Paco, o Paquicefalossauro que Aprendeu a Ser Gentil

4 min de leituraHistorinha para dormir
Paco, o Paquicefalossauro que Aprendeu a Ser Gentil
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Há muito, muito tempo, quando os dinossauros andavam pela Terra, vivia num vale cheio de samambaias uma família de paquicefalossauros.

O paquicefalossauro é fácil de reconhecer. Tem a cabeça redonda e alta, como uma cúpula, bem grossa, e uns pequenos espinhos em volta do focinho. Anda sobre duas pernas, provavelmente come folhas e frutinhas e vive em bando.

Os cientistas não sabem ao certo para que servia aquela cabeça tão grossa. Alguns acham que eles empurravam uns aos outros com ela, para mostrar força.

Entre eles, havia um filhote chamado Paco.

O Paco forte

O Paco tinha crescido bem rápido. Os músculos das pernas estavam fortes, e a cabeça redonda, mais firme.

— Olha só! — dizia ele. — Eu empurro pedra!

Corria de um lado para o outro, empurrando tudo o que encontrava: galhos, pedras pequenas, troncos caídos.

Era muito divertido. Mas tinha um problema. O Paco ainda não sabia direito a medida da própria força.

O primeiro susto

Uma tarde, o Paco encontrou um grupo de amiguinhos brincando perto do rio. Eram filhotes de outros dinossauros, pequenininhos, de pernas finas.

— Oi, pessoal! — gritou ele, correndo na direção deles. — Vamos brincar de empurrar!

Mas, de tão animado, ele não conseguiu frear a tempo. Bateu, sem querer, no ombro de um amiguinho amarelo, e o derrubou na grama.

— Ai! — disse o amiguinho.

— Desculpa! — disse o Paco, assustado. — Eu não queria!

O amiguinho se levantou, esfregando o ombro, com os olhos cheios de lágrimas.

Cada vez pior

O Paco ficou triste. Mas, no dia seguinte, aconteceu de novo. Ao brincar de correr, esbarrou numa amiguinha, e ela caiu de cara no chão.

Os outros filhotes foram se afastando.

— Vamos brincar de outra coisa — cochichavam. — O Paco é muito forte.

O Paco percebeu. E sentiu o coração apertar.

— Será que ninguém quer brincar comigo? — pensou.

Voltou para casa devagarzinho, de cabeça baixa.

A conversa com a mamãe

A mamãe estava na beira do rio, comendo folhas macias. Ao ver o Paco, percebeu logo que algo estava errado.

— O que houve, filho?

— Mamãe, eu fiquei forte demais. Esbarro nos amigos sem querer. Agora ninguém quer brincar comigo.

A mamãe sorriu, com ternura.

— Você não é forte demais, Paco. Você só está aprendendo a usar a sua força.

— Como se faz isso?

— Com cuidado. E isso a gente treina.

O treino

A mamãe chamou o Paco até uma clareira.

— Primeiro, vamos fazer uma brincadeira. Olhe aquela folha pendurada no galho.

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O Paco olhou. Era uma folha grande, balançando de leve.

— Toque nela com a cabeça. Mas sem derrubar.

O Paco tentou. Na primeira vez, bateu forte demais, e a folha caiu.

— De novo — disse a mamãe. — Mais devagar.

Ele tentou de novo. Dessa vez, tocou com tanta suavidade que a folha só balançou.

— Muito bem! — disse a mamãe. — Agora, respire fundo antes de tocar. Pense no que está fazendo.

Praticar

O Paco treinou a tarde inteira. Tocou folhas, flores, galhos pequenos. Empurrou uma pedrinha, bem de levinho, e a viu rolar até o rio.

— Estou conseguindo, mamãe!

— Está mesmo. Mas o que importa não é só a força. É saber quando usá-la e quando guardar.

O Paco entendeu. Força e cuidado trabalham juntos.

De volta aos amigos

No dia seguinte, o Paco foi até o rio, onde os amiguinhos brincavam.

— Oi, pessoal — disse, devagar. — Eu queria pedir desculpas. Eu fiquei forte e não soube controlar. Mas estou aprendendo.

Os amiguinhos olharam um para o outro.

— Tudo bem — disse o amarelinho. — A gente sabe que você não fez por mal.

— Quer brincar de novo? — perguntou a amiguinha.

— Quero! Mas de um jeito diferente. Vou ter cuidado.

A brincadeira nova

Naquela tarde, inventaram uma brincadeira nova. O Paco ia empurrando, bem devagarzinho, uma bola de pedra que rolava pelo capim, e os outros corriam atrás dela, rindo.

Quando alguém estava perto demais, o Paco parava e esperava.

— Que legal! — disse o amarelinho. — Parece que você virou o capitão do jogo!

O Paco ficou feliz. Era bom ser forte, e mais ainda, saber cuidar de quem estava ao redor.

Boa noite

Ao fim do dia, o sol foi se pondo, e o céu ficou cor de laranja. Os dinossauros foram voltando para casa, cansados e contentes.

O Paco se aninhou ao lado da mamãe, na grama macia.

— Mamãe — disse ele, bocejando —, hoje eu aprendi uma coisa.

— O quê?

— Que força boa é a que cuida.

A mamãe o abraçou, com um sorriso.

E o Paco dormiu, sob as estrelas, sonhando com folhas balançando de leve e amigos rindo ao redor.

Boa noite, pequeno leitor. Quanto mais forte a gente fica, mais importante é ser gentil.

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