Os Três Bodes e a Ponte do Riacho

4 min de leituraHistorinha para dormir
Os Três Bodes e a Ponte do Riacho
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Era uma vez três irmãos bodes, que moravam num vale pobre, onde o pasto estava ficando ralo.

O mais novo era pequenininho. O do meio era de tamanho médio. E o mais velho era grande, de chifres compridos e voz grossa.

Todos os dias, eles olhavam para a montanha, do outro lado do riacho. Lá, o capim era verde, alto e docinho.

— Que pena — dizia o pequeno. — Para chegar lá, é preciso atravessar a ponte.

— E embaixo da ponte mora um troll — disse o do meio.

— Ranzinza e bravo — completou o grande.

O troll

O troll era uma criatura esquisita, de pele esverdeada, cabelo despenteado e olhos grandes como pratos. Morava embaixo da ponte, e achava que todo mundo que passava por cima era um invasor.

— Esta ponte é minha! — gritava ele. — Quem passar vai ter que me pagar um preço!

Ninguém sabia que preço era esse, porque ninguém nunca tinha tido coragem de descobrir.

Mas os três bodes estavam com fome. E o capim da montanha esperava.

— Vamos tentar — disse o grande. — Mas cada um de uma vez, e com cuidado.

O bode pequeno

Primeiro foi o pequenininho.

Trip, trip, trip, fizeram os casquinhos dele na madeira.

— Quem está andando na minha ponte?! — gritou o troll, aparecendo debaixo dela.

— Sou eu, o bode pequeno — disse ele, com a voz fininha, mas sem tremer. — Vou para a montanha comer capim.

— Hum! — disse o troll. — Vou cobrar o meu preço!

O bode pequeno pensou rápido.

— Ah, seu troll, eu sou tão pequeno que nem vale a pena. Daqui a pouco passa o meu irmão do meio. Ele é bem maior.

O troll coçou a cabeça. Pensou um pouco.

— Está bem. Pode passar.

E o bode pequeno atravessou, saltitando, até o pasto verde do outro lado.

O bode do meio

Depois foi o do meio.

Trap, trap, trap, fizeram os casquinhos dele, mais pesados.

— Quem está andando na minha ponte?! — gritou o troll.

— Sou eu, o bode do meio. Vou para a montanha comer capim.

— Hum! Vou cobrar o meu preço!

O bode do meio respirou fundo.

— Seu troll, eu sou de tamanho médio. Mas o meu irmão que vem depois é enorme. Vale muito mais a pena esperar por ele.

O troll ficou pensando. Ficou pensando e gostou da ideia de um prêmio melhor.

— Tá bem. Pode passar.

E o bode do meio atravessou, trotando, e se juntou ao irmão pequeno.

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O bode grande

Por fim, o bode grande veio.

TROP, TROP, TROP, fizeram os casquinhos dele, fortes como tambores.

A ponte balançou. O riacho tremeu. Os passarinhos saíram voando das árvores.

— QUEM ESTÁ ANDANDO NA MINHA PONTE?! — gritou o troll, aparecendo, de olhos arregalados.

— Sou eu, o bode grande — disse ele, com a voz grossa, sem se mexer. — Vou para a montanha comer capim.

— Hum! — disse o troll. — Agora eu vou cobrar o meu preço!

O bode grande olhou fixo nos olhos do troll, calmo, com os chifres bem apontados.

— Pode tentar.

A coragem

O troll abriu a boca para responder. Mas, de perto, o bode era tão grande, e tão sério, e tão calmo, que o troll sentiu um frio na barriga.

— Eu... hum... — gaguejou. — Quer dizer... Talvez você possa passar.

— Obrigado — disse o bode grande.

Mas, antes de ir, ele parou e olhou para o troll por um instante.

— Sabe de uma coisa? Você não precisa gritar para fazer amigos. Se pedisse com educação, muita gente atravessaria rindo.

O troll ficou sem jeito. Nunca ninguém tinha dito isso a ele.

— É mesmo?

— É. Experimente.

O pasto

O bode grande atravessou e se juntou aos irmãos, do outro lado. O capim era tão alto e tão doce que os três comeram até ficar de barriguinha redonda.

O sol brilhava, as flores cheiravam bem, e as montanhas ao longe pareciam pintadas.

— Que dia bom — disse o bode pequeno.

— Muito bom — disse o do meio.

— Foi bom por causa da esperteza do pequeno e da coragem do grande — disse o mais velho. — E por causa da calma de todos nós.

Uma ponte nova

Alguns dias depois, quando os bodes voltaram à ponte para passear, encontraram uma placa nova, escrita em letras tortas:

"Ponte do Troll. Atravesse com educação. Cobro um sorriso."

E, embaixo da ponte, o troll acenava, meio desajeitado.

— Bom dia! — disse ele.

— Bom dia! — responderam os bodes, rindo.

Dali em diante, a ponte ficou conhecida como a mais amistosa da região.

Boa noite

Numa dessas noites, os três bodes dormiram juntinhos, na montanha, de barriga cheia e coração leve.

Embaixo da ponte, o troll acendeu uma lanterninha e ficou olhando o riacho passar, sentindo uma coisa nova no peito: a alegria de ter amigos.

Boa noite, pequeno leitor. Com calma e esperteza, dá para atravessar qualquer ponte, até aquelas que parecem difíceis.

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