O Assobio do Téo

3 min de leituraHistorinha para dormir
O Assobio do Téo
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Na família do Téo, todo mundo assobiava.

O pai assobiava tomando banho. A mãe assobiava quando estava brava, e todo mundo aprendeu que assobio de mãe brava é sinal de perigo. A irmã mais velha assobiava com dois dedos na boca, aquele assobio de estádio, que fazia doer o ouvido.

Até o Tufão, o cachorro, fazia um barulho esquisito com o nariz que a família insistia em chamar de assobio.

Só o Téo não sabia.

O sopro sem som

Não era por falta de tentar.

Ele fazia o bico. Soprava com força. E saía… ar.

Só ar. Um fffff triste, sem música nenhuma dentro.

Às vezes saía uma cuspidinha, o que era pior.

— Deixa eu ver o bico — dizia a irmã. — Ah, tá errado. Tem que ser assim, ó.

E fazia um assobio lindo, afinado, escorregando de nota em nota, só para se exibir.

— Eu tô fazendo igual!

— Não tá.

O conselho de cada um

Cada pessoa da casa deu um conselho diferente, e nenhum funcionou.

O pai disse para molhar os lábios primeiro.

A mãe disse para pensar no som antes de soprar, que aí sai.

A avó disse que menino só aprende a assobiar depois que cai o dente da frente, e o Téo já tinha perdido dois, então essa também não colava.

A irmã disse para soprar mais forte.

Téo soprou mais forte. Ficou tonto. Não saiu som nenhum.

Duas semanas

O Téo decidiu que não ia mais pedir ajuda. Ia treinar sozinho.

E treinou.

Treinou no banho. Treinou no ônibus, baixinho, para ninguém ouvir. Treinou na fila da cantina. Treinou na hora do dever, o que fez a mãe perguntar da cozinha se tinha alguém com chiado no peito.

Treinou tanto que os lábios dele ficaram cansados de verdade, coisa que ele nem sabia que podia acontecer.

E nada.

O degrau

Numa tarde de sexta-feira, o Téo sentou no degrau da porta, meio desanimado, com o Tufão do lado.

Ele nem estava se esforçando mais. Só estava ali, com o bico meio feito, soltando o ar devagarinho, sem força nenhuma, pensando em outra coisa.

Aí aconteceu.

Fiuuu.

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Baixinho. Fininho. Mas era um assobio.

Téo arregalou os olhos e ficou completamente parado, com medo de se mexer e perder.

O Tufão levantou a cabeça e virou a orelha.

Téo tentou de novo, exatamente do mesmo jeito. Sem força. Devagar.

Fiuuu.

De novo!

O barulho da casa inteira

Téo levantou de um pulo e entrou em casa gritando, o que não é a melhor maneira de mostrar um assobio.

— EU CONSEGUI! EU CONSEGUI!

Teve que esperar, ofegante, até conseguir respirar direito para fazer de novo.

A família toda parou na cozinha, esperando.

E aí ele fez.

Fiuuuuu.

A mãe bateu palma. O pai deu um assobio alto de volta, tipo resposta. A irmã fez cara de quem não achou grande coisa, mas deu um sorrisinho quando achou que ninguém estava olhando.

E o Tufão, achando que era brincadeira, começou a latir e correr em círculo pela cozinha.

O segredo

Naquela noite, na hora de dormir, a mãe perguntou:

— E aí? Qual foi o truque?

O Téo pensou um pouco.

— Eu parei de soprar com força.

— Só isso?

— É. Quanto menos eu fazia, mais saía.

A mãe achou graça, apagou a luz e foi saindo.

E, do escuro do quarto, ainda veio um fiuuu baixinho.

E depois outro.

E mais um.

— Téo. Dorme.

— Tá. — Pausa. — Fiuuu.

— TÉO.

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