O Mágico de Oz

7 min de leituraHistorinha para dormir
O Mágico de Oz
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No meio das planícies do Kansas, nos Estados Unidos, morava uma menina chamada Dorothy.

Ela morava numa casinha de madeira com o tio Henry, a tia Ema e um cachorrinho preto e peludo chamado Totó.

Era um lugar cinzento. A terra era cinzenta, a casa era cinzenta, e até o céu, de tanto sol, parecia cinzento.

O Totó é que não era. Ele era preto, tinha olhos brilhantes e fazia a Dorothy rir o dia inteiro.

O tornado

Numa tarde, o céu ficou com uma cor esquisita e o vento começou a uivar.

— Tornado! — gritou o tio Henry. — Corre para o porão!

O tio e a tia desceram. A Dorothy ia atrás, mas o Totó se escondeu debaixo da cama, assustado. Ela voltou para pegar o cachorro.

E, nesse instante, a casa inteira tremeu, girou e se soltou do chão.

O tornado pegou a casinha, subiu com ela e levou os dois pelos ares.

Depois de um tempo, embalada por aquele balanço esquisito, a Dorothy acabou dormindo no meio da viagem.

A terra de Oz

Quando ela acordou, a casa tinha parado.

A Dorothy abriu a porta, e a boca dela ficou aberta junto.

Do lado de fora não era o Kansas. Era um lugar de grama muito verde, árvores carregadas de fruta, flores coloridas e riachos de água clara.

Um grupo de pessoas pequeninas, vestidas de azul, veio recebê-la, e com elas uma senhora de vestido branco: a Bruxa Boa do Norte.

— Bem-vinda ao país dos Munchkins — disse a senhora. — Você é uma feiticeira poderosa.

— Eu? Eu sou só uma menina!

A Bruxa Boa apontou para o chão, do lado da casa, onde aparecia um par de sapatos prateados.

A casa, ao cair, tinha pousado em cima da Bruxa Má do Leste, que mandava naquele povo e obrigava todo mundo a trabalhar para ela de sol a sol. Com ela debaixo da casa, os Munchkins estavam livres.

E os sapatos prateados dela, que eram mágicos, agora eram da Dorothy.

O caminho para casa

A Dorothy só queria uma coisa.

— Eu preciso voltar para o Kansas. A minha tia deve estar desesperada.

A Bruxa Boa balançou a cabeça.

— Eu não sei como fazer isso. Mas tem alguém que talvez saiba: o Mágico de Oz, que mora na Cidade das Esmeraldas.

— E como eu chego lá?

— Seguindo a estrada de tijolos amarelos. É só não sair dela.

O espantalho

A Dorothy calçou os sapatos prateados, pegou o Totó no colo e começou a andar.

No primeiro dia, passou por um milharal e viu um espantalho pendurado numa estaca, de roupa velha e chapéu pontudo.

E o espantalho piscou para ela.

— Você pode me tirar daqui? — pediu ele. — Estou nessa estaca faz um tempão.

A Dorothy tirou.

— Para onde você vai? — perguntou o espantalho.

— Para a Cidade das Esmeraldas, pedir ao Mágico que me mande para casa.

— Posso ir junto? Eu queria pedir uma coisa a ele.

— O quê?

— Um cérebro. A minha cabeça é cheia de palha. Todo mundo diz que eu sou burro.

E foram os dois.

O homem de lata

Mais adiante, na beira da estrada, dentro da mata, eles ouviram um gemido.

Era um homem todo feito de lata, com um funil de chapéu e um machado na mão, parado no meio de um passo, enferrujado dos pés à cabeça.

— Óleo — ele conseguiu dizer. — Na minha cabana. Por favor.

Eles acharam a lata de óleo e pingaram nas juntas dele: no pescoço, nos braços, nas pernas, no queixo.

Aos poucos, o homem de lata voltou a se mexer.

— Faz um ano que eu estou parado aqui. Choveu e eu enferrujei.

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Ele também quis ir junto.

— Eu vou pedir um coração — disse ele. — Eu não tenho um. E quem não tem coração não consegue amar ninguém.

O leão

Mais adiante ainda, num trecho de floresta escura, um leão enorme pulou no meio da estrada, rugindo.

O Totó latiu, e o leão deu uma patada no ar, perto dele.

A Dorothy não pensou. Deu um tapinha no focinho do leão.

