Spino, o Espinossauro que Pescava ao Amanhecer

4 min de leituraHistorinha para dormir
Spino, o Espinossauro que Pescava ao Amanhecer
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Há muito, muito tempo, quando os dinossauros andavam pela Terra, havia um rio largo e tranquilo, cheio de peixes prateados.

Na beira do rio, entre samambaias gigantes, vivia uma família de espinossauros.

O espinossauro era um dinossauro diferente dos outros. Tinha uma vela alta nas costas, como a de um barquinho, e um focinho comprido, parecido com o de um crocodilo. Os cientistas acham que ele pescava, e que gostava muito de água.

Na família, havia um filhote chamado Spino.

A pressa do Spino

Spino adorava peixe. Vivia com água na boca só de olhar os peixinhos nadando.

— Mamãe — dizia ele —, quando eu vou poder pescar?

— Logo, filho — respondia a mamãe.

— E se for agora?

A mamãe sorria.

— Agora, não. Antes, você precisa aprender uma coisa muito importante.

— O quê?

— Esperar.

Spino fez uma careta. Esperar era a pior parte.

O amanhecer

Uma manhã, antes de o sol nascer, a mamãe chamou o Spino.

— Hoje você vai aprender a pescar. Venha comigo.

Eles desceram até a beira do rio. A água estava lisa como um espelho, com uma neblina fininha flutuando em cima. O céu começava a ficar cor-de-rosa. Os passarinhos ainda dormiam.

— Entre devagar na água — disse a mamãe. — Sem fazer barulho.

Spino foi entrando, patinha por patinha, sentindo a água fria nas pernas, e foi até a água chegar ao meio da barriga.

— Agora fique parado.

Parado

Spino ficou parado. Um minuto. Dois. Três.

— Mamãe, já pode?

— Shhh. Ainda não.

Ele esperou mais um pouquinho. A neblina começou a levantar. O sol subiu, pintando a água de dourado. Alguns peixes passavam perto, mas ele ficava quieto.

— Mamãe, eu estou entediado.

— Olhe para a água — disse ela. — Preste atenção no que acontece.

Spino olhou. Percebeu que a água não era parada. Tinha pequenas ondinhas, folhas flutuando, bolhinhas subindo. E, mais embaixo, viu uma sombra comprida deslizando.

Era um peixe grande.

O peixe

— Ali, mamãe! — sussurrou ele.

— Esse mesmo. Agora, não se mexa. Deixe ele vir.

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O peixe nadava devagar, balançando o rabo. Chegou perto, mais perto, e Spino sentiu o coração bater forte. Esperou, esperou...

— Agora — disse a mamãe.

Spino jogou o focinho para a frente e fechou a boca num movimento rápido e agarrou o peixe.

A primeira pescaria

— Peguei! — gritou ele, com o peixe se debatendo na boca. — Peguei, mamãe!

A mamãe riu, orgulhosa.

— Pegou mesmo. E sabe por quê?

— Porque eu sou rápido?

— Porque você soube esperar. A rapidez só serve se você escolher o momento certo.

Spino engoliu o peixe, de olhos brilhando. Estava delicioso.

— Posso pescar de novo?

— Pode. Mas primeiro, respire fundo e fique bem quietinho.

Aprender a esperar

Naquele dia, o Spino pescou mais dois peixes. Depois do último, sentou na margem, ao sol, com a barriga cheia.

— Mamãe, eu aprendi uma coisa — disse ele.

— O quê?

— Que esperar não é perder tempo. É ficar atento ao que está acontecendo à volta.

A mamãe passou o focinho na cabeça dele, carinhosa.

— Muito bem, filho. Isso vale para pescar e vale para muita coisa na vida.

Spino ficou olhando o rio, as samambaias, o sol, as libélulas voando. E achou tudo muito mais bonito do que antes. Quando a gente espera com calma, repara em tudo.

O rio à tarde

A tarde passou devagar. O rio foi ficando cor de cobre, com as sombras das árvores esticadas sobre a água.

A família inteira se reuniu na margem. O papai trouxe peixes grandes, e todos comeram juntos, conversando.

— O Spino pescou sozinho! — contou a mamãe.

— Parabéns, filho! — disse o papai.

Spino sorriu, meio tímido, e olhou para o rio, onde os peixes continuavam nadando.

Boa noite

À noite, a lua apareceu sobre o rio, prateando a água. As estrelas se encheram de brilho. Os sapinhos começaram a cantar.

Spino se deitou na grama macia, ao lado da mamãe, toda tranquila.

— Amanhã eu vou pescar de novo — disse, sonolento.

— Amanhã, a gente vai esperar de novo — disse a mamãe, rindo. — E vai pescar.

Spino fechou os olhos. Sonhou com peixes prateados, com neblina cor-de-rosa e com um rio que nunca acabava.

Boa noite, pequeno leitor. Esperar com calma também é uma maneira de aprender.

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