Pará, o Parassaurolofo que Cantava Baixinho

4 min de leituraHistorinha para dormir
Pará, o Parassaurolofo que Cantava Baixinho
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Há muito, muito tempo, quando os dinossauros andavam pela Terra, havia um vale de samambaias e lagos tranquilos onde vivia um grande bando de parassaurolofos.

O parassaurolofo é um dinossauro fácil de reconhecer. Tem uma crista comprida e curva atrás da cabeça, como um tubo, que pode ser maior que uma pessoa. Os cientistas acham que essa crista era oca por dentro, e que os parassaurolofos a usavam para fazer sons, como uma corneta.

Entre eles, havia um filhote chamado Pará.

O som do Pará

A crista do Pará ainda era pequena, mas já fazia um som bem alto.

— Tuuuuuum! — soprava ele, com todas as forças.

Era um som agudo e vibrante, que ecoava pelo vale. Os passarinhos saíam voando das árvores, os sapos pulavam dentro d'água, e os dinossauros mais velhos tapavam as orelhas.

— Pará! — reclamavam. — Pode fazer um pouco menos de barulho?

Mas o Pará só queria brincar.

— Tuuuuuum! Tuuuuuum!

E ria, achando graça do eco.

Reclamações

Os dias foram passando, e o Pará continuou soprando, a qualquer hora.

De manhã cedinho, acordava todo mundo. À tarde, atrapalhava a soneca dos vizinhos. À noite, deixava os bebês de olhos arregalados.

— Esse filhote não para de fazer barulho! — dizia o tio Raul, de mau humor.

— Os meus filhotes não conseguem dormir! — dizia a tia Dora.

O Pará percebeu que os outros andavam se afastando dele, e ficou meio triste.

— Será que não posso mais cantar? — perguntou à mamãe, numa tarde.

A conversa

A mamãe sentou na beira do lago, e o Pará se aninhou ao lado dela.

— Filho, a sua crista é um presente. Com ela, você pode fazer sons que ninguém mais faz.

— Mas todo mundo reclama!

— Eles reclamam porque você solta o som sem pensar. Cada som tem a hora certa.

— Como assim?

— Quando um dinossauro quer avisar de um perigo, sopra forte. Mas, quando quer acalmar alguém, sopra baixinho.

O Pará ficou pensando.

— Baixinho? Eu nunca tentei.

Baixinho

A mamãe mostrou.

Respirou fundo e soprou pela crista, bem devagarzinho, com a boca quase fechada.

— Mmmmmm...

Era um som suave, de veludo, que parecia um abraço. O Pará fechou os olhos, e sentiu o corpo todo ficar mole, relaxado.

— Que gostoso! — disse. — Parece uma canção de ninar.

— É isso mesmo — disse a mamãe. — Agora é a sua vez.

O Pará respirou fundo e soprou. Mas saiu forte demais.

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— Tuuum!

— Mais baixinho. Imagine que você está acariciando o ar.

Treinando

Ele tentou de novo. E de novo. E mais uma vez.

Na quinta tentativa, o som saiu quase como o da mamãe, só um pouquinho tremido.

— Mmmmm...

— Muito bem! — disse a mamãe. — Continue.

O Pará treinou toda a tarde, até o sol começar a baixar. O som foi ficando cada vez mais suave, e cada vez mais bonito.

— Mmmmm... mmmmm...

Os passarinhos voltaram para as árvores, atraídos pela música. Um sapinho parou de pular e ficou ouvindo.

A noite do bando

Quando a lua apareceu, o bando todo foi se deitando, em volta do lago, ao pé das samambaias. Os bebês estavam inquietos, chorando baixinho. Estava um pouco frio, e eles não conseguiam dormir.

— Que noite difícil — suspirou a tia Dora, com o filhotinho no colo. — Ele não para de chorar.

O Pará olhou para o bebê e teve uma ideia.

Aproximou-se, de levinho, e soprou, bem baixinho:

— Mmmmmm... mmmmm...

O ninar

O bebê parou de chorar e olhou para o Pará, de olhos arregalados. O som era tão suave, tão cheio de carinho, que as pálpebras dele foram ficando pesadas.

O Pará continuou, devagarinho, no mesmo ritmo.

— Mmmmmm... mmmmm...

Outros filhotes foram se aproximando, e se aninhando em volta dele. Um por um, fecharam os olhos, e adormeceram, ao som daquela música macia.

A tia Dora olhou para o Pará, com os olhos cheios de lágrimas.

— Obrigada, Pará. Você é um verdadeiro artista.

O bando agradece

No dia seguinte, o tio Raul foi o primeiro a falar.

— Pará, ontem à noite, dormi tão bem que nem acordei para o café da manhã. Foi a sua música?

— Foi — disse o Pará, meio tímido. — Mas era baixinho.

— É a melhor canção que já ouvi — disse o tio. — Pode cantar sempre que quiser.

Dali em diante, todas as noites, o Pará cantava para o bando. E, quando algum perigo se aproximava, soprava forte, para avisar. Cada som tinha a sua hora.

Boa noite

Naquela noite, a lua estava grande e redonda sobre o lago. As samambaias balançavam de leve, e os grilos cantavam.

O Pará se deitou ao lado da mamãe, e soprou, bem de levinho, a sua canção.

— Mmmmmm...

A mamãe fechou os olhos, sorrindo. Em volta, todo o bando foi adormecendo, um por um.

O Pará foi o último. A canção dele foi ficando mais baixa, mais lenta, até virar só um suspiro.

Boa noite, pequeno leitor. Cada coisa tem a sua hora: a voz forte para avisar, e a voz baixinha para ninar.

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