Timmy Turner e a Vingança do Coelho Felpudo

Na pacata cidade de Dimmsdale, a vida de um garoto de dez anos com um boné rosa não era nada fácil. Timmy Turner estava, mais uma vez, preso em seu quarto enquanto seus pais tinham saído para um jantar chique. E o pior de tudo: ele estava sob a guarda de Vicky, a pior babá do universo.
— Turner! — gritou a voz esganiçada de Vicky do andar de baixo. — Quero pipoca com manteiga dupla agora! E se queimar, vou usar seu boné rosa para limpar o fogão!
Timmy suspirou, fechando a porta do quarto. Imediatamente, os dois peixinhos dourados que nadavam em seu aquário saltaram para fora da água. Com um POOF e uma nuvem de fumaça mágica, eles se transformaram: Cosmo, com seus cabelos verdes espetados, e Wanda, com seu cabelo rosa em formato de redemoinho. Eles eram seus Padrinhos Mágicos.
— Essa garota precisa de um tempo na gaiola! — disse Cosmo, balançando sua varinha. — E por gaiola, eu quero dizer um lugar cheio de esquilos bravos!
— Cosmo, foco! — repreendeu Wanda, virando-se para Timmy. — O que vamos fazer, docinho? Quer que a gente a mande para o Alasca de novo?
— Não — disse Timmy, com um sorriso travesso. — Eu tenho uma ideia melhor. Toda vez que a Vicky tenta ser malvada, eu sinto medo. Eu quero que ela seja a coisa menos assustadora do mundo. Eu desejo que toda vez que a Vicky for cruel, ela se transforme em um coelhinho fofinho e inofensivo!
Wanda levantou uma sobrancelha.
— Tem certeza, Timmy? Magia que muda a forma das pessoas com base no humor costuma ser muito instável...
— Ah, qual é, Wanda! — interrompeu Cosmo. — Coelhos são fofos! Eles têm orelhas grandes e comem cenouras. O que poderia dar errado?
As varinhas brilharam, um som de plim ecoou pelo quarto, e o desejo foi concedido.
Lá embaixo, Vicky subia as escadas pisando duro. Ela abriu a porta do quarto de Timmy com um estrondo.
— Escuta aqui, seu pirralho...!
POOF!
Antes que pudesse terminar a frase, uma nuvem rosa envolveu Vicky. No lugar da babá assustadora, havia um coelhinho branco, extremamente felpudo, com um lacinho verde no pescoço.
Timmy caiu na gargalhada.
— Funcionou! Olhe para ela, é tão fofa!
Mas o coelhinho não estava feliz. Os olhos vermelhos da coelha-Vicky brilharam de fúria. Ela mostrou os dentinhos afiados, deu um salto surpreendentemente alto e mordeu o tornozelo de Timmy.
— Ai! — gritou o garoto.
A coelha rosnou (um som muito estranho para um coelho), pulou pela janela aberta do quarto e sumiu na noite de Dimmsdale.
— Ok, ela é fofa, mas ainda é a Vicky — disse Cosmo, esfregando o queixo. — E acho que ela não gosta de cenouras.
— Temos que ir atrás dela! — exclamou Wanda.
Os três seguiram o rastro de destruição da coelha. A versão felpuda de Vicky estava furiosa com sua nova forma, e a raiva a fazia querer destruir tudo. Guiada por seu mau humor, ela foi direto para a Usina de Energia de Dimmsdale. Com seus novos e afiados dentes de roedor, ela começou a mastigar o cabo de força principal da cidade.
ZAAAAAP!
Um clarão azul iluminou o céu, seguido por um estouro. Imediatamente, todas as luzes de Dimmsdale se apagaram. A cidade mergulhou em um breu total.
No susto do estrondo, Cosmo e Wanda deixaram suas varinhas mágicas escorregarem. As varinhas rolaram pelo chão de cimento da usina e caíram direto pelas grades de um bueiro de esgoto profundo e escuro.
— Nossas varinhas! — gritou Wanda, desesperada.
— Ah, não! Sem elas, somos apenas seres mágicos flutuantes, inúteis e... espere, eu sempre fui assim! — disse Cosmo, em pânico.
Timmy olhou para o bueiro e depois para a coelha-Vicky, que agora estava prestes a roer o gerador de emergência. Se ela fizesse isso, a usina explodiria. Ele não tinha magia. Não tinha varinhas. Ele só tinha a si mesmo.
— Tudo bem, Timmy, pense — murmurou ele, ajeitando o boné rosa no escuro. — Ela é um coelho, mas a mente é da Vicky. O que a Vicky mais ama no mundo, além de me irritar?
— Dinheiro! — gritaram Cosmo e Wanda ao mesmo tempo.
Timmy vasculhou os bolsos. Ele tinha uma nota de cinco dólares que ia usar para comprar quadrinhos. Ele pegou um pedaço de barbante do chão da usina, amarrou a nota na ponta e rastejou silenciosamente para perto do gerador.
— Ei, coelhinha felpuda! — sussurrou Timmy.
A coelha-Vicky virou-se, pronta para atacar. Mas então, ela viu a nota de cinco dólares balançando na frente de seu nariz. Os instintos gananciosos da babá falaram mais alto que os instintos de coelho. Ela saltou para morder a nota.
Timmy puxou o barbante, fazendo-a errar. Ele correu em direção à grade do bueiro. A coelha foi atrás, pulando loucamente atrás do dinheiro. Quando ela estava bem em cima da grade, Timmy soltou a nota, que caiu pelos buracos. A coelha-Vicky mergulhou atrás dela.
Pluft!
Lá embaixo, no escuro do bueiro, a coelha aterrissou bem em cima da nota... e bem ao lado das varinhas mágicas brilhantes de Cosmo e Wanda.
— Rápido, Wanda! — gritou Timmy.
Wanda e Cosmo voaram para dentro do bueiro, agarraram suas varinhas e, com um brilho intenso, saíram voando de lá, deixando a coelha-Vicky presa e confusa lá embaixo.
— Eu desejo que tudo volte ao normal e que a energia de Dimmsdale volte! — gritou Timmy.
POOF!
As luzes da cidade acenderam. Lá embaixo, a coelha voltou a ser a Vicky normal, que agora estava sentada no meio do esgoto sujo de Dimmsdale, segurando uma nota de cinco dólares amassada e cheirando muito, muito mal.
De volta ao quarto, Timmy deitou na cama, exausto. Cosmo e Wanda voltaram para a forma de peixinhos no aquário.
— Sabe de uma coisa? — disse Timmy, sorrindo. — Acho que aprendi a lição. Magia não é a solução para todos os meus problemas.
— É isso aí, Timmy! Você usou seu cérebro! — disse Wanda, orgulhosa.
— É! — concordou Cosmo. — E da próxima vez que a Vicky for má, em vez de coelho, vamos transformá-la num pudim gigante! Pudins não roem cabos!
Timmy apenas riu, fechando os olhos, sabendo que, pelo menos por aquela noite, a babá malvada estava tomando o banho mais longo e fedido de sua vida.
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