Aladim e a Lâmpada Maravilhosa

6 min de leituraHistorinha para dormir
Aladim e a Lâmpada Maravilhosa
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Há muito tempo, numa cidade cheia de mercados e telhados de barro, morava um menino chamado Aladim.

Ele vivia com a mãe numa casa pequena e simples.

Não tinham muito dinheiro. A mãe fiava lã o dia inteiro para conseguir o pão.

E o Aladim, que era esperto, mas muito distraído, passava os dias na rua, brincando, sem ajudar em nada.

O estranho

Um dia, um homem alto, de barba preta e roupas bonitas, parou na frente do Aladim.

— Você é filho de Mustafá, o alfaiate? — perguntou ele.

— Meu pai morreu faz tempo — respondeu o Aladim.

— Ah! Eu sou irmão dele. Seu tio! Há muitos anos viajo pelo mundo, e agora voltei.

O Aladim ficou olhando, desconfiado. O pai nunca tinha falado de nenhum irmão.

Mas o homem foi muito simpático.

Deu ao menino algumas moedas, levou-o para comer, e prometeu comprar para ele roupas e uma loja.

O Aladim, que nunca tinha recebido tanta atenção, acreditou.

O passeio

Alguns dias depois, o homem disse:

— Vamos passear para fora da cidade. Eu quero te mostrar uma coisa.

Eles caminharam muito, até um vale entre montanhas, onde só havia pedras e silêncio.

O homem parou e começou a murmurar, e uma pedra grande, no chão, abriu-se sozinha.

Debaixo dela, havia uma escada que descia, escura.

— Aí embaixo está um tesouro — disse o homem. — Mas só você pode entrar. Pegue a lâmpada que está no fundo. Não toque em mais nada.

E deu a ele um anel.

— Este anel vai te proteger.

A caverna

O Aladim desceu a escada.

Era uma caverna enorme, cheia de árvores com frutas brilhantes, cada uma de uma pedra preciosa: vermelhas, verdes, azuis, douradas.

O menino ficou de boca aberta.

Mesmo com a ordem do homem, ele colocou algumas frutas nos bolsos, porque eram muito bonitas.

No fundo, encontrou a lâmpada, velha e empoeirada, presa num pedestal.

Pegou a lâmpada e voltou para a escada.

O pedido

Lá em cima, o homem esperava.

— Me dê a lâmpada! — disse, com a mão estendida.

O Aladim sentiu um frio na barriga.

Aquilo não era um tio, era alguém muito interessado na lâmpada.

— Me ajude a sair primeiro — disse ele.

O homem ficou furioso.

— Dê-me a lâmpada! Agora!

Mas o Aladim não deu.

Então, o homem, com raiva, murmurou de novo, e a pedra se fechou, deixando o menino preso na escuridão.

O anel

O Aladim ficou três dias preso, sem saber o que fazer.

Chorou, bateu na pedra, chamou pela mãe.

No terceiro dia, torcendo as mãos de aflição, esfregou o anel sem querer.

E, num redemoinho de fumaça, apareceu um gênio, enorme, de pele azulada.

— Sou o servo do anel. O que o senhor deseja?

O Aladim, com a voz tremendo, respondeu:

— Quero sair daqui. Quero voltar para casa.

No mesmo instante, o menino estava na porta de casa, abraçado à mãe.

A lâmpada

A mãe do Aladim, depois de ouvir toda a história, olhou para a lâmpada velha.

— Está muito suja. Vou limpá-la para a gente vender.

Pegou um pano e começou a esfregar.

E, de repente, uma fumaça imensa saiu da lâmpada, e apareceu outro gênio, ainda maior, de olhos brilhantes.

— Eu sou o servo da lâmpada. Vou realizar tudo o que o senhor mandar.

A mãe do Aladim desmaiou, de susto.

Mas o menino pegou a lâmpada, olhou para o gênio e pensou.

