O Soldadinho de Chumbo

Era uma vez um menininho que ganhou de presente, no dia do seu aniversário, uma caixa cheia de soldadinhos de chumbo. Todos estavam perfeitamente iguais: uniformes vermelhos, rifles nas mãos e chapéus brilhantes. Mas um deles era diferente… tinha apenas uma perna. O ferreiro, ao fazê-lo, não tinha chumbo suficiente para terminar a segunda.
Mesmo assim, o soldadinho se mantinha firme, de pé, como todos os outros.
O menino os colocou sobre a mesa, perto de um lindo castelo de papelão que havia construído. Dentro do castelo, havia uma delicada bailarina de papel. Ela usava um vestido leve e brilhante, e ficava na ponta dos pés, com um dos pés erguido — parecia também ter só uma perna!
O soldadinho, ao vê-la, pensou:
— Ela é como eu… diferente dos outros.
E assim, silenciosamente, se apaixonou.
Quando todos foram dormir, os brinquedos ganharam vida. Os outros soldadinhos marcharam, carrinhos correram pela mesa e a bailarina girou graciosamente. Mas o soldadinho de chumbo apenas observava, tímido.
De repente, um duende de papel que morava na caixa de brinquedos pulou para fora e disse com uma risadinha maldosa:
— Soldadinho, não ouse olhar para a bailarina! Ela é muito especial para você.
O soldadinho não respondeu, apenas manteve seu olhar firme. Isso deixou o duende irritado.
No dia seguinte, o menino colocou o soldadinho na janela. Um vento forte soprou e… pluft! Ele caiu da janela direto na rua. Ninguém percebeu.
Dois garotos que passavam encontraram o soldadinho e, curiosos, fizeram um barquinho de papel para ele navegar na sarjeta cheia de água da chuva. O barquinho seguiu veloz, descendo pelas ruas. O soldadinho manteve-se firme, mesmo quando a água ficou turbulenta.
Mas, ao chegar a uma grade de esgoto, o barquinho virou. O soldadinho afundou na água e foi parar em um lugar escuro, dentro de um cano.
Ali, um enorme rato de esgoto apareceu.
— Mostre seu passe! — rosnou ele.
O soldadinho, sem poder falar, apenas manteve-se imóvel. O rato avançou, mas uma nova correnteza o levou para longe, direto para um rio.
O soldadinho foi engolido por um grande peixe! Escuro e silencioso, o interior do peixe parecia o fim da linha. Mas o destino tinha outros planos: o peixe foi pescado e levado ao mercado.
Por incrível coincidência, quem comprou o peixe foi a mãe do menino! Ao cortar o peixe na cozinha… lá estava o soldadinho, todo molhado, mas firme.
O menino, feliz, colocou o soldadinho de volta na mesa, de frente para a bailarina. Eles pareciam sorrir um para o outro.
Mas o duende de papel não tinha desistido. Naquela noite, uma rajada de vento derrubou o soldadinho na lareira. Ele começou a derreter lentamente, mas ainda olhava para a bailarina.
De repente, o vento também levou a bailarina para dentro do fogo. Em um instante, o vestido leve pegou fogo e ela voou em direção ao soldadinho.
Na manhã seguinte, quando as cinzas foram retiradas, encontraram apenas um pequeno pedaço de chumbo em forma de coração… e, ao lado, o broche de metal da bailarina.
E assim, o soldadinho e a bailarina permaneceram juntos para sempre, unidos pelo amor e pela coragem.
Fim. ❤️🎖️
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