A luz que nunca se apaga

Téo era um menino que adorava cores brilhantes. Seu lápis de cor preferido era o amarelo-sol. Sua fruta favorita era a banana bem madura. E o momento do dia que ele mais gostava era quando o sol entrava pela janela da cozinha e fazia a poeira dançar no ar como se fosse purpurina mágica.
Téo morava em uma casinha azul no alto de uma colina, com seus pais e seu avô, o Vovô Silas. Vovô Silas era um homem sábio, de cabelos brancos como nuvens e olhos que, mesmo velhinhos, brilhavam muito. Ele costumava dizer: — Téo, o mundo é cheio de luzes bonitas, mas a luz mais importante é aquela que a gente não vê com os olhos, mas sente com o coração.
Téo achava aquilo bonito, mas não entendia muito bem. Para ele, luz era o abajur ligado, a lanterna do celular do pai ou o sol quente na praia. Até que chegou “A Grande Tempestade”.
Era uma tarde de terça-feira quando o céu, que era azul, ficou roxo, depois cinza e, finalmente, preto como carvão. O vento começou a uivar, batendo nas janelas com força, Vuuuush! Vuuuush! As árvores lá fora se curvavam como se estivessem com dor nas costas.
De repente, CABRUM! Um trovão fez o chão tremer. E então… Pof! Tudo se apagou. A geladeira parou de zumbir. A TV desligou. A lâmpada da sala morreu. A casa mergulhou numa escuridão total.
Téo tinha oito anos, mas, naquele momento, sentiu-se muito pequeno. O escuro parecia pesado. Ele não conseguia ver a própria mão. O medo começou a subir pela barriga dele, gelado e rápido. — Mãe? Pai? — chamou ele, com a voz trêmula. — Estamos aqui, filho! — gritou o pai de outro cômodo. — Fique parado, vou tentar achar a lanterna!
Mas Téo não queria ficar parado. O escuro trazia pensamentos ruins. Ele se lembrou de que sua avó tinha ido morar no céu no ano passado e sentiu saudade. Lembrou-se de que tinha tirado uma nota baixa na escola e sentiu vergonha. No escuro, todos os problemas pareciam monstros gigantes. Parecia que a alegria tinha ido embora junto com a eletricidade.
Tateando as paredes, Téo chegou à sala de estar. Lá, sentado em sua poltrona de balanço, estava o Vovô Silas. O avô estava quieto, segurando sua velha Bíblia fechada no colo.
— Vovô? — sussurrou Téo. — O senhor está com medo? — Do escuro, Téo? — A voz do avô era calma, como um mar sem ondas. — Não, meu filho. O escuro é apenas a ausência de luz, ele não pode me machucar. Venha cá.
Téo sentou-se no tapete, agarrando-se às pernas do avô. O pai de Téo apareceu com uma vela pequena. A chaminha tremia, lutando contra o vento que entrava pelas frestas. Era uma luz fraca, quase inútil naquela sala grande.
— Essa luz é muito pequena, vovô — reclamou Téo. — Ela vai apagar logo. E se ela apagar? Vamos ficar sozinhos?
Vovô Silas colocou a mão enrugada sobre a cabeça de Téo. — É aqui que você se engana, Téo. As luzes do mundo apagam. As velas derretem. As baterias acabam. O sol se põe. Mas existe uma Luz que foi acesa antes mesmo de o mundo ser mundo. E essa luz, nenhuma tempestade consegue soprar.
— Que luz é essa? — perguntou Téo, olhando para a chama trêmula da vela.
— Lembra da história da Criação? — perguntou o avô. — Antes de existirem o sol e a lua, Deus disse: “Haja Luz”. Deus é a própria luz. A Bíblia diz em Salmos: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo?”
— Mas eu não estou vendo Ele agora — retrucou Téo, encolhendo-se ao ouvir outro trovão. — Tudo o que eu vejo é sombra.
