A Menina que Sabia de um Profeta

4 min de leituraHistorinha para dormir
A Menina que Sabia de um Profeta
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Ela era pequena e morava longe de casa.

A Bíblia não conta o nome dela. Conta só que era uma menina de Israel, que tinha sido levada embora numa guerra e agora trabalhava numa casa muito rica, na Síria, servindo a esposa de um homem importante.

Esse homem se chamava Naamã.

O general

Naamã era o general do exército do rei da Síria.

Era corajoso, era respeitado, era rico. Quando ele passava na rua com a capa vermelha, todo mundo abria caminho.

Mas Naamã tinha uma doença na pele, e naquele tempo não existia remédio para ela.

Os médicos do rei tentaram tudo. Chá, pomada, banho quente, banho frio. Nada funcionava.

A doença ia piorando devagarinho, e Naamã, que não tinha medo de guerra nenhuma, tinha medo daquilo.

Na casa, todo mundo sabia. A esposa dele chorava escondido na cozinha.

O que a menina viu

A menina via tudo.

Via a patroa com os olhos vermelhos. Via o general voltando do palácio e passando direto, sem falar com ninguém. Via os panos que a doença deixava manchados.

E ela podia muito bem ter ficado calada.

Pensa bem: aqueles eram os homens do exército que a tinha levado embora da terra dela, longe do pai, longe da mãe, longe de tudo. Ela tinha todo motivo do mundo para não querer ajudar.

Mas um dia, vendo a patroa chorando, ela chegou perto e disse assim:

— Ah, se o meu senhor falasse com o profeta que mora em Samaria, lá na minha terra. O profeta curaria essa doença.

Foi só isso. Uma frase.

Ela nem sabia se alguém ia dar atenção para o que uma menina serva falava.

Deram atenção

Mas a patroa contou para Naamã.

E Naamã contou para o rei.

E o rei, que queria muito o general curado, mandou preparar uma viagem enorme: carros, cavalos, soldados e um monte de presentes — ouro, prata e roupas novas — para pagar a cura.

Tudo isso por causa da frase de uma menina.

O profeta que nem saiu de casa

Depois de muitos dias de viagem, aquela caravana toda parou na frente da casa de um homem chamado Eliseu, o profeta.

Era uma casa simples. Nada de palácio.

Naamã ficou esperando na porta, todo empertigado em cima do carro de guerra, imaginando o profeta saindo, fazendo uns gestos importantes e chamando o nome de Deus bem alto.

Só que Eliseu nem saiu.

Ele mandou um empregado até a porta com um recado:

— Vai até o rio Jordão e mergulha sete vezes. Aí a sua pele vai ficar boa.

Naamã ficou vermelho de raiva.

— Só isso? Nem veio falar comigo? E logo o Jordão, que é um rio barrento! Lá na minha terra tem rios muito mais bonitos!

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E mandou dar meia-volta em tudo.

Os empregados

Foi aí que aconteceu a segunda coisa pequena da história.

Um dos empregados de Naamã — mais um que ninguém achava importante — criou coragem, chegou perto do general furioso e disse:

— Meu senhor… se o profeta tivesse mandado o senhor fazer uma coisa bem difícil, o senhor faria, não faria? Então por que não fazer essa, que é tão fácil?

Naamã parou.

Ficou um tempo calado em cima do carro.

E depois desceu.

As sete vezes

Naamã tirou a armadura, tirou a capa vermelha, desceu a margem barrenta e entrou no rio Jordão.

Mergulhou uma vez. Olhou o braço. Nada.

Duas. Nada.

Três. Nada.

Quatro. Cinco. Nada.

Seis.

Dá para imaginar como ele estava se sentindo ali, um general, no meio do rio, na frente dos soldados, mergulhando feito criança e sem nada acontecer.

Mas ele mergulhou a sétima.

E, quando saiu da água, a pele dele estava boa. Lisinha, saudável, como a pele de um menino pequeno.

A volta

Naamã voltou correndo para a casa do profeta. Queria dar o ouro, a prata, as roupas, tudo.

Eliseu não aceitou nada.

Porque a cura não era mercadoria de comprar. Tinha vindo de Deus.

Naamã voltou para a Síria mudado por dentro e por fora, contando para todo mundo o que tinha acontecido.

Quem começou tudo

E a menina?

A Bíblia não conta o que aconteceu com ela depois. Não conta nem o nome dela.

Mas dá para pensar no dia em que aquela caravana voltou. Nos cavalos parando no pátio. No general descendo com a pele boa. Na patroa correndo e chorando, agora de alegria.

E na menina, num canto, vendo tudo aquilo de longe. Sabendo, por dentro, que aquilo tinha começado com ela.

Para pensar antes de dormir

Naquela história tem um general, um rei, um profeta e um exército inteiro.

Mas quem fez tudo acontecer foi uma menina que ninguém achava importante, falando uma frase que ela nem sabia se alguém ia escutar.

Hoje à noite, lembre-se disso: você não precisa ser grande para fazer uma coisa grande.

Essa história está na Bíblia, no segundo livro de Reis, capítulo 5.

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