Zaqueu, o Homem Baixinho que Subiu na Árvore

5 min de leituraHistorinha para dormir
Zaqueu, o Homem Baixinho que Subiu na Árvore
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Na cidade de Jericó, cheia de palmeiras e de casas de pedra clara, morava um homem chamado Zaqueu.

Zaqueu era rico. Muito rico. Tinha a casa mais bonita da rua, roupas de tecido fino e comia nas melhores mesas.

Mas Zaqueu tinha dois problemas.

O primeiro era que ele era baixinho. Tão baixinho que, no meio de um grupo de pessoas, ninguém conseguia encontrar ele. E ele não conseguia ver nada além das costas dos outros.

O segundo problema era maior: ninguém gostava de Zaqueu.

Por que ninguém gostava dele

Zaqueu era o chefe dos cobradores de impostos da cidade. O trabalho dele era recolher dinheiro das pessoas para o governo de Roma, que mandava naquela terra.

Só que Zaqueu cobrava mais do que devia. E o que sobrava, ele guardava para ele mesmo. Foi assim que ficou rico.

Todo mundo sabia disso. Por isso, quando Zaqueu passava na rua, as pessoas viravam a cara. As crianças eram chamadas para dentro de casa. Ninguém convidava Zaqueu para jantar. Ninguém sentava do lado dele.

Uma dessas pessoas era um homem chamado Eliel, que vendia tâmaras no mercado. No mês anterior, Zaqueu tinha cobrado dele o dobro do que devia. E Eliel não teve como reclamar.

Zaqueu tinha a casa mais bonita da rua. Mas era uma casa muito silenciosa.

A notícia

Um dia, a cidade inteira acordou agitada.

— Jesus está chegando! Jesus vai passar por Jericó!

Todo mundo já tinha ouvido falar de Jesus. Contavam que ele curava os doentes, que abraçava as crianças, que falava de Deus de um jeito que fazia o coração da gente ficar quentinho.

As pessoas saíram de casa e se amontoaram dos dois lados da rua principal.

Zaqueu também saiu. Ele queria muito ver quem era aquele homem de quem tanta gente falava.

Mas, quando chegou na rua, só viu costas. Costas, ombros, cabeças e mais costas.

Ele ficou na ponta dos pés. Não adiantou. Tentou passar pelo meio das pessoas. Ninguém abriu espaço, porque ninguém queria ajudar Zaqueu. Pulou. Pulou de novo. Nada.

Do lado dele, Eliel, o vendedor de tâmaras, tinha colocado o filho pequeno sentado nos ombros. O menino via tudo lá de cima. Zaqueu olhou para o menino e teve uma ideia.

A árvore

Zaqueu saiu correndo na frente da multidão, pela rua, até o lugar por onde Jesus ia passar.

Lá tinha uma árvore grande, chamada sicômoro. Uma árvore de tronco grosso, com galhos baixos e fortes, que se espalhavam para os lados, cheios de folhas.

Um homem rico, de roupa fina, subindo em árvore? Que vergonha! O que as pessoas iam dizer?

Mas Zaqueu queria tanto ver Jesus que nem ligou.

Ele segurou no galho mais baixo, apoiou o pé no tronco, puxou o corpo para cima e subiu. Rasgou um pedacinho da roupa. Arranhou o joelho. Mas chegou lá em cima e sentou num galho, escondido entre as folhas.

E dali ele via tudo.

Jesus olhou para cima

A multidão foi chegando, andando junto com Jesus. As pessoas falavam, apontavam, se empurravam para chegar mais perto.

Jesus veio caminhando pela rua. Passou pelo meio das pessoas. E, quando chegou bem debaixo do sicômoro, parou.

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Parou e olhou para cima.

Olhou direto para o galho onde Zaqueu estava escondido entre as folhas.

E disse:

— Zaqueu, desce depressa. Hoje eu preciso ficar na sua casa.

Zaqueu quase caiu da árvore.

Jesus sabia o nome dele. No meio de toda aquela gente, Jesus tinha visto justo ele, o homem baixinho que ninguém via. O homem de quem ninguém gostava.

Zaqueu desceu tão rápido que escorregou no último galho. E, com o joelho arranhado e a roupa rasgada, levou Jesus para casa, sorrindo como não sorria havia muito tempo.

A multidão resmungou

Mas as pessoas da rua não gostaram nada daquilo.

— Logo na casa dele? — resmungavam. — Jesus vai ser hóspede de um homem que rouba o dinheiro dos outros?

Eliel, com o filho ainda nos ombros, balançou a cabeça e não disse nada. Mas ficou olhando para a porta da casa de Zaqueu.

O que Zaqueu fez

Lá dentro, Zaqueu arrumou a mesa com o que tinha de melhor. Mas não conseguia parar quieto.

Estar perto de Jesus fazia ele pensar em tudo. Nas pessoas que tinham virado a cara para ele. Nas moedas que ele tinha guardado sem ter direito. No rosto do Eliel, no mercado.

Então Zaqueu se levantou, na frente de todo mundo, e disse:

— Senhor, eu vou dar metade de tudo o que eu tenho para os pobres. E, se eu cobrei a mais de alguém, vou devolver quatro vezes o que cobrei.

Jesus ficou muito feliz. E disse a Zaqueu:

— Hoje a salvação entrou nesta casa. Porque eu vim procurar e salvar quem estava perdido.

Zaqueu entendeu. Ele tinha subido na árvore porque queria ver Jesus. Mas quem estava procurando, o tempo todo, era Jesus. Procurando por ele.

A banca de tâmaras

Zaqueu cumpriu o que prometeu. Na manhã seguinte, bem cedo, o primeiro lugar que ele procurou foi o mercado.

Parou na frente da banca de tâmaras. Eliel olhou para ele, desconfiado.

Zaqueu abriu uma bolsinha de couro e colocou em cima da banca quatro vezes o dinheiro que tinha cobrado a mais.

— Me desculpe — disse Zaqueu.

Eliel ficou muito tempo olhando para as moedas. Depois olhou para Zaqueu. E, pela primeira vez em muitos anos, alguém em Jericó sorriu para Zaqueu.

O filho de Eliel ofereceu a ele uma tâmara.

Para pensar antes de dormir

Hoje à noite, quando você fechar os olhos, lembre-se disto: ninguém é pequeno demais para ser visto por Deus. E nunca é tarde demais para consertar o que a gente fez de errado.

A história de Zaqueu está na Bíblia, no Evangelho de Lucas, capítulo 19, versículos 1 a 10. O vendedor de tâmaras Eliel e o filho dele foram imaginados para esta versão, para ajudar as crianças a entender o que Zaqueu consertou.

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