A Princesa e a Ervilha

3 min de leituraHistorinha para dormir
A Princesa e a Ervilha
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Era uma vez um príncipe que queria se casar com uma princesa.

Mas não podia ser uma princesa qualquer. Tinha que ser uma princesa de verdade.

Ele viajou pelo mundo inteiro, procurando.

Encontrou muitas princesas. Mas, em todas, sempre havia alguma coisa que o fazia ficar na dúvida.

Será que aquela era mesmo uma princesa de verdade?

E o príncipe voltou para casa, triste.

A tempestade

Uma noite, enquanto o príncipe e a família estavam no castelo, uma tempestade enorme caiu.

Raios, trovões, chuva forte, vento batendo nas janelas.

De repente, alguém bateu à porta do castelo.

Toc, toc, toc.

O velho rei, que estava mais perto, foi abrir.

Do lado de fora, parada na chuva, estava uma moça.

A moça

A moça estava encharcada.

A água escorria pelo cabelo dela, pela roupa, pelos sapatos.

— Boa noite — disse ela. — Eu sou uma princesa de verdade.

O rei ficou olhando.

— Entre, entre, minha filha, antes que você pegue um resfriado.

A moça entrou, tremendo, e a rainha foi cuidar dela.

A rainha olhou para a moça, de cima a baixo, pensando: será que é mesmo uma princesa?

O plano da rainha

Enquanto a moça tomava um chá quente, a rainha foi até o quarto de hóspedes, sem fazer barulho.

Tirou toda a roupa de cama.

No fundo da cama, colocou uma única ervilha.

Era pequena, redonda e verde.

Depois, empilhou vinte colchões, um em cima do outro, bem macios.

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E, em cima dos colchões, mais vinte edredons, fofos como nuvens.

A cama ficou tão alta que a moça precisaria de uma escada para subir.

A noite

À noite, a moça subiu na escada, e se deitou na cama, no alto.

A rainha desejou boa noite e saiu.

A moça ficou ali, com as luzes baixas, a chuva batendo na janela.

Fechou os olhos.

Mas ficou se mexendo.

Virou de um lado. Virou de outro. Ajeitou a almofada. Ajeitou o cobertor.

Tinha alguma coisa errada.

Ela não conseguia ficar confortável.

A manhã

De manhã, a rainha foi até o quarto.

— Como a senhora dormiu? — perguntou.

A moça estava de olhos vermelhos, ainda cansada.

— Muito mal. Passei a noite quase toda sem dormir. Havia uma coisa dura debaixo de mim. Fiquei com manchas roxas nas costas.

A rainha sorriu.

Ela sabia que só uma princesa de verdade seria tão delicada a ponto de sentir uma ervilha por baixo de vinte colchões e vinte edredons.

— Você é mesmo uma princesa — disse a rainha.

O casamento

O príncipe ficou muito contente.

Finalmente tinha encontrado uma princesa de verdade.

Os dois se casaram, e a festa foi grande.

E a ervilha?

Dizem que ela foi parar num museu, onde está até hoje, a não ser que alguém a tenha roubado.

De onde vem

Esta história foi escrita pelo dinamarquês Hans Christian Andersen e publicada em 1835. É um dos contos mais curtos dele, e, em geral, é lido com um sorriso: o que parece um teste de princesa é, na verdade, uma brincadeira sobre como algumas pessoas se acham muito importantes.

O conto original de Andersen é bem curto. Aqui, os diálogos e a cena da chuva foram ampliados, mas o enredo, os vinte colchões e a ervilha no museu são do original.

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