A Galinha dos Ovos de Ouro

3 min de leituraHistorinha para dormir
A Galinha dos Ovos de Ouro
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Num sítio pequeno, no alto de um morro, morava um fazendeiro chamado Anselmo.

Ele não tinha muita coisa: uma casa de madeira, uma horta, uma vaca magra e um galinheiro com algumas galinhas.

Mas, entre elas, havia uma galinha que era diferente das outras.

O ovo

Uma manhã, o Anselmo entrou no galinheiro para pegar os ovos, como fazia todo dia.

Procurou na palha. Procurou no ninho.

E encontrou um ovo que brilhava.

Pegou na mão. Era mais pesado que um ovo comum. Era liso, quente e amarelo-escuro.

Ele bateu com a unha, e o som foi de metal.

— Não pode ser — disse ele.

Levou o ovo à cidade, a um ourives, que examinou por muito tempo.

— Isto é ouro puro — disse o homem. — E dos bons.

O sítio

O Anselmo voltou para casa de cabeça rodando.

No dia seguinte, a mesma galinha botou outro ovo de ouro.

E no outro dia, outro.

Todo dia, um ovo, sem falhar.

O fazendeiro foi vendendo os ovos, um por um.

Com o primeiro, comprou uma vaca mais forte. Com o segundo, consertou o telhado. Com o terceiro, comprou sementes boas para a horta.

Em pouco tempo, o sítio estava arrumado e farto.

A pressa

Mas o Anselmo foi ficando diferente.

Passou a acordar mais cedo, só para ver se tinha ovo.

Passou a ficar a manhã inteira de olho no galinheiro.

Passou a pensar em quanto ouro tinha lá dentro.

— Um por dia é muito pouco — dizia sozinho. — Eu quero mais. Eu quero logo.

Ele contava os dias, as moedas, os ovos.

E ia ficando cada vez mais impaciente.

A ideia

Uma noite, o Anselmo não conseguiu dormir.

Ficou na cama, olhando o teto.

E teve uma ideia.

Se a galinha bota um ovo de ouro por dia, é porque tem ouro dentro dela. Se eu pegar todo o ouro de uma vez, vou ficar rico agora, sem esperar.

Ele se levantou, muito decidido.

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A galinha

Mas, na hora de agir, o Anselmo hesitou.

Olhou para a galinha, que dormia no ninho, de olhos fechados, tranquila.

Ela tinha dado a ele tudo o que ele tinha.

Mesmo assim, a pressa falou mais alto.

Em vez de esperar, ele começou a apressar a galinha.

Colocou comida extra. Acendeu uma luz forte, para ela não dormir. Cutucava o ninho de hora em hora.

— Bota logo! — dizia. — Bota mais!

A galinha, assustada, ficou nervosa.

Parou de comer. Parou de dormir direito.

E, no dia seguinte, não botou ovo nenhum.

O vazio

O Anselmo ficou esperando.

Esperou o dia inteiro.

Esperou o outro dia.

Nada.

A galinha, cansada e assustada, tinha parado de botar. Ficava num canto do galinheiro, encolhida.

O Anselmo olhou para ela e percebeu o que tinha feito.

Ele não tinha ficado com mais ouro. Tinha estragado a única coisa que dava ouro.

A volta

O fazendeiro ficou muito arrependido.

Tirou a luz forte. Deixou a galinha quieta, na palha, com comida e água fresca.

Ficou ao lado dela, em silêncio, pedindo desculpas.

Passaram-se dias.

Passaram-se semanas.

Aos poucos, a galinha foi se acalmando, e voltou a comer e a dormir.

Mas os ovos de ouro não voltaram.

O fim

Dizem que, a partir daquele dia, o Anselmo aprendeu a lição do jeito mais difícil.

Ainda tinha as moedas dos ovos anteriores, e viveu bem com elas, mas nunca mais teve um ovo brilhante no ninho.

Passava as tardes sentado ao lado do galinheiro, e, quando alguém perguntava por que ficava ali, respondia:

— Eu tinha tudo o que precisava, e queria mais depressa do que era possível.

De onde vem

Esta fábula é atribuída a Esopo, um contador de histórias da Grécia antiga. Na história dele, o personagem tem uma gansa, não uma galinha, que bota ovos de ouro.

No original, o dono corta a gansa ao meio para pegar todo o ouro de uma vez e descobre que ela é igual a qualquer outra por dentro. Aqui, o final foi suavizado: a galinha não é machucada, só fica assustada e para de botar. O nome Anselmo e o arrependimento no final foram acrescentados.

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