Rebeca e a Água para os Camelos

4 min de leituraHistorinha para dormir
Rebeca e a Água para os Camelos
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Há muito, muito tempo, numa terra de campos secos e colinas douradas, um homem fazia uma longa viagem pelo deserto.

Ele era um servo de Abraão, e tinha sido enviado numa missão importante: procurar uma esposa boa e gentil para Isaque, o filho de Abraão. Levava dez camelos carregados de presentes, e andava muitos dias, atravessando areia e pedras.

Já era fim de tarde quando chegou perto de uma cidade, onde havia um poço.

O poço

Era um poço grande, de pedras claras, rodeado de capim. Ali, ao entardecer, as moças da cidade vinham buscar água para as casas.

O servo fez os camelos se ajoelharem, descansando as pernas. Eles estavam cansados e com a boca seca.

O homem olhou para o céu e fez uma oração, baixinho.

— Senhor, Deus de Abraão, preciso da sua ajuda. Vou pedir um pouco de água a uma moça. Se ela me der, e disser que também dará aos meus camelos, saberei que é a pessoa certa.

Ficou esperando, de olhos atentos.

Rebeca

Pouco depois, uma moça veio caminhando, com uma jarra de barro no ombro. Era bonita, e tinha um jeito calmo e simpático. Seu nome era Rebeca.

Ela desceu até o poço, encheu a jarra e subiu de novo.

O servo correu ao encontro dela.

— Por favor — disse —, me dê um golinho de água da sua jarra.

— Beba, meu senhor — disse Rebeca, sorrindo.

Ela baixou a jarra e a segurou, com cuidado, para que ele bebesse. O homem bebeu, agradecido.

Os camelos

Quando ele terminou, Rebeca disse uma coisa que ninguém tinha pedido.

— Vou tirar água também para os seus camelos, até que eles bebam o bastante.

O servo arregalou os olhos. Eram dez camelos, grandes e sedentos. Dar água a todos levaria muito tempo e muito esforço.

Mas Rebeca esvaziou a jarra no cocho e correu de novo até o poço. Tirou mais água, e voltou. E de novo. E mais uma vez.

Ela foi e voltou, e foi e voltou, enchendo a jarra e despejando no cocho, até todos os camelos matarem a sede.

O silêncio do servo

O servo ficou olhando em silêncio. Ele não falava nada, só observava, com uma admiração cada vez maior.

— Será que Deus ouviu a minha oração? — pensava.

A tarde foi escurecendo, e o céu ficou cor-de-rosa e dourado. Os camelos, satisfeitos, deitaram-se na grama, soltando bufadas contentes.

Quando Rebeca terminou, o servo se aproximou.

— Obrigado, minha jovem — disse, emocionado. — Você deu água a mim e aos meus camelos, sem eu pedir. Quem é a sua família? Será que tem um lugar para eu ficar esta noite?

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— Meu pai se chama Betuel — respondeu Rebeca. — Temos palha e comida para os camelos, e um lugar para você dormir.

A gratidão

O servo se ajoelhou na hora e agradeceu a Deus.

— Obrigado, Senhor! Você me guiou até aqui.

Rebeca correu para casa, para contar à família sobre o viajante. O irmão dela, Labão, foi até o poço, e viu o homem, e os camelos, e os presentes.

— Venha, homem abençoado — disse ele. — Por que está parado aí fora? Preparei a casa e um lugar para os camelos.

A casa de Rebeca

Na casa de Rebeca, o servo foi recebido com muita alegria. Os camelos receberam palha e capim. Trouxeram água para ele e para os companheiros lavarem os pés cansados, e uma mesa farta foi posta.

Mas o homem, antes de comer, disse:

— Só vou comer depois de contar por que estou aqui.

Então, contou tudo: sobre o patrão, Abraão, sobre Isaque, sobre a viagem longa, sobre a oração no poço, e sobre a moça gentil que deu água a ele e aos camelos.

A família ouviu em silêncio, comovida.

A resposta

Quando ele terminou, a família de Rebeca se olhou. Eles sentiram que aquilo era um sinal muito especial.

— Isto vem de Deus — disseram. — Não temos o que dizer. Rebeca está aí. Leve-a, para ser esposa do filho do seu patrão.

O servo se curvou e agradeceu, emocionado.

— E você, Rebeca? — perguntaram. — Quer ir com este homem?

Rebeca pensou um instante. Ela estava deixando a casa, a família, os amigos. Mas sentiu uma paz tranquila no coração.

— Quero ir — respondeu.

A viagem

Na manhã seguinte, Rebeca montou num camelo, acompanhada de suas servas, e partiu com o servo, de volta à terra de Abraão.

A viagem foi longa. Mas ela olhava para o céu, e para as colinas, e para as estrelas à noite, e sentia que a bondade que tinha feito no poço tinha aberto um caminho bonito.

Boa noite

Muitos dias depois, no fim da tarde, Rebeca viu, de longe, um homem caminhando pelo campo, sozinho, pensativo. Era Isaque.

Ele ergueu os olhos e viu os camelos chegando. Rebeca desceu do camelo, e os dois se encontraram, cheios de alegria.

Naquela noite, a terra de Abraão ficou muito feliz.

E Rebeca, que tinha dado água a um viajante e a dez camelos sem que ninguém pedisse, dormiu tranquila, pensando que uma bondade generosa pode mudar uma vida inteira.

Boa noite, pequeno leitor. Quando você faz um gesto de bondade, ele pode abrir um caminho lindo.

(Esta história é uma adaptação, com detalhes imaginados, de um relato do livro de Gênesis, capítulo 24.)

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