Lia, a Pterossauro que Aprendeu a Planar

3 min de leituraHistorinha para dormir
Lia, a Pterossauro que Aprendeu a Planar
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Há muito, muito tempo, quando os dinossauros andavam pela Terra, vivia na beira do mar uma família de pterossauros.

Os pterossauros eram répteis voadores. Tinham asas enormes, feitas de pele fina e esticada, e bicos compridos para pegar peixes na água. Não eram dinossauros, mas viviam na mesma época e moravam em penhascos bem altos, de frente para o mar.

Entre eles, havia uma filhote chamada Lia.

O penhasco

A Lia morava num ninho, no meio de uma pedra grande. De lá, via o mar, as ondas, as nuvens, e os irmãos mais velhos, que já voavam.

— Venha, Lia! — gritavam eles. — Pule e abra as asas!

Mas a Lia ficava na beirinha, olhando para baixo.

Lá embaixo, o mar brilhava, bem longe. O vento soprava forte. E a Lia sentia as perninhas tremerem.

— Eu vou... daqui a pouco — dizia ela, e dava um passo para trás.

A mamãe

À noite, a mamãe pterossauro se aproximou do ninho.

— Está com medo de voar, Lia?

— Estou — sussurrou ela. — As minhas asas parecem tão pequenas. E se eu cair?

A mamãe sentou ao lado dela, bem pertinho, e esticou uma asa por cima da filha, para esquentar.

— Quando eu era pequena, também tive medo. Sabe o que me ajudou?

— O quê?

— Eu aprendi que o vento sabe segurar quem confia nele. Ele não derruba. Ele leva.

— Leva para onde?

— Para onde você quiser. Mas primeiro, é preciso abrir as asas.

A manhã

Na manhã seguinte, o sol nasceu rosado, e o mar estava calmo, como um espelho. O vento soprava suave, e as nuvens eram macias.

— Hoje é um bom dia — disse a mamãe. — Quer tentar?

A Lia engoliu em seco.

— Quero. Mas a senhora vai junto?

— Vou ficar bem do seu lado.

A mamãe se posicionou à beira do penhasco. A Lia foi atrás, pisando devagar.

O salto

— Respire fundo — disse a mamãe. — Abra as asas. Devagar.

A Lia abriu as asas. O vento bateu nelas, e ela sentiu uma coisa estranha, como se o ar estivesse empurrando por baixo.

— Está sentindo? — perguntou a mamãe.

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— Estou...

— Agora, um passinho para a frente. E outro.

A Lia deu um passinho. Deu outro. E, de repente, os pés saíram do chão.

Ela estava voando.

Voar

O mundo ficou enorme. A Lia viu o mar azul, o penhasco ficando pequeno lá atrás, as nuvens cor-de-rosa.

Ela bateu as asas, uma vez, duas vezes. E depois parou de bater e deixou o vento carregar.

— Mamãe, eu estou planando!

— Está mesmo — disse a mamãe, voando bem do lado dela. — Está lindo.

O vento a levava para cima, como se fosse uma escada invisível. A Lia subiu, subiu, e girou devagar, com as asas abertas, sentindo o sol na cara.

— Isto é a melhor coisa do mundo! — gritou ela, rindo.

O primeiro peixe

Lá embaixo, na água, a Lia viu um peixinho prateado, nadando perto da superfície.

— Quer tentar pegar? — perguntou a mamãe.

— Quero!

A Lia desceu devagar, com o bico apontado. Passou rente à água, sem encostar a barriga, e pescou o peixe, num movimento rápido.

Subiu de novo, com o peixe no bico, rindo, de olhos brilhando.

— Eu peguei! Eu peguei sozinha!

Os irmãos vieram voando e fizeram festa.

— Você consegue voar mesmo, Lia!

— Eu consigo — disse ela, sorrindo. — Só precisava confiar.

Boa noite

À tarde, a família voltou para o penhasco, para descansar. O sol foi descendo, e o céu ficou cor de laranja.

A Lia se aninhou, no meio da pedra, ao lado da mamãe. O vento passava de leve, fazendo cócegas na pele dela.

— Mamãe — disse ela, de olhos fechados —, amanhã eu quero voar de novo.

— Claro, minha filha. O vento vai estar esperando por você.

E, aos poucos, a Lia dormiu, sonhando com nuvens cor-de-rosa e um mar que brilhava como um espelho.

Boa noite, pequeno leitor. Quando você tiver medo de tentar algo novo, lembre-se: um passinho de cada vez, e alguém ao seu lado.

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