Milo, a Toupeira que Sonhava com as Estrelas

4 min de leituraHistorinha para dormir
Milo, a Toupeira que Sonhava com as Estrelas
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Muito, muito abaixo da grama verde do prado, existia a Cidade das Raízes. Era um labirinto escuro, aconchegante e cheirava a terra molhada. Lá viviam as toupeiras, os maiores escavadores do mundo. Para uma toupeira, o sucesso era medido pela profundidade do seu túnel.

— Lembre-se, Milo — dizia o Vovô Escavadeira, ajustando seus óculos grossos. — O perigo está lá em cima. A segurança e as minhocas mais suculentas estão lá embaixo. Uma boa toupeira só cava para baixo!

Milo, um filhote de focinho rosado e patinhas fortes, balançava a cabeça, mas seu coração não estava na escuridão. Ele adorava conversar com as minhocas viajantes que vinham de perto da superfície. Elas falavam sobre o vento que cantava, sobre o calor de algo chamado "sol" e, o mais intrigante de tudo, sobre as "estrelas": milhões de pedrinhas de luz que flutuavam no teto do mundo durante a noite.

Milo sonhava com as estrelas. Ele passava horas desenhando pontinhos brilhantes nas paredes de terra da sua toca. Mas sempre que falava sobre o céu, as outras toupeiras riam. "Céu? Isso é invenção de minhoca maluca!", diziam.

Um dia, enquanto cavava no Túnel 42, Milo ouviu um choro fraquinho. Ele seguiu o som e encontrou uma criaturinha estranha caída no meio da terra. Era Lumi, um filhote de vaga-lume que havia sido sugado por um buraco de tatu e acabou se perdendo na Cidade das Raízes.

Lumi estava muito fraco. Sua luz, que deveria ser um verde neon vibrante, estava piscando fraquinha, quase apagando.

— Eu preciso do ar fresco... eu preciso ver o céu, senão minha luz vai sumir para sempre — choramingou o vaga-lume.

Milo olhou para o pequeno amigo e depois para o teto de terra escura. Ele sabia que a superfície ficava muito, muito longe. Ele nunca tinha cavado para cima. Era contra todas as regras. Era assustador.

Mas Lumi precisava dele.

— Segure-se nas minhas costas, Lumi! — disse Milo, com uma determinação que ele nem sabia que tinha. — Nós vamos encontrar o céu!

Milo cravou suas garras no teto do túnel e começou a cavar para cima. Era muito mais difícil do que cavar para baixo. A terra caía em seus olhos, a gravidade puxava seu corpo pesado e suas patinhas doíam. O Vovô Escavadeira tinha razão: era exaustivo.

Raspa, puxa, empurra. Milo continuou. Ele passou por pedras duras que o obrigaram a desviar o caminho. Ele passou pelas raízes do Grande Carvalho, que pareciam um labirinto de madeira. Toda vez que pensava em desistir, sentia a luzinha quente e fraca de Lumi em suas costas e cavava com mais força.

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— Estamos quase lá, Lumi! Agarre-se firme! — encorajava Milo, embora ele mesmo não tivesse certeza.

Depois de horas de muito esforço, as garras de Milo bateram em algo macio e úmido. Não era terra. Era grama.

Com um último e poderoso empurrão, Milo rompeu a superfície.

POP!

A cabeça da pequena toupeira emergiu da terra. Milo apertou os olhos e, quando os abriu, perdeu o fôlego. Não havia teto de terra. Havia uma imensidão azul-escura e infinita, salpicada por milhares e milhares de pontinhos brilhantes que piscavam como diamantes. O vento soprou suavemente, trazendo o cheiro doce das flores da noite.

Era o céu. Eram as estrelas. Era mil vezes mais bonito do que as minhocas haviam descrito.

Ao sentir o ar puro e a luz das estrelas, a luz de Lumi acendeu imediatamente, forte e vibrante. Ele voou das costas de Milo, dançando alegremente no ar. Em poucos segundos, dezenas de outros vaga-lumes desceram das árvores para receber o filhote perdido.

Lumi voou até o focinho de Milo e piscou sua luz em formato de coração.
— Obrigado, Milo. Você salvou minha luz. Você é a toupeira mais corajosa do mundo.

Milo sorriu, sentindo as lágrimas molharem seu focinho sujo de terra. Ele olhou para o céu estrelado por um longo tempo, gravando cada ponto de luz em seu coração.

Quando Milo voltou para a Cidade das Raízes, o Vovô Escavadeira estava furioso, pronto para dar uma bronca daquelas. Mas Milo não abaixou a cabeça. Ele sorriu e entregou ao avô um pequeno presente que Lumi havia lhe dado: uma pedrinha de quartzo que brilhava com a magia do vaga-lume.

— Eu fui para cima, Vovô — disse Milo, orgulhoso. — E descobri que o mundo é grande demais para a gente olhar só para baixo.

A partir daquele dia, Milo se tornou o Guia Oficial da Superfície. E, de vez em quando, em noites de lua cheia, era possível ver uma família inteira de toupeiras com óculos grossos, sentada na grama, maravilhada, apenas olhando para o céu.

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