Noé e a Arca

5 min de leituraHistorinha para dormir
Noé e a Arca
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Há muito, muito tempo, quando o mundo ainda era novo, morava um homem chamado Noé.

Ele vivia com a mulher dele e os três filhos, Sem, Cam e Jafé, e com as mulheres dos três.

Naquele tempo, as pessoas tinham se tornado muito violentas, e o mundo tinha virado um lugar ruim de viver. Mas o Noé era diferente. Ele era um homem justo e andava com Deus.

E foi com o Noé que Deus resolveu falar.

O pedido estranho

— Construa uma arca de madeira — disse Deus.

Arca é um barco grande, em forma de caixa. E o pedido tinha um problema: a casa do Noé não ficava perto de mar nenhum.

Deus explicou o tamanho, e não era pequeno: trezentos côvados de comprimento, cinquenta de largura e trinta de altura. Côvado é uma medida antiga, mais ou menos o tamanho do braço de um homem, do cotovelo até a ponta do dedo.

Em metro, aquilo dava uns cento e trinta e cinco metros de comprimento. Um barco mais comprido que um campo de futebol, com três andares por dentro.

— Faça compartimentos — disse Deus. — Cubra de betume por dentro e por fora, para não entrar água. Ponha uma porta na lateral e uma janela em cima.

E explicou por quê: viria uma chuva como nunca tinha vindo, e a terra ficaria coberta de água.

Os vizinhos

Noé começou a construir.

E os vizinhos começaram a rir.

Passavam ali, viam aquele barco gigante crescendo no meio do seco, longe de qualquer rio, e faziam piada.

— Vai pescar o quê, Noé?

Ele não respondia com desaforo. Continuava serrando, encaixando e passando betume.

A obra levou muito tempo. Anos.

E, todos esses anos, o Noé continuou fazendo a mesma coisa, todo dia, sem ninguém para dizer que ele estava certo.

Os vizinhos tiveram esses anos todos para perguntar o que ele estava construindo. Nenhum perguntou.

Os animais

Quando a arca ficou pronta, Deus mandou o Noé levar para dentro a família inteira e os animais.

E aí aconteceu a parte que as crianças mais gostam.

Os bichos vieram.

Vieram de dois em dois, macho e fêmea, de toda espécie que existia: os que voam, os que rastejam, os que andam em quatro patas, os grandes, os miúdos.

Elefante ao lado de rato. Girafa abaixando o pescoço para caber na porta. Leão andando na mesma rampa que ovelha, sem encostar nela.

Ninguém precisou caçar, nem amarrar, nem convencer. Eles chegaram sozinhos, em fila.

O Noé e os filhos guardaram comida para todo mundo, para eles e para os bichos, porque a viagem ia demorar.

E, quando estava todo mundo dentro, o próprio Deus fechou a porta da arca.

A chuva

Choveu quarenta dias e quarenta noites.

Não foi só a chuva: as fontes de água que ficam debaixo da terra também se abriram.

A água foi subindo. Cobriu o quintal, cobriu as casas, cobriu as árvores, cobriu até os montes mais altos.

E a arca, que estava parada no seco, se levantou e passou a boiar.

Lá dentro era escuro e barulhento. Dava para ouvir a chuva batendo na madeira o tempo inteiro, a água correndo do lado de fora e os bichos se mexendo nos compartimentos.

O Noé foi cuidando de todo mundo, um dia de cada vez, dando comida, limpando, acalmando bicho assustado.

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A espera

Quando a chuva finalmente parou, a história não acabou.

A água ficou em cima da terra por muitos e muitos dias — cento e cinquenta ao todo, contando desde o começo — antes de começar a baixar.

Aí Deus mandou um vento passar por cima das águas, e elas foram descendo devagarinho.

Num certo dia, a arca parou de balançar: tinha encostado no alto das montanhas de Ararate.

Mas ainda não dava para sair. Só o topo dos montes aparecia.

O corvo e a pomba

Noé esperou mais um tempo e abriu a janela.

Primeiro soltou um corvo, que ficou indo e voltando, sem pousar em lugar nenhum.

Depois soltou uma pomba.

A pomba voou, deu uma volta e voltou para a mão dele, porque não achou onde pousar: era água até onde a vista alcançava.

Ele esperou sete dias e soltou a pomba de novo.

Dessa vez, ela voltou no fim da tarde com uma folha verde de oliveira no bico.

O Noé entendeu: se tinha folha nova, tinha árvore fora d'água. A terra estava secando.

Esperou mais sete dias e soltou a pomba pela terceira vez.

E, dessa vez, ela não voltou.

Era o sinal que ele estava esperando.

A porta se abre

Deus falou com o Noé outra vez:

— Saia da arca, você, a sua família e todos os animais.

Eles abriram a porta.

E os bichos desceram a rampa, um atrás do outro, pisando na terra molhada e cheirando o mato novo, e foram se espalhando pelo mundo.

O Noé desceu por último, com a família, e a primeira coisa que fez foi agradecer.

O arco-íris

Foi então que Deus fez uma promessa.

— Nunca mais vou destruir a terra com um dilúvio. Enquanto o mundo existir, vai ter semeadura e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite.

E disse que ia deixar um sinal dessa promessa, que qualquer um poderia ver.

Aí ele pôs o arco-íris no céu.

— Sempre que ele aparecer, eu vou lembrar do combinado.

Depois daquele dia

O mundo recomeçou.

Noé plantou. Os filhos dele tiveram filhos, e esses filhos tiveram filhos, e o mundo foi se enchendo de gente de novo.

E ficou aquele costume que existe até hoje.

Quando para de chover e o sol volta, todo mundo procura o arco-íris no céu. As crianças apontam. Os adultos param o que estão fazendo para olhar.

É bonito de ver. E, para quem conhece a história, é também um lembrete de uma promessa bem antiga.

Esta história está na Bíblia, no livro de Gênesis, capítulos 6 a 9. Lá, de alguns animais Deus mandou levar mais de um casal.

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