A Galinha dos Ovos de Ouro

Num sítio pequeno, no alto de um morro, morava um fazendeiro chamado Anselmo.
Ele não tinha muita coisa: uma casa de madeira, uma horta, uma vaca magra e um galinheiro com algumas galinhas.
Mas, entre elas, havia uma galinha que era diferente das outras.
O ovo
Uma manhã, o Anselmo entrou no galinheiro para pegar os ovos, como fazia todo dia.
Procurou na palha. Procurou no ninho.
E encontrou um ovo que brilhava.
Pegou na mão. Era mais pesado que um ovo comum. Era liso, quente e amarelo-escuro.
Ele bateu com a unha, e o som foi de metal.
— Não pode ser — disse ele.
Levou o ovo à cidade, a um ourives, que examinou por muito tempo.
— Isto é ouro puro — disse o homem. — E dos bons.
O sítio
O Anselmo voltou para casa de cabeça rodando.
No dia seguinte, a mesma galinha botou outro ovo de ouro.
E no outro dia, outro.
Todo dia, um ovo, sem falhar.
O fazendeiro foi vendendo os ovos, um por um.
Com o primeiro, comprou uma vaca mais forte. Com o segundo, consertou o telhado. Com o terceiro, comprou sementes boas para a horta.
Em pouco tempo, o sítio estava arrumado e farto.
A pressa
Mas o Anselmo foi ficando diferente.
Passou a acordar mais cedo, só para ver se tinha ovo.
Passou a ficar a manhã inteira de olho no galinheiro.
Passou a pensar em quanto ouro tinha lá dentro.
— Um por dia é muito pouco — dizia sozinho. — Eu quero mais. Eu quero logo.
Ele contava os dias, as moedas, os ovos.
E ia ficando cada vez mais impaciente.
A ideia
Uma noite, o Anselmo não conseguiu dormir.
Ficou na cama, olhando o teto.
E teve uma ideia.
Se a galinha bota um ovo de ouro por dia, é porque tem ouro dentro dela. Se eu pegar todo o ouro de uma vez, vou ficar rico agora, sem esperar.
Ele se levantou, muito decidido.
A galinha
Mas, na hora de agir, o Anselmo hesitou.
Olhou para a galinha, que dormia no ninho, de olhos fechados, tranquila.
Ela tinha dado a ele tudo o que ele tinha.
Mesmo assim, a pressa falou mais alto.
Em vez de esperar, ele começou a apressar a galinha.
Colocou comida extra. Acendeu uma luz forte, para ela não dormir. Cutucava o ninho de hora em hora.
— Bota logo! — dizia. — Bota mais!
A galinha, assustada, ficou nervosa.
Parou de comer. Parou de dormir direito.
E, no dia seguinte, não botou ovo nenhum.
O vazio
O Anselmo ficou esperando.
Esperou o dia inteiro.
Esperou o outro dia.
Nada.
A galinha, cansada e assustada, tinha parado de botar. Ficava num canto do galinheiro, encolhida.
O Anselmo olhou para ela e percebeu o que tinha feito.
Ele não tinha ficado com mais ouro. Tinha estragado a única coisa que dava ouro.
A volta
O fazendeiro ficou muito arrependido.
Tirou a luz forte. Deixou a galinha quieta, na palha, com comida e água fresca.
Ficou ao lado dela, em silêncio, pedindo desculpas.
Passaram-se dias.
Passaram-se semanas.
Aos poucos, a galinha foi se acalmando, e voltou a comer e a dormir.
Mas os ovos de ouro não voltaram.
O fim
Dizem que, a partir daquele dia, o Anselmo aprendeu a lição do jeito mais difícil.
Ainda tinha as moedas dos ovos anteriores, e viveu bem com elas, mas nunca mais teve um ovo brilhante no ninho.
Passava as tardes sentado ao lado do galinheiro, e, quando alguém perguntava por que ficava ali, respondia:
— Eu tinha tudo o que precisava, e queria mais depressa do que era possível.
De onde vem
Esta fábula é atribuída a Esopo, um contador de histórias da Grécia antiga. Na história dele, o personagem tem uma gansa, não uma galinha, que bota ovos de ouro.
No original, o dono corta a gansa ao meio para pegar todo o ouro de uma vez e descobre que ela é igual a qualquer outra por dentro. Aqui, o final foi suavizado: a galinha não é machucada, só fica assustada e para de botar. O nome Anselmo e o arrependimento no final foram acrescentados.
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