O primeiro pedido

O Aladim não pediu um palácio, nem montanhas de ouro.

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Pediu um jantar.

O gênio trouxe uma mesa cheia de pratos, em bandejas de prata, com todas as comidas do reino.

O Aladim e a mãe comeram até se fartar.

Depois, o menino guardou a lâmpada com cuidado.

E, durante um bom tempo, vendeu um prato de prata de cada vez, para comprar o que precisavam, sem pedir mais nada ao gênio.

A princesa

Os anos foram passando.

O Aladim cresceu, aprendeu a ler, a negociar, e se tornou um rapaz respeitado.

Um dia, viu a filha do sultão, a princesa Badroulbadour, passando numa carruagem.

Ficou encantado.

Pediu à mãe que fosse falar com o sultão.

E, com a ajuda da lâmpada, o Aladim mandou ao palácio presentes de joias e frutas de pedras preciosas, como ninguém nunca tinha visto.

O sultão ficou impressionado.

O palácio

Para o casamento, o sultão exigiu que o Aladim tivesse um palácio à altura da princesa.

O Aladim esfregou a lâmpada.

— Quero um palácio — disse ao gênio.

E, numa noite, apareceu um palácio de mármore branco, com cúpulas douradas e jardins de rosas.

O sultão e a princesa ficaram deslumbrados.

O casamento foi celebrado com uma grande festa.

Mas o Aladim, que tinha aprendido muito com a pobreza, nunca esqueceu quem tinha sido.

O mágico volta

Nesse tempo, o falso tio ficou sabendo de tudo.

Ele estava muito longe, mas descobriu, por seus feitiços, que o Aladim tinha escapado da caverna e ficado rico.

Voltou à cidade, disfarçado de vendedor ambulante.

Andava pelas ruas, gritando:

— Lâmpadas novas por lâmpadas velhas!

Nesse dia, o Aladim estava fora, caçando.

A princesa, que não sabia da lâmpada mágica, viu a velha lâmpada numa prateleira e pensou: vou trocar por uma nova, e meu marido vai gostar da surpresa.

Trocou.

A lâmpada perdida

O mágico, de posse da lâmpada, esfregou-a, e o gênio apareceu.

— Leve o palácio, com a princesa dentro, para a África, onde moro.

E, num instante, o palácio sumiu.

Quando o Aladim voltou, só viu um terreno vazio.

Ficou desesperado.

Mas lembrou do anel.

A volta

O Aladim esfregou o anel, e apareceu o gênio do anel.

— O senhor me chamou?

— Leve-me até a princesa.

O gênio levou-o até a África, ao pé de uma janela do palácio.

A princesa, que estava presa, ficou muito feliz ao ver o marido.

E, juntos, os dois bolaram um plano.

Ela convidou o mágico para jantar e, com um truque, fez com que ele dormisse.

O Aladim entrou, pegou a lâmpada de volta e esfregou.

O gênio apareceu.

— Leve o palácio de volta para casa.

E o palácio voltou à cidade, com todos dentro.

O mágico, ao acordar, estava num lugar estranho, sem lâmpada, e nunca mais voltou a incomodar ninguém.

O fim

O Aladim e a princesa viveram muito tempo, felizes.

Quando o sultão ficou velho, o Aladim ocupou o lugar dele, e foi um governante justo, que nunca esqueceu os pobres.

Mantinha a lâmpada guardada, e só a usava quando era realmente necessário.

Dizem que o segredo dele era simples: nunca desejar mais do que precisava.

Este conto faz parte das Mil e Uma Noites, uma coleção de histórias do mundo árabe. A história de Aladim não aparecia nos manuscritos mais antigos: foi incluída no século XVIII pelo francês Antoine Galland, que a ouviu de um contador de histórias da Síria. Aqui, a história foi encurtada e suavizada para a hora de dormir, e a ideia de que o Aladim "nunca desejava mais do que precisava" foi acrescentada para esta versão.

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