O Sonho de Jacó e a Escada do Céu

Há muito, muito tempo, vivia um homem chamado Jacó.
Ele era jovem, tinha a pele queimada de sol e um cajado na mão. Morava com a família numa terra chamada Canaã, de pastos largos e colinas douradas.
Um dia, Jacó precisou viajar. Era uma viagem longa, para a casa de um tio, num lugar bem distante. Tinha que andar muitos dias, atravessando campos e estradas de terra.
E ele ia sozinho.
Na estrada
Os primeiros dias passaram depressa. Jacó caminhava de manhã até o sol ficar forte, descansava um pouco debaixo de uma árvore, e voltava a andar até o entardecer.
Mas, conforme os dias passavam, o caminho ficava mais comprido, e as saudades de casa, maiores.
Ele pensava na mamãe, no papai, na mesa da cozinha, nos cheiros do pão.
— Será que vou chegar bem? — perguntava a si mesmo. — Será que alguém vai cuidar de mim?
O vento soprava, e ninguém respondia.
A noite chega
Num fim de tarde, o sol foi se escondendo atrás das colinas, e o céu ficou cor de laranja, depois roxo, depois azul-escuro.
Jacó chegou a um lugar deserto, sem casa, sem árvore, só com pedras espalhadas pelo chão.
— Aqui vou parar — disse. — Já não aguento mais andar.
Ele olhou em volta. Não havia cama, nem travesseiro, nem cobertor. Só a terra dura e as pedras.
Pegou uma pedra redonda, do tamanho da cabeça dele, e a colocou no chão.
— Que seja o meu travesseiro.
Deitou ali, enrolou-se no manto e olhou para o céu.
As estrelas
O céu estava cheio de estrelas. Milhares delas, brilhando como diamantes em veludo escuro. Eram tantas que Jacó nem conseguia contar.
Ele ficou olhando, e sentiu que era muito pequeno, no meio de um mundo muito grande.
— Será que Deus está lá em cima? — pensou. — Será que Ele sabe que estou aqui?
O vento passou, de leve, e o silêncio da noite o envolveu. Jacó fechou os olhos, e, aos poucos, o cansaço o venceu.
E dormiu.
O sonho
Enquanto dormia, Jacó teve um sonho.
No sonho, via uma escada enorme, apoiada na terra, bem pertinho dele, e que subia, subia, até o céu. Era feita de luz, e brilhava em dourado.
Na escada, havia anjos. Eles subiam, devagarinho, e desciam, devagarinho, cheios de luz e de paz.
Lá em cima, no alto da escada, Jacó viu Deus.
E Deus falou com ele, numa voz calma e forte.
— Jacó, eu estou com você. Vou cuidar de você aonde quer que você vá, e vou trazer você de volta para casa. Eu nunca vou abandonar você.
Acordar
Jacó abriu os olhos, e já era de manhã. O sol nascia, cor-de-rosa e dourado, sobre as colinas.
Ele se sentou, olhou para a pedra, olhou para o céu e respirou fundo.
— Deus esteve aqui — disse, baixinho — e eu não sabia.
Levantou-se e sentiu um sossego enorme no coração. A saudade ainda estava lá, mas o medo tinha sumido.
Ele pegou a pedra que tinha usado de travesseiro, ergueu-a e fincou-a na terra, como um sinal.
— Este lugar vai se chamar Betel — disse ele. — Que quer dizer: casa de Deus.
O caminho
Jacó pegou o cajado e continuou a viagem.
Os dias passaram, e ele andou muito. Passou por montes, vales, rios. Algumas vezes, sentiu cansaço. Outras, sentiu medo.
Mas, sempre que a saudade apertava, lembrava do sonho. Lembrava da escada de luz, dos anjos que subiam e desciam, e da voz de Deus.
— Eu não estou sozinho — dizia. — Alguém cuida de mim.
E, com essa certeza, a estrada ficava mais leve.
Boa noite
Muitas noites depois, quando chegou ao seu destino, Jacó ainda se lembrava daquela noite no deserto. Contava a história para quem quisesse ouvir.
E, quando alguma criança tinha medo do escuro, ele sentava ao lado dela e dizia:
— Olhe para o céu. As estrelas estão lá, e Deus também, tomando conta de você.
Boa noite, pequeno leitor. Mesmo quando você se sente longe de casa, há alguém que cuida de você, e que está sempre perto.
(Esta história é uma adaptação, com detalhes imaginados, de um relato do livro de Gênesis, capítulo 28.)
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