esfregou a lâmpada.
— Quero um palácio — disse ao gênio.
E, numa noite, apareceu um palácio de mármore branco, com cúpulas douradas e jardins de rosas.
O sultão e a princesa ficaram deslumbrados.
O casamento foi celebrado com uma grande festa.
Mas o Aladim, que tinha aprendido muito com a pobreza, nunca esqueceu quem tinha sido.
O mágico volta
Nesse tempo, o falso tio ficou sabendo de tudo.
Ele estava muito longe, mas descobriu, por seus feitiços, que o Aladim tinha escapado da caverna e ficado rico.
Voltou à cidade, disfarçado de vendedor ambulante.
Andava pelas ruas, gritando:
— Lâmpadas novas por lâmpadas velhas!
Nesse dia, o Aladim estava fora, caçando.
A princesa, que não sabia da lâmpada mágica, viu a velha lâmpada numa prateleira e pensou: vou trocar por uma nova, e meu marido vai gostar da surpresa.
Trocou.
A lâmpada perdida
O mágico, de posse da lâmpada, esfregou-a, e o gênio apareceu.
— Leve o palácio, com a princesa dentro, para a África, onde moro.
E, num instante, o palácio sumiu.
Quando o Aladim voltou, só viu um terreno vazio.
Ficou desesperado.
Mas lembrou do anel.
A volta
O Aladim esfregou o anel, e apareceu o gênio do anel.
— O senhor me chamou?
— Leve-me até a princesa.
O gênio levou-o até a África, ao pé de uma janela do palácio.
A princesa, que estava presa, ficou muito feliz ao ver o marido.
E, juntos, os dois bolaram um plano.
Ela convidou o mágico para jantar e, com um truque, fez com que ele dormisse.
O Aladim entrou, pegou a lâmpada de volta e esfregou.
O gênio apareceu.
— Leve o palácio de volta para casa.
E o palácio voltou à cidade, com todos dentro.
O mágico, ao acordar, estava num lugar estranho, sem lâmpada, e nunca mais voltou a incomodar ninguém.
O fim
O Aladim e a princesa viveram muito tempo, felizes.
Quando o sultão ficou velho, o Aladim ocupou o lugar dele, e foi um governante justo, que nunca esqueceu os pobres.
Mantinha a lâmpada guardada, e só a usava quando era realmente necessário.
Dizem que o segredo dele era simples: nunca desejar mais do que precisava.
Este conto faz parte das Mil e Uma Noites, uma coleção de histórias do mundo árabe. A história de Aladim não aparecia nos manuscritos mais antigos: foi incluída no século XVIII pelo francês Antoine Galland, que a ouviu de um contador de histórias da Síria. Aqui, a história foi encurtada e suavizada para a hora de dormir, e a ideia de que o Aladim "nunca desejava mais do que precisava" foi acrescentada para esta versão.
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