— Que feio! Um bicho grande desse tamanho querendo assustar um cachorro pequenininho!

E o leão… começou a chorar.

— Eu sei — soluçou ele. — Eu sou um covarde. Sou o rei dos animais e tenho medo de tudo. Quando eu rujo, é só para ninguém perceber.

— Vem com a gente — disse o espantalho. — Você pede coragem ao Mágico.

E ficaram cinco: a menina, o cachorro, o espantalho, o homem de lata e o leão covarde.

A Cidade das Esmeraldas

A viagem foi longa e teve perigo: rio para atravessar, um campo de papoulas que dava sono e um abismo no meio do caminho.

E aconteceu uma coisa curiosa nesses apuros.

Quem pensou no jeito de atravessar o rio foi o espantalho, que dizia não ter cérebro.

Quem chorou de pena de um bichinho ferido e parou tudo para cuidar dele foi o homem de lata, que dizia não ter coração.

E quem pulou o abismo carregando os amigos nas costas, tremendo o tempo todo, foi o leão, que dizia não ter coragem.

Quando eles finalmente chegaram, a Cidade das Esmeraldas era tão verde e tão brilhante que quase não dava para olhar.

O Mágico

O Mágico de Oz recebeu os cinco.

E disse que ajudaria todos eles… se antes resolvessem um problema sério: a Bruxa Má do Oeste, que aterrorizava as terras do outro lado.

Foram. Passaram sufoco. E venceram do jeito mais bobo: a bruxa não suportava água, e a Dorothy, numa hora de raiva, jogou um balde de água nela.

Quando voltaram para cobrar a promessa, o Totó puxou com os dentes uma cortina no canto do salão.

E, atrás dela, tinha um velhinho comum, com um megafone e um monte de cordinhas.

O Mágico de Oz não era mágico coisa nenhuma. Era um homem comum, de uma cidade dos Estados Unidos chamada Omaha, que tinha chegado ali de balão, anos antes, e nunca mais tinha conseguido ir embora.

O que ele deu a eles

Os amigos ficaram furiosos.

Mas o velhinho pediu calma e disse uma coisa que eles não esperavam.

— Espantalho, você atravessou um rio pensando. Você já tem cérebro.

— Homem de lata, você chorou por causa de um bichinho ferido. Você já tem coração.

— Leão, você pulou o abismo com os seus amigos nas costas, morrendo de medo. Coragem não é não ter medo. É fazer mesmo com medo. Você já tem coragem.

Mesmo assim, ele deu a cada um uma lembrancinha para ajudar a acreditar: um saquinho para o espantalho, um coração de seda para o homem de lata e um gole de uma poção de coragem, de uma garrafinha verde, para o leão.

O caminho de volta

Faltava a Dorothy.

O velhinho tentou levá-la de balão. Mas, na hora da partida, o Totó pulou do colo dela atrás de um gato, e, enquanto a Dorothy corria para pegar o cachorro, as cordas arrebentaram e o balão foi embora sem os dois.

Foi a Glinda, a Bruxa Boa do Sul, quem contou o final da história.

— Menina, esses sapatos prateados que você está usando podem levar você a qualquer lugar do mundo. Bastava bater os calcanhares três vezes e dizer para onde queria ir.

— Você quer dizer que eu podia ter voltado para casa desde o primeiro dia?

— Podia.

O espantalho riu.

— Que bom que você não sabia. Senão eu ainda estaria pendurado naquela estaca.

Kansas

A Dorothy abraçou os três amigos, um de cada vez, e chorou em cada abraço.

Depois pegou o Totó no colo, bateu os calcanhares três vezes e disse:

— Me leva para casa, para a casa da tia Ema.

E, num piscar de olhos, ela estava no Kansas, de pé no meio da terra cinzenta, com o Totó latindo do lado dela e a tia Ema e o tio Henry correndo da porta de casa, de braços abertos.

O espantalho ficou governando a Cidade das Esmeraldas. O homem de lata foi cuidar do povo do Oeste. E o leão voltou para a floresta, onde virou rei de verdade.

Esta história é de L. Frank Baum, dos Estados Unidos, publicada em 1900. O livro é bem maior e tem muito mais aventura: esta é uma versão curta para a hora de dormir. No livro, os sapatos da Dorothy são prateados: no filme famoso é que eles viraram vermelhos. E o presente do leão, que no filme é uma medalha, no livro é uma poção de coragem.

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