Pedrinho e o Rio Mágico

Era uma vez um menino muito curioso e cheio de energia chamado Pedrinho. Ele morava em uma casinha amarela, bem na beirada de uma floresta muito antiga e cheia de árvores gigantes. Pedrinho adorava explorar, colecionar pedrinhas coloridas e inventar aventuras.
Um dia, enquanto procurava o galho perfeito para fazer uma varinha de condão, Pedrinho ouviu um som diferente. Não era o canto dos passarinhos, nem o vento nas folhas. Era uma musiquinha suave, que soava como pequenos sinos de cristal tocando ao longe.
Guiado pela melodia, ele caminhou mais fundo na floresta, afastando algumas samambaias gigantes, até que seus olhos se arregalaram de surpresa.
— Uau! — sussurrou Pedrinho.
Diante dele, não havia um rio comum de águas escuras ou barrentas. Era um Rio Mágico. A água brilhava em tons de azul-celeste, rosa-choque e dourado, misturando-se como se fosse um grande arco-íris derretido. E o mais incrível: a água cantava!
Pedrinho se aproximou devagarinho e, com muito cuidado, mergulhou a ponta do dedo indicador na água. Para sua surpresa, a água não era fria e nem molhou seu dedo. Assim que ele a tocou, uma gotinha se soltou, flutuou no ar e se transformou em uma borboleta de luz azul, que pousou suavemente na ponta do seu nariz.
— Cócegas! — Pedrinho riu bem alto.
— Que bom que você acha engraçado! — disse uma voz fininha.
Pedrinho olhou para baixo. Em cima de uma grande vitória-régia, estava sentado um sapinho verde com pintinhas douradas. Ele usava um minúsculo chapéu feito de uma pétala de flor.
— Você fala? — perguntou Pedrinho, ainda de boca aberta.
— É claro que eu falo! Eu sou o Saltitão, o guardião do Rio Mágico. — O sapinho estufou o peito. — Este rio só aparece para crianças que têm o coração bondoso e que sabem cuidar da natureza. Como você sempre ajuda a regar as plantas e nunca machuca os bichinhos, o rio decidiu se mostrar para você.
Pedrinho passou a tarde inteira brincando no Rio Mágico. Ele descobriu que se batesse palmas perto da margem, peixinhos de todas as cores saltavam fazendo acrobacias. Se ele fizesse um barquinho de folha, a própria água criava uma correnteza suave para levá-lo com segurança.
O tempo voou e, logo, o sol começou a se esconder atrás das árvores, pintando o céu de laranja.
— Preciso ir para casa, Saltitão. Minha mãe deve estar fazendo o jantar — disse Pedrinho, um pouco triste por ter que ir embora.
— Não fique triste, Pedrinho! — sorriu o sapinho. — O Rio Mágico sempre estará aqui para você. Basta fechar os olhos, lembrar da nossa musiquinha e cuidar bem da nossa floresta. Enquanto a natureza estiver viva, a magia também estará.
Pedrinho prometeu que seria o maior protetor da floresta. Ele correu de volta para casa, com o coração pulando de alegria.
Naquela noite, na hora do banho, Pedrinho olhou para a água caindo do chuveiro. Ela não brilhava em rosa ou dourado, e não havia sapinhos de chapéu. Mas, bem no fundo da sua memória, ele ouviu o som de sinos de cristal e deu um sorriso. Ele sabia que o mundo era cheio de magia, bastava saber onde procurar.
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