A Árvore que Segurava a Lua

No alto de uma colina, bem longe da cidade, vivia uma árvore muito antiga.
Era uma árvore grande e redonda, de tronco grosso e galhos que se abriam para o céu como braços. Tinha vivido tanto tempo que já nem lembrava a idade que tinha.
Todos os animais da colina conheciam a Árvore. Era o lugar mais sossegado do mundo.
A rotina da árvore
Toda manhã, a Árvore acordava com o sol e esticava as folhas para pegar luz. Os passarinhos chegavam cantando e faziam ninhos nos galhos.
Durante o dia, ela dava sombra para os coelhos, para as vacas e para quem passasse cansado.
Mas a parte favorita da Árvore era a noite.
Quando o sol ia embora, as folhas dela se acalmavam. E, bem devagar, uma bola prateada aparecia no céu, enorme e redonda.
A lua.
A lua cansada
A lua passava a noite inteira caminhando pelo céu, de um lado ao outro. Era um trabalho cansativo. Iluminava as casas, os rios, os campos, os telhados.
Quando chegava perto da colina, já estava bem cansada.
— Boa noite, Árvore — dizia a lua, com uma voz de sino.
— Boa noite, Lua — respondia a Árvore. — Está cansada?
— Muito. Hoje clareei muita coisa.
— Então descanse um pouquinho aqui.
E a Árvore abria os galhos, bem devagar, e a lua pousava entre eles.
Segurar a lua
Os galhos da Árvore se enroscavam em volta da lua com muito carinho, como quem segura um bebê.
A lua ficava ali, quietinha, brilhando suave. As folhas faziam um barulhinho de carinho: shhh, shhh.
— Que gostoso — dizia a lua. — Parece uma rede.
— Pode ficar à vontade — dizia a Árvore. — Eu seguro você.
A lua fechava os olhos de prata. Respirava devagar. A luz dela ia ficando mais suave, mais leve.
A menina
Naquela noite, uma menininha de pijama e chinelinhos subiu a colina de mãos dadas com o pai, com uma lanterna na mão.
Ela se chamava Nina, e não conseguia dormir.
— Vamos dar uma volta — tinha dito o pai. — Quem sabe o sono aparece pelo caminho.
Subiram a colina devagarinho, sem fazer barulho, e chegaram à árvore.
— Oi, Árvore — sussurrou.
A Árvore balançou as folhas, de leve, como se dissesse "oi".
O que ela viu
A Nina apagou a lanterna e sentou na grama, bem debaixo dos galhos, ao lado do pai. Olhou para cima.
E viu a lua, aninhada entre os galhos da Árvore, brilhando tão suave que parecia um sonho.
— Que linda — sussurrou. — Parece que a Árvore está segurando a lua.
— Está — respondeu uma vozinha pequena.
Era uma coruja, pousada num galho, de olhos enormes e redondos.
— A Árvore faz isso toda noite. A lua precisa descansar, e esse é o lugar favorito dela.
O barulhinho
Nina ficou ouvindo. O vento passava pelas folhas, fazendo shhh, shhh. Os grilos cantavam baixinho. Um vaga-lume piscava devagar, aqui e ali.
Tudo estava calmo. Tudo estava tranquilo.
— Que bom aqui — disse a Nina, bocejando.
— É sim — disse a coruja. — Quer descansar também?
Nina se deitou na grama, com as mãos atrás da cabeça, olhando para a lua entre os galhos.
Ela sentiu que a grama era macia, que o ar era fresquinho, e que a Árvore estava cuidando dela também.
A calma
A respiração da Nina foi ficando lenta, como a da lua. Os olhinhos foram ficando pesados, cada vez mais pesados.
Ela olhou mais uma vez para a lua.
— Boa noite, Lua — sussurrou.
E a lua, lá em cima, abriu um olhinho de prata e sorriu.
— Boa noite, Nina.
Nina sorriu também. E, de olhos fechados, dormiu bem ali, na grama, debaixo da árvore.
Boa noite
Algum tempo depois, o pai da Nina, que tinha ficado sentado ao lado dela, viu que a filha dormia, com um sorriso no rosto.
Ele a pegou no colo, com muito cuidado, e a levou para casa.
Atrás dele, a Árvore ficou segurando a lua, até o céu começar a clarear. Quando a manhã chegou, a lua foi embora, descansada, e a Árvore esticou as folhas para o sol.
Boa noite, pequeno leitor. Quando você olhar a lua à noite, lembre que alguém a está segurando, para ela descansar.
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