O Leão e o Ratinho

3 min de leituraHistorinha para dormir
O Leão e o Ratinho
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Numa savana grande, onde o capim chegava na altura da barriga dos bichos, vivia um leão.

Ele era o maior da região, tinha uma juba dourada e uma voz que fazia as folhas tremerem.

E tinha um costume: depois do almoço, dormir uma boa soneca debaixo de uma árvore.

Os outros bichos sabiam disso e passavam de fininho, sem fazer barulho.

Todos, menos um.

O ratinho

Naquela tarde, um ratinho passeava pelo capim, pensando na vida.

Estava tão distraído que não viu onde pisava.

Subiu numa coisa quente, peluda e macia, e foi andando.

Pulou numa pata. Escalou uma perna. Correu pela barriga que subia e descia.

Foi só quando chegou perto do focinho que o ratinho percebeu que estava passeando em cima de um leão.

O despertar

O leão abriu um olho.

Depois o outro.

E, com uma pata enorme, prendeu o ratinho no chão.

— Quem é que se atreve a me acordar? — rugiu.

O ratinho tremia tanto que mal conseguia falar.

— Por favor, majestade, me perdoa. Eu não fiz de propósito. Se o senhor me deixar ir embora, um dia eu juro que retribuo.

O leão começou a rir.

— Você? Retribuir a mim? Um ratinho desse tamanho?

Riu tanto que a pata afrouxou.

— Está bem. Pode ir. Hoje estou de bom humor.

O ratinho agradeceu e saiu correndo, sem olhar para trás.

O tempo passou

Alguns dias depois, o leão estava caminhando pela savana, de manhã, quando ouviu um barulho de galhos.

Antes que pudesse perceber, o chão sumiu debaixo dele.

Ele tinha caído numa armadilha, uma rede de cordas grossas, que alguns homens tinham deixado no meio do mato.

O leão se debateu, rugiu, puxou. Mas, quanto mais ele se mexia, mais a rede apertava.

Ficou preso, sem conseguir se levantar.

O rugido

O leão rugiu com todas as forças.

O som foi tão alto que atravessou a savana inteira.

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Os bichos ouviram, mas ninguém se aproximou. Os outros leões estavam longe. Os elefantes não conseguiam desatar nós. As girafas olhavam de longe, sem saber o que fazer.

E o leão ficou ali, cansado, olhando o céu.

O ratinho de novo

Foi então que, lá embaixo, entre as folhas do capim, apareceu uma carinha pequena.

Era o ratinho.

Ele tinha ouvido o rugido e reconheceu a voz.

— Majestade! O senhor está preso!

— Estou, ratinho. E, pelo jeito, não tem ninguém que consiga me ajudar.

— Eu consigo.

O leão quase riu de novo. Mas, desta vez, não riu.

As cordas

O ratinho subiu na rede.

Escolheu a corda mais grossa, a que estava mais apertada, e começou a roer.

Roeu, roeu, roeu.

Os dentinhos dele eram pequenos, mas não paravam. Um fiozinho de cada vez, a corda foi se soltando.

Quando a primeira corda arrebentou, a rede afrouxou um pouco.

O ratinho passou para a segunda.

Roeu, roeu, roeu.

Até que, depois de muito tempo, a rede se abriu.

O leão saiu, devagar, sacudiu a juba e se espreguiçou.

O agradecimento

O leão olhou para o ratinho, que estava ofegante, com os dentes doloridos.

Ficou calado por um tempo.

— Ratinho — disse, baixinho —, naquele dia, eu ri de você. Eu achei que um bicho tão pequeno nunca poderia ajudar um bicho tão grande. Eu estava errado.

O ratinho sorriu.

— Eu só retribuí.

O leão baixou a cabeça, num gesto de respeito.

E, daquele dia em diante, os dois ficaram amigos.

O leão nunca mais acordou irritado com os pequenos, e o ratinho nunca mais subiu em cima de ninguém sem olhar antes.

De onde vem

Esta fábula é atribuída a Esopo, um contador de histórias da Grécia antiga, que viveu há mais de dois mil anos. Existe também uma versão contada pelo francês La Fontaine.

A lição mais comum é que um favor, mesmo pequeno, pode voltar quando a gente menos espera, e que ninguém é pequeno demais para ajudar. A conversa final entre o leão e o ratinho foi acrescentada nesta versão.

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