Greta e o Vestido de Ferro

Era uma vez, nos limites da Floresta dos Sussurros Escuros, uma pequena aldeia onde o sol parecia brilhar com menos força. Lá vivia Greta, uma jovem tecelã. Ela passava os dias e as noites na roca de fiar, tecendo lã áspera e linho cinzento. Embora tivesse mãos ágeis, Greta era profundamente amargurada. Ela detestava seus vestidos simples e invejava as filhas dos mercadores que passavam pela estrada em carruagens, vestindo sedas coloridas.
"Se eu tivesse um vestido brilhante", pensava Greta, "todos se curvariam a mim."
Uma noite, quando a lua estava oculta por nuvens grossas, Greta ouviu um canto estranho vindo das profundezas da floresta. Cega pelo desejo de mudar de vida, ela caminhou por entre os pinheiros tortuosos até encontrar uma clareira iluminada por um fogo azul. Sentado sobre uma rocha estava um homem velho e esguio, com olhos que brilhavam como moedas e dedos longos como pernas de aranha. Era o Senhor das Teias.
— Eu conheço o seu desejo, pequena tecelã — disse a criatura, com uma voz que soava como folhas secas sendo esmagadas. — Você quer tecer a própria beleza.
Ele estendeu a mão longa, revelando um fuso de madeira escura com um fio que brilhava como luz das estrelas líquida.
— Este é o Fio da Ilusão. Com ele, você poderá tecer os vestidos mais deslumbrantes que a humanidade já viu. Mas preste atenção ao aviso: este fio é leve como o ar enquanto o seu coração for humilde. Se você olhar para os outros com arrogância e se a vaidade a dominar completamente, a ilusão se quebrará, e a luz se tornará o seu fardo.
Greta, encantada pelo brilho, pegou o fuso sem hesitar, concordando com as condições antes mesmo de compreendê-las.
Na manhã seguinte, Greta trancou a porta de casa e começou a tecer. O fio deslizava pelo tear quase por conta própria. Ela fez um vestido de um azul tão profundo e brilhante que parecia o céu do crepúsculo. Quando ela o vestiu e saiu à rua, a aldeia parou. As pessoas murmuravam maravilhadas. Ninguém mais via a pobre tecelã; viam apenas uma figura majestosa.
Durante algum tempo, Greta manteve a cabeça baixa, agradecendo os elogios. Mas, conforme os dias passavam e ela tecia roupas cada vez mais magníficas, o veneno do orgulho começou a se infiltrar em seu coração. Ela parou de falar com seus antigos amigos, considerando-os indignos de sua companhia.
Então, chegou a notícia: o Príncipe do reino daria um grande baile de inverno para escolher sua noiva.
Greta correu para o seu tear. Durante três dias e três noites, ela usou o resto do Fio da Ilusão para criar sua obra máxima. O vestido era feito de ouro puro, com fios prateados que cintilavam como diamantes. Era uma visão impossível, de tirar o fôlego.
Na noite do baile, Greta vestiu a criação. Ela se colocou diante do seu grande espelho no quarto escuro. Ao ver seu reflexo perfeito e deslumbrante, ela levantou o queixo. Um sorriso frio e orgulhoso cruzou seus lábios.
— Olhem para mim — ela disse em voz alta para o quarto vazio, com o peito estufado de arrogância. — Eu sou mais bela que qualquer princesa. Eu sou melhor do que todos eles. Nasci para pisar naqueles que me ignoraram!
No instante em que as palavras deixaram sua boca, o brilho do vestido piscou.
A luz dourada começou a escurecer, transformando-se em um cinza opaco. Greta tentou dar um passo em direção à porta, mas suas pernas não se moveram. O tecido, antes leve como uma pluma, tornou-se rígido. O fio mágico, alimentado por sua vaidade absoluta, endureceu instantaneamente.
Em segundos, o deslumbrante vestido de ouro transformou-se em ferro fundido, sólido e incrivelmente pesado. Greta caiu de joelhos no chão de madeira com um baque surdo, presa dentro de uma gaiola de metal que tinha o formato exato de um vestido de baile.
Ela estava imobilizada. O ferro era tão pesado que ela mal conseguia respirar. Lá fora, ela ouviu as carruagens partindo para o castelo. Greta chorou, tentou gritar, tentou rasgar o metal com as unhas, mas de nada adiantou. O Senhor das Teias não havia mentido.
Por três longos dias, Greta permaneceu presa em sua estátua de ferro. A fome e o frio eram terríveis, mas a pior parte foi ficar de frente para o espelho, vendo não a beleza que ela tanto desejava, mas o monstro de orgulho em que havia se transformado.
No terceiro dia, as lágrimas de raiva deram lugar às lágrimas de arrependimento. Ela chorou por sua antiga vida, simples, mas livre. Chorou por ter desprezado seus vizinhos. Uma única lágrima quente, nascida de um remorso verdadeiro e profundo, escorreu por seu rosto e caiu sobre o peitoral de ferro.
Onde a lágrima tocou, o ferro sibilou. A ferrugem se espalhou rapidamente pelo vestido, como uma teia de aranha. O metal antes indestrutível começou a rachar e desmoronar, transformando-se em pó escuro no chão.
Greta rastejou para fora dos destroços, vestindo apenas a sua velha camisola de lã áspera. Ela estava suja, exausta e assustada, mas nunca havia se sentido tão leve em toda a sua vida.
A partir daquele dia, Greta varreu o pó de ferro para fora de sua casa. Ela voltou a tecer lã cinzenta e linho grosso para o povo da aldeia. Seus vestidos nunca mais brilharam como estrelas, mas o seu sorriso, agora humilde e gentil, passou a iluminar a sala de uma forma que feitiço nenhum poderia imitar.
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