Vovô Silas sorriu no escuro. — Feche os olhos, Téo. — O quê? Se eu fechar, vai ficar mais escuro ainda! — Confie em mim. Feche os olhos.
Téo obedeceu, apertando os olhos com força. — Agora — continuou o avô —, imagine que você está em um dia difícil. Imagine que você está triste, ou sozinho, ou com medo, como agora. Pense em Jesus. Lembre-se de quando Ele acalmou a tempestade no barco com os amigos dele. Ele não precisou de uma lanterna para ver o caminho. Ele era o caminho.
Vovô Silas começou a recitar, não como quem lê um livro, mas como quem conta um segredo precioso: — Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida”.
Enquanto ouvia a voz do avô, algo estranho aconteceu com Téo. De olhos fechados, ele parou de prestar atenção no vento uivante lá fora. Ele começou a sentir um calorzinho no peito. Não era o calor da vela. Era uma sensação de paz. Era como se, dentro dele, uma pequena lâmpada dourada tivesse se acendido.
— Você está sentindo, Téo? — perguntou o avô baixinho. — Estou sentindo… quentinho — respondeu o menino. — Isso é a presença de Deus. Ela mora dentro de nós. Quando tudo lá fora fica escuro, quando temos dias difíceis na escola, ou quando estamos tristes porque perdemos alguém que amamos… essa Luz interna se torna mais forte. Ela nos diz: “Não tenha medo, eu estou aqui. Eu seguro a sua mão.”
De repente, uma rajada de vento forte entrou por uma janela mal fechada. Fuuuuuu! A vela do pai de Téo apagou. A escuridão total voltou.
O pai praguejou baixinho, tentando achar os fósforos. A mãe deu um gritinho de susto. Mas Téo? Téo não gritou. Ele nem se mexeu. Ele continuou de olhos fechados, sorrindo.
— Vovô? — disse Téo no breu. — Sim, filho. — A vela apagou. Mas eu não estou com medo. — Por que não? — Porque a luz de dentro não precisa de fósforo.
Naquele momento, Téo entendeu. Ele percebeu que a escuridão era apenas uma situação passageira, mas Deus era uma certeza eterna. Ele se levantou, tateou o caminho até onde sabia que sua mãe estava e segurou a mão dela.
— Calma, mãe — disse o menino de oito anos, consolando a adulta. — É só o escuro. Deus está sentado aqui no sofá com a gente, e Ele brilha bastante.
A tempestade durou a noite toda. A luz elétrica só voltou no dia seguinte. Mas, naquela sala escura, a família de Téo passou uma das noites mais bonitas de suas vidas. Eles cantaram músicas, o avô contou histórias de Davi e Daniel, e eles oraram agradecendo pela proteção.
Quando o sol finalmente nasceu na manhã seguinte, lavando o céu com tons de rosa e laranja, Téo correu para a janela. O mundo estava molhado, galhos estavam caídos no jardim, mas tudo brilhava.
Vovô Silas aproximou-se, apoiado em sua bengala. — O sol voltou, Téo. É bonito, não é? — É lindo, Vovô — concordou Téo. — Mas sabe de uma coisa? — O quê? — Eu gostei de descobrir que eu carrego um solzinho dentro do peito. Assim, nunca mais vou ficar totalmente no escuro.
O avô beijou a testa do neto. — Você aprendeu a maior lição de todas, meu pequeno. Dias difíceis virão, nuvens cobrirão o céu, mas a Palavra de Deus é a lâmpada para os nossos pés. Ela nunca, nunca se apaga.
E assim, Téo cresceu. Ele teve outros dias de medo, dias de tristeza e dias de tempestade. Mas, sempre que a “luz” do mundo parecia falhar, ele fechava os olhos, respirava fundo e encontrava aquele brilho dourado e quentinho, a presença do Amigo que prometeu estar com ele todos os dias, até o fim dos tempos.
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