O Relógio que Fazia Tique-Taque Devagar

3 min de leituraHistorinha para dormir
O Relógio que Fazia Tique-Taque Devagar
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Era noite, e a casa estava toda quietinha.

A Lia já tinha escovado os dentes, tinha vestido o pijama azul de estrelinhas, e já tinha ouvido uma historinha. Mas o sono não vinha.

Ela rolou para a direita. Rolou para a esquerda. Virou o travesseiro para o lado frio. Abraçou o ursinho.

Nada. Os olhos continuavam abertos.

O barulho da sala

No silêncio, a Lia começou a ouvir um barulhinho que vinha da sala.

Tique. Taque. Tique. Taque.

Era o relógio grande da vovó, de madeira escura, que ficava na parede perto da estante. Todo dia ele fazia aquele som, mas, de dia, ninguém prestava atenção.

Agora, no escuro, o som parecia mais forte.

Tique. Taque. Tique. Taque.

— Será que ele nunca dorme? — pensou a Lia.

Uma pergunta

Ela se sentou na cama, com o ursinho no colo.

— Relógio — disse baixinho —, você está acordado?

Ficou esperando. Claro que o relógio não respondeu. Mas o tique-taque continuou, firme e calmo.

— Eu não consigo dormir — contou ela, sussurrando. — Acho que estou com a cabeça muito rápida.

Foi então que a Lia teve uma ideia. Fechou os olhos e fez um pedido, bem de leve.

— Relógio, se você fizer o tique-taque mais devagarzinho, talvez eu consiga fazer minha cabeça ir mais devagar também.

Mais devagar

Ela ficou escutando.

Tique... taque... tique... taque...

Era como se o relógio tivesse ouvido. Ou será que era só a imaginação dela? A Lia não sabia. Mas o som estava mais lento, mais mansinho, e ela gostou.

Tique... taque...

Ela respirou fundo, no mesmo ritmo.

Puxou o ar contando até quatro: um, dois, três, quatro.

Soltou o ar bem devagarinho: um, dois, três, quatro.

Tique... taque...

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Os ombros

Reparou que os ombros estavam um pouco levantados, como quem está esperando alguma coisa. Deixou-os cair, bem soltinhos, no colchão.

Os braços ficaram pesados, os dedinhos relaxaram.

Tique... taque...

As pernas, que estavam mexendo para lá e para cá, foram parando, uma de cada vez. A perna direita ficou mole. A perna esquerda ficou mole também.

A barriguinha subia e descia, tranquila, no ritmo do relógio.

Tique... taque...

Pensamentos que passam

Um pensamento apareceu na cabeça da Lia: o que ela ia brincar amanhã.

Em vez de ficar pensando nele, ela imaginou que o pensamento era uma nuvenzinha, passando devagar pelo céu.

Veio outro: a figurinha que faltava no álbum. Outra nuvenzinha, mais uma, passando.

Os pensamentos foram indo embora, um depois do outro, sem pressa.

Tique... taque...

O tempo mansinho

A Lia imaginou que a noite era uma estrada comprida e macia, e que o relógio ia andando por ela, a passos tão pequenos que o tempo quase parava.

Não havia nada para fazer. Nada para correr. Nada para resolver.

Só ficar ali, quentinha, debaixo do cobertor, com o ursinho ao lado e o tique-taque cantando baixinho.

Tique...

Os olhos foram ficando pesados.

Taque...

As pálpebras foram descendo, descendo.

Tique...

Boa noite

A Lia deu um suspiro bem comprido e sorriu, de olhos fechados.

Na sala, o relógio da vovó continuou a contar a noite, calmo e fiel, como fazia todos os dias.

A lua entrou pela janela e deixou uma faixa de luz bem fininha no chão. A casa inteira dormia: o papai, a mamãe, o gato no sofá, e a Lia, de pijama de estrelinhas.

Tique... taque...

Boa noite, pequeno leitor. Respire devagar, solte os ombros e ouça o relógio da sua casa. Ele cuida da noite enquanto você dorme.

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