Teo, o Estegossauro que Perdeu o Caminho de Volta

Há muito, muito tempo, quando os dinossauros andavam pela Terra, vivia um bando de estegossauros num vale cheio de samambaias gigantes.
O estegossauro é fácil de reconhecer. Tem uma fileira de placas grandes nas costas e uma cauda com espinhos compridos. Anda devagarzinho, de cabeça baixa, comendo folhas e plantas macias.
Naquele bando, havia um filhote chamado Teo.
As placas novas
Teo estava crescendo. As placas das costas, que antes eram pequenininhas, começaram a ficar maiores e mais pontudas.
— Olha as minhas placas! — dizia ele, todo orgulhoso. — Estão ficando iguais às da mamãe!
— Ainda faltam muitas luas — respondia a mamãe, rindo. — Mas estão ficando bonitas.
Teo gostava de se olhar nas poças d'água, virando o corpo de lado para ver as costas.
E gostava também de explorar. Era muito curioso.
A samambaia diferente
Uma tarde, o bando estava descansando na sombra. Teo ficou olhando uma samambaia estranha, de folhas prateadas, do outro lado do vale.
— Vou só ver de pertinho — pensou. — Volto rapidinho.
E foi, sem avisar ninguém.
A samambaia era mesmo diferente. Tinha folhas macias e um cheiro doce. Depois dela, havia uma pedra grande. Depois da pedra, um riachinho. Depois do riachinho, uma colina coberta de samambaias baixinhas.
Teo foi seguindo uma coisa atrás da outra, sem perceber o tempo passar.
O céu muda de cor
Quando ele levantou a cabeça, o céu já estava cor de laranja, e o sol ia baixando.
— Ih... — disse Teo. — Já é fim de tarde.
Olhou em volta. Não reconhecia nada. Aquelas árvores, aquelas pedras, aquela colina... nada parecia com o vale onde morava.
Ele sentiu uma coisa apertando no peito.
— E agora? Onde é que eu estou?
Chamou, bem alto:
— Mamãe! Mamãe!
Mas só o vento respondeu.
Um amigo
De trás de uma pedra, saiu um bichinho pequeno, peludinho, do tamanho de um camundongo grande. Era um mamífero antigo, que vivia escondido nas tocas.
— Você está perdido? — perguntou ele, com uma voz fininha.
— Estou — disse Teo, com os olhos cheios de água. — Eu vim ver uma samambaia e esqueci de voltar.
— Isso acontece — disse o bichinho. — Eu me chamo Nico. Conheço bem esta região. Para onde fica o seu vale?
— Não sei... Tem muita samambaia. E um riacho.
— Ah! Esse eu conheço. Fica depois daquela colina, onde o sol se põe. Quer que eu vá junto até a metade do caminho?
— Quero, sim! Obrigado!
A volta
Os dois foram caminhando juntos. O Nico ia na frente, e o Teo vinha atrás, pisando firme, com as placas balançando.
Subiram a colina, desceram pelo outro lado, atravessaram o riachinho e passaram pela pedra grande.
Até que Nico parou.
— Daqui para a frente você já sabe o caminho. É só seguir na direção do sol que se põe.
— Muito obrigado, Nico!
— De nada. Da próxima vez, avise alguém antes de sair.
— Eu aviso, prometo.
A mamãe
Teo foi andando mais depressa, e logo viu no horizonte uma silhueta grande, com placas compridas nas costas, andando devagar na direção dele.
— Mamãe!
— Teo! — gritou a mamãe estegossauro, correndo, o que era muito raro para ela. — Que susto! Procuramos você por toda parte!
— Desculpa, mamãe. Eu me distraí com uma samambaia.
A mamãe encostou o focinho no dele, suspirando aliviada.
— Eu sei que você é curioso. Mas, da próxima vez, me conta antes. Assim eu vou junto, ou espero você voltar.
— Eu prometo. E uma coisa é certa: pedir ajuda funciona.
Boa noite
Naquela noite, o bando se juntou perto das samambaias grandes, e Teo se deitou ao lado da mamãe, com as placas encostadas nas dela.
O céu ficou cheio de estrelas. Um vulcão distante soltava uma fumacinha rosada, lá longe.
Teo contou para todo mundo sobre a samambaia prateada e o amigo peludinho.
— Amanhã eu levo vocês lá — disse ele. — Mas com a mamãe junto!
E dormiu logo, com o coração tranquilo, no meio da família.
Boa noite, pequeno leitor. Explorar é bom, e voltar para casa é melhor ainda. E quando você se perder, pedir ajuda mostra que você é esperto.
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