Branca de Neve e Rosa Vermelha

5 min de leituraHistorinha para dormir
Branca de Neve e Rosa Vermelha
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Numa casinha no meio do campo, vivia uma viúva com as duas filhas.

Na frente da casa, havia dois pés de rosas.

Um dava rosas brancas.

O outro dava rosas vermelhas.

E as meninas tinham o nome das flores: uma se chamava Branca de Neve, a outra, Rosa Vermelha.

As irmãs

Branca de Neve era quieta e gentil.

Gostava de ficar dentro de casa, ajudando a mãe, lendo e cuidando do fogo.

Rosa Vermelha era alegre e animada.

Gostava de correr pelo campo, de colher flores, de pegar borboletas.

As duas se davam muito bem.

Quando saíam de mãos dadas, uma dizia:

— Nunca vamos nos separar.

E a outra respondia:

— Enquanto a gente viver.

A floresta

As duas meninas andavam sozinhas pela floresta, sem medo.

Os bichos não fugiam delas.

Os coelhos comiam folhas da mão delas, os cervos pastavam por perto, e os passarinhos cantavam nos galhos, sem se mexer.

Mesmo quando a noite chegava, elas dormiam na grama, e nada de mal acontecia.

A mãe sorria, quando elas contavam.

— Quem é bom, os bichos sentem — dizia.

A noite de inverno

Numa noite de inverno, a neve caía lá fora.

A viúva lia um livro grande junto da lareira, e as meninas fiavam lã, quietinhas.

De repente, alguém bateu à porta.

Toc. Toc. Toc.

— Rosa Vermelha, abra, deve ser algum viajante procurando abrigo — disse a mãe.

A Rosa Vermelha abriu.

E levou um susto.

O urso

Na porta, enorme e peludo, estava um urso.

Rosa Vermelha deu um grito e correu para trás da mãe.

A Branca de Neve se escondeu atrás da cama.

Mas o urso falou, com uma voz grave, mas gentil:

— Não tenham medo. Eu não vou machucar ninguém. Estou com frio e só quero me aquecer um pouquinho.

A mãe olhou para ele.

— Pobre urso, entre. Mas cuidado com o pelo, para não pegar fogo.

O hóspede

O urso entrou e deitou-se perto da lareira.

As meninas, aos poucos, foram perdendo o medo.

Chegaram perto, tiraram a neve do pelo dele com uma vassourinha, e ele ficou quieto, de olhos fechados, gostando.

Logo estavam brincando com ele.

Puxavam o pelo, subiam nas costas, rolavam no tapete.

O urso, com muita paciência, aguentava tudo.

Quando elas exageravam, ele dizia, rindo:

— Deixem-me viver, meninas.

À noite, a viúva disse:

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— Pode dormir aí no fogo, urso. Aqui você fica protegido do frio e da tempestade.

O inverno

Todas as noites daquele inverno, o urso voltou.

Bateu na porta, entrou, deitou-se perto da lareira, e as meninas brincaram com ele.

Quando a primavera chegou, e o gelo derreteu, o urso se despediu.

— Preciso ir embora — disse. — Vou para a floresta, para proteger meus tesouros dos anões maus. No inverno, a terra fica dura, e eles não conseguem sair. Mas agora que o sol voltou, eles vão aparecer.

A Branca de Neve ficou triste.

— Volte, urso.

— Eu volto.

E foi embora.

O anão

Um dia, as meninas foram juntar lenha na floresta.

Viram uma árvore caída, e, perto do tronco, algo se mexendo.

Era um anão velho, de barba branca e comprida, que estava preso, porque a barba tinha ficado presa numa fenda da árvore.

— Por que ficam aí paradas? — gritou ele. — Venham me ajudar!

As meninas tentaram puxar. Mas a barba estava muito presa.

A Rosa Vermelha tirou da bolsa uma tesourinha e cortou uma pontinha da barba.

O anão ficou livre.

Mas, em vez de agradecer, resmungou:

— Que povo desastrado! Estragaram a minha barba!

Pegou um saco de ouro e foi embora, sem olhar para trás.

Os outros encontros

Algum tempo depois, as meninas encontraram o mesmo anão outras vezes.

Uma vez, a barba dele estava enroscada na linha de pescar de um peixe grande, que quase o puxava para dentro da água. As meninas cortaram outra pontinha da barba, e ele reclamou de novo.

Outra vez, uma ave enorme o tinha agarrado e estava prestes a levá-lo para longe. As meninas o seguraram e conseguiram soltá-lo.

E, de novo, em vez de agradecer, ele só gritou, reclamando.

O fim do anão

Um dia, as meninas voltavam da cidade e viram o anão no meio do campo.

Ele tinha espalhado pedras preciosas no chão, no sol, para admirá-las.

As pedras brilhavam, de todas as cores.

As meninas ficaram olhando, admiradas.

Então, uma voz grave ecoou:

— O que fazem aqui?

Era um urso, enorme, saindo do meio das árvores.

O anão ficou pálido.

— Poupe a minha vida, senhor urso! Pode ficar com todos os meus tesouros!

O urso olhou para ele, sério.

E o anão, com muito medo, saiu correndo, sem nunca mais ser visto por aquelas bandas.

O urso e a princesa

Foi então que algo aconteceu.

A pele do urso se desfez, como se fosse um casaco velho, e, no lugar dele, apareceu um príncipe, vestido de ouro.

— Sou filho de um rei — disse. — Aquele anão me enfeitiçou, e eu tinha que ficar como urso até ele ser derrotado. Agora estou livre.

A Branca de Neve olhou para ele, com um sorriso.

E a Rosa Vermelha, com um sorriso ainda maior, olhou para o irmão do príncipe, que apareceu logo depois.

O fim

A Branca de Neve se casou com o príncipe, e a Rosa Vermelha casou-se com o irmão dele.

A mãe foi morar com eles no castelo, e levou consigo os dois pés de rosas.

Dizem que, todo ano, no castelo, davam rosas brancas e rosas vermelhas, nas janelas.

Este conto é dos Irmãos Grimm, da Alemanha, publicado em 1812. Não é a mesma história de Branca de Neve e os Sete Anões, que também é dos Grimm. No conto original, o urso mata o anão, e o anão é bem mais malvado. Aqui, o final foi suavizado: o anão só foge, assustado.

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