Maia, a Dinossaura que Cuidava do Ninho

Há muito, muito tempo, numa planície larga onde hoje fica o estado de Montana, nos Estados Unidos, existia um lugar muito barulhento.
Era uma colônia de ninhos.
Centenas deles, espalhados pelo chão até onde a vista alcançava, cada um cavado na terra e forrado de folhas, todos mais ou menos do tamanho de uma banheira, e todos separados uns dos outros pela mesma distância: o tamanho de um dinossauro adulto deitado.
Porque era exatamente esse o vizinho de cada ninho.
Maia
Num desses ninhos vivia a Maia.
Ela era uma maiassaura: um dinossauro grande e pacífico, de bico largo parecido com o de um pato, que comia folha, samambaia e broto de conífera, e andava em bando com centenas de outros. Adulta, a Maia tinha quase nove metros, da ponta do bico à ponta do rabo.
No ninho dela tinha trinta ovos, do tamanho de uma laranja grande, arrumados em círculo e cobertos com folhas e terra, que iam esquentando enquanto apodreciam devagar — uma chocadeira feita de mato.
A Maia era pesada demais para sentar em cima dos ovos. Se sentasse, quebrava tudo.
Então ela fazia outra coisa: ficava.
Ficava ao lado, dia e noite, cuidando das folhas, espantando bicho curioso, afastando os lagartos ladrões de ovo.
Os filhotes que não andavam
Numa manhã, as cascas começaram a estalar.
Saíram dali uns filhotinhos pequenos, do tamanho de um gato, com a cabeça grande, o olho enorme e o bico curtinho.
E com um problema.
As perninhas deles ainda não estavam prontas. Os ossos das pernas eram frágeis, meio moles, e as articulações não aguentavam o peso. Aqueles filhotes não conseguiam sair andando por aí, como fazem os filhotes de muitos outros bichos.
Eles ficavam no ninho. Só sabiam fazer três coisas: esticar o pescoço, abrir o bico e pedir comida.
E pediam o tempo todo.
O trabalho da Maia
Foi aí que começou o serviço de verdade.
A Maia passou a sair para buscar comida e voltar com o bico cheio de folha macia, broto novo e samambaia tenra, que ela amassava um pouco antes de dar, para ficar mais fácil de engolir.
Ia e voltava. Ia e voltava.
Quase trinta bocas abertas, o dia inteiro, gritando.
Os ninhos vizinhos faziam a mesma coisa. A colônia inteira era um vaivém de dinossauros adultos indo buscar folha e voltando, e um barulho sem fim de filhote pedindo comida.
À noite, a Maia se deitava do lado do ninho, entre os filhotes e o escuro.
O filhote teimoso
Um dos filhotes da Maia era mais inquieto que os outros.
Ele vivia tentando subir na beirada do ninho para ver o mundo lá fora. Esticava o pescoço, apoiava as perninhas bambas na terra e escorregava de volta, toda vez.
A Maia empurrava o filhote de volta para o meio do ninho com o focinho, de leve.
Uma tarde, ele conseguiu. Passou a beirada e caiu do lado de fora, na terra.
E aí ficou lá, com as perninhas abertas, sem conseguir levantar, longe do ninho e de todos os irmãos.
Um dinossauro pequeno e carnívoro que rondava a colônia viu aquilo e começou a se aproximar, rápido, correndo baixinho entre os ninhos.
A colônia inteira
A Maia viu.
E não foi só ela.
O dinossauro adulto do ninho vizinho viu. E o do outro ninho. E o de trás.
Quatro maiassauras enormes se viraram ao mesmo tempo para aquele lado, bateram os pés no chão e avançaram juntas, fazendo um barulho grave que a terra inteira sentiu.
O pequeno carnívoro parou, mudou de ideia na hora e sumiu no meio do mato.
A Maia pegou o filhote com o bico, com muito cuidado, e colocou de volta no ninho.
Ele ficou quietinho por um bom tempo.
Aprendendo a andar
As semanas foram passando.
As perninhas dos filhotes foram ficando fortes. Primeiro eles conseguiam ficar de pé um pouquinho. Depois dar um passo. Depois dois.
Quando finalmente saíram do ninho, já estavam bem maiores — e aí, sim, começaram a andar atrás da mãe por toda parte, aprendendo onde tinha folha boa, onde tinha água e o que fazer quando o bando inteiro resolvia atravessar a planície.
Porque maiassaura não vive sozinha. Vive em bando, com os filhotes no meio e os adultos em volta.
É mais seguro assim.
O nome dela
E tem uma parte dessa história que é de verdade, verdadinha.
Em 1978, num lugar de Montana que ficou conhecido como Montanha dos Ovos, os cientistas Jack Horner e Robert Makela acharam um campo cheio de ninhos de dinossauro, com ovos, cascas quebradas e ossos de filhotes ainda pequenos dentro deles.
Foi assim que os cientistas concluíram que aqueles filhotes ficavam no ninho depois de nascer, porque as pernas ainda não estavam prontas, e que os adultos levavam comida para eles.
Até então, muita gente achava que dinossauro botava o ovo e ia embora.
Por causa desses ninhos, deram ao dinossauro um nome novo, em grego: Maiasaura.
Quer dizer boa mãe lagarto.
E foi a primeira prova forte de que dinossauro cuidava dos filhotes mesmo depois que eles saíam do ovo.
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