O Barquinho de Papel do Léo

Naquela tarde, choveu em todo o bairro. Era uma chuva macia, daquelas que fazem barulhinho de sussurro no telhado.
O Léo estava na janela de casa, com o nariz encostado no vidro, vendo as gotas escorrerem. Lá fora, a rua tinha virado um riachinho. A água descia, de um lado ao outro, brilhando na luz cinzenta da tarde.
— Mamãe, a rua virou um rio! — disse ele.
— É a chuva — disse a mamãe, rindo. — Quer fazer um barquinho?
O barquinho
A mamãe pegou uma folha de papel branco e mostrou ao Léo como se dobra.
Primeiro, dobrou a folha ao meio. Depois, fez um chapéu de papel, dobrou as pontas para cima e abriu no meio.
O Léo olhava, de olhos arregalados.
— Pronto! — disse a mamãe.
Era um barquinho branco, com duas pontinhas, pequeno e perfeito.
— Que lindo! — disse o Léo, pegando-o nas mãos. — Posso colocar na rua?
— Pode. Mas com o guarda-chuva.
Na rua
O Léo calçou as galochas amarelas, pegou o guarda-chuva e saiu, de mãos dadas com a mamãe. A chuva tinha diminuído, e só caíam algumas gotinhas.
Na calçada, a água corria devagar, formando um riachinho.
O Léo se abaixou e colocou o barquinho com muito cuidado na água.
O barquinho balançou, balançou, e começou a se mexer, levado pela correnteza.
— Vai, barquinho! — disse o Léo. — Vai navegar!
Ele foi andando ao lado, acompanhando. O barquinho passou por uma folha, por uma pedrinha, por uma poça. Rodou de leve, e seguiu em frente, sempre firme.
O fim do passeio
Na esquina, o riachinho entrava num bueiro, e o barquinho de papel, claro, não podia seguir. O Léo o pegou na mão, todo molhadinho, e olhou para ele.
— Obrigado por ter navegado, barquinho.
A mamãe sorriu e os dois voltaram para casa. Ele colocou o barquinho para secar, em cima da mesa da cozinha, ao lado do guarda-chuva.
Depois, tomou um banho quentinho, jantou sopa de legumes e foi para a cama.
Na cama
O Léo deitou na caminha, sob o cobertor macio, com o ursinho ao lado. A chuva fazia um barulhinho gostoso na janela. Plim, plim, plim.
A mamãe deu um beijo na testa dele.
— Boa noite, meu amor.
— Boa noite, mamãe.
Ela apagou a luz grande e deixou só o abajur pequeno, com a luz fraquinha, cor de mel.
O Léo olhou para o teto e começou a pensar no barquinho.
A imaginação
Ele fechou os olhos e imaginou que o barquinho de papel crescia, crescia, até ficar do tamanho de um barco de verdade, grande e branco.
E ele estava dentro, sentadinho, num colchão macio de algodão.
O barco deslizava, devagar, por um rio prateado, que brilhava sob a luz da lua. As margens eram feitas de nuvens, macias como travesseiros. As estrelas, bem pertinho, piscavam, uma por uma.
Plim, plim, plim, fazia a chuva, lá fora, como se cantasse para o barco.
O rio
O barco balançava, bem de leve, de um lado para o outro. Era uma sensação gostosa, como a de uma rede.
O Léo respirou fundo. O ar tinha cheiro de chuva fresca e de lençol limpo.
— Para onde vamos? — perguntou ele, de olhos fechados.
— Para onde o rio levar — disse uma voz suave, que vinha da própria água.
Ele sorriu. Não precisava saber para onde ia. Só precisava deixar o barco levá-lo.
A calma
Os braços do Léo foram ficando pesados, e as pernas também. A cabeça afundou no travesseiro.
O barco continuou deslizando, mais devagar, mais devagar. A lua, lá em cima, sorria. As estrelas piscavam cada vez mais lentamente.
A chuva foi diminuindo. Plim... plim... plim...
Até que o barco parou, bem pertinho de uma margem de nuvens, e ficou ali, balançando de leve.
— Chegamos — sussurrou o rio.
Boa noite
Na caminha, o Léo suspirou, e um sorriso pequeno apareceu no rosto dele. Já estava dormindo.
Na cozinha, o barquinho de papel, ainda um pouco úmido, descansava em cima da mesa da cozinha, ao lado do guarda-chuva. Lá fora, a chuva tinha parado de vez, e as gotinhas escorriam devagar pelas folhas.
A casa inteira dormia, quietinha e quentinha.
Boa noite, pequeno leitor. Feche os olhos, respire devagar, e deixe o seu barquinho levar você para um sonho bom.
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