O Coelhinho Pedro e a Horta do Seu Gregório

Era uma vez uma família de coelhinhos que morava debaixo de uma grande árvore, numa toca quentinha e muito bem arrumada.
Moravam ali a mamãe coelha e os seus quatro filhos: Flopsi, Mopsi, Rabinho e, o mais travesso de todos, Pedro.
Pedro vestia um casaquinho azul e sapatinhos, e adorava aventuras. Corria mais depressa do que os irmãos, pulava mais alto e queria descobrir tudo.
O aviso
Numa manhã de sol, a mamãe coelha pegou a cestinha e o guarda-chuva.
— Meus filhos, eu vou até a padaria buscar pão e pãezinhos de mel. Vocês podem brincar no bosque, colher amoras, correr pelo campo. Mas tem uma coisa que vocês não podem fazer.
— O quê, mamãe? — perguntaram eles.
— Não entrem na horta do Seu Gregório. O seu pai entrou lá um dia, e acabou numa enrascada muito grande e levou um susto que nunca esqueceu.
Os coelhinhos balançaram as orelhas.
— Combinado, mamãe!
— Vão ser bons meninos. Até já.
Os bons coelhinhos
Flopsi, Mopsi e Rabinho foram colher amoras. Voltaram com as cestinhas cheias, e as patinhas sujas de roxo.
Mas o Pedro tinha outros planos.
— Como será essa horta? — pensou ele, depois de sair da toca. — Deve ser cheia de coisas gostosas. Eu só vou dar uma espiadinha.
E, sem avisar ninguém, correu direto para a horta do Seu Gregório.
A horta
O portão estava fechado, mas havia um espacinho por baixo. Pedro se espremeu e passou.
Do outro lado, ele arregalou os olhos. Que fartura! Alface verdinha, cenouras bem laranjas, feijões pendurados nos pés, rabanetes cor-de-rosa, e repolhos do tamanho da cabeça dele.
— Nossa! — disse ele. — Isto é um paraíso.
Comeu alface. Comeu feijão. Comeu rabanete. A barriguinha foi inchando, inchando, e ele sentiu uma coisa estranha.
— Preciso de uma folha de salsa — disse, para ajudar a digestão.
O Seu Gregório
Foi aí que, de repente, apareceu o Seu Gregório, de chapéu de palha e botas, com um ancinho na mão.
— Para! Ladrão! — gritou ele.
Pedro levou um susto tão grande que saiu correndo, mais veloz que nunca. O Seu Gregório correu atrás, balançando o ancinho.
— Volta aqui!
Pedro correu pela horta toda, em zigue-zague. No meio da correria, perdeu um sapatinho no meio dos repolhos, e o outro, no meio das batatas. Ficou só de casaquinho.
O esconderijo
Enquanto corria, Pedro viu uma regadora grande, caída no canto. Entrou lá dentro e se escondeu.
Estava ofegante, com o coração disparado. Do lado de fora, o Seu Gregório procurava, olhando debaixo das folhas, atrás das caixas.
— Onde ele se meteu?
Dentro da regadora, havia um pouco de água. Pedro ficou todo molhado, de nariz coçando.
— Atchim! — espirrou, sem querer.
— Ah! Te achei! — gritou o Seu Gregório.
A fuga
Pedro saltou da regadora e correu de novo, num pulo só. O Seu Gregório, atrás, quase pegou o casaquinho dele.
Ele correu ao longo de uma cerquinha, e o casaquinho enroscou num galho. Mas conseguiu se soltar e deixou o casaco para trás.
Chegou ao portão, achou o espacinho e escapou.
— Ufa — disse ele, ofegante, já do outro lado. — Foi por pouco.
Ele não parou de correr até chegar em casa. Entrou na toca e se jogou na cama, cansado demais para fazer qualquer coisa.
O castigo e o carinho
Quando a mamãe coelha voltou da padaria, encontrou o Pedro deitado, de olhos fechados, tremendo um pouquinho.
— Pedro! — disse ela. — O que aconteceu? Cadê o seu casaquinho? E os seus sapatos?
— Mamãe... eu fui na horta — disse ele, baixinho.
A mamãe coelha suspirou, mas não gritou. Ela fez uma coisa que Pedro não esperava. Pegou o cobertor, aconchegou o filho e fez um chazinho de camomila.
— Beba, meu querido. Vai fazer bem.
Pedro tomou, devagarinho. Estava quentinho e docinho.
— Desculpa, mamãe — disse. — Eu não devia ter ido.
— Não, não devia. Mas o importante é que você está aqui, em segurança. E aprendeu.
O jantar
À noite, Flopsi, Mopsi e Rabinho sentaram à mesa, e a mamãe serviu pão com leite e amoras para cada um.
Mas Pedro ficou na cama, só com o chazinho.
— Que pena, Pedro — disse a mamãe, com carinho. — Quem se comporta, janta bem. Mas amanhã a gente tenta de novo.
— Está bem, mamãe.
Naquela noite, o Pedro ficou na cama, com o coração aliviado. Estava cansado e com um pouco de dor de barriga, mas se sentia amado.
Boa noite
A lua subiu sobre a árvore, e a toca ficou quietinha. Lá fora, os grilos cantavam baixinho, e o vento balançava as folhas.
Pedro olhou para o teto da toca, e pensou na horta, no Seu Gregório, nos repolhos, no susto.
— Nunca mais — sussurrou. — Da próxima vez, vou ouvir a mamãe.
Fechou os olhinhos. E dormiu, ao lado dos irmãos, com a certeza de que, não importa o que acontecesse, sempre teria um lugar quentinho para voltar.
Boa noite, pequeno leitor. Quando a mamãe e o papai dão um aviso, é porque querem cuidar de você.
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