O Pequeno Príncipe e o Guardião do Tempo

No asteroide B-328, o penúltimo que o Pequeno Príncipe visitou antes de chegar ao planeta Terra, morava um homem muito peculiar. O asteroide era minúsculo, mas estava coberto por prateleiras de ponta a ponta. Sobre elas repousavam milhares de potes de vidro, perfeitamente alinhados e fechados com rolhas de cortiça.
O homem vestia um terno cinza abotoado até o pescoço, usava óculos de aros grossos e corria de um lado para o outro com uma rede de caçar borboletas. Mas ele não estava caçando borboletas.
— Bom dia — disse o Pequeno Príncipe, com sua voz suave.
— Três, quatro... não me interrompa! Cinco, seis... — murmurou o homem, ofegante, balançando a rede no ar vazio e depois fechando rapidamente um pote de vidro. — Bom dia. Sete, oito.
O Príncipe sentou-se em um pequeno banquinho de madeira e cruzou as pernas, observando.
— O que você está caçando com essa rede?
— Minutos! — respondeu o homem, enxugando o suor da testa com um lenço xadrez. — Eu sou o Guardião do Tempo. As pessoas lá embaixo, nos planetas maiores, inventam máquinas maravilhosas para economizar tempo. Trens rápidos, pílulas que matam a sede, máquinas de calcular. Cada vez que economizam um minuto em suas vidas apressadas, ele voa pelo espaço e vem parar aqui, e eu o engarrafo.
O Pequeno Príncipe olhou para os potes. Eles pareciam vazios, mas brilhavam levemente com uma luz ansiosa e impaciente.
— E o que você faz com todos esses minutos engarrafados? — perguntou o menino.
— Eu os guardo, é claro! O tempo é muito precioso. Se você tem muito tempo guardado, você é a pessoa mais rica do universo.
O Pequeno Príncipe pensou em sua flor. Pensou nas quatro pequenas farpas de espinhos que ela tinha para se defender e na redoma de vidro que ele colocava todas as noites para protegê-la do vento frio.
— Eu conheço uma flor — disse o Príncipe, olhando para o espaço. — Ela não faz nada rápido. Ela demora dias inteiros apenas para ajeitar as pétalas antes de desabrochar. E eu perco muito tempo regando-a, conversando com ela e tirando as lagartas, exceto duas ou três para que nasçam as borboletas.
O Guardião do Tempo arregalou os olhos, escandalizado.
— Perder tempo? Que desperdício terrível! Se você engarrafasse todos esses minutos que gasta com essa flor, poderia usá-los para... bem, para fazer qualquer coisa mais útil!
— Mas é exatamente o tempo que eu "perdi" com a minha rosa que a faz ser tão importante — retrucou o Pequeno Príncipe, balançando a cabeça. — Se eu guardasse o meu tempo num pote, minha rosa ficaria sozinha. Ela seria apenas uma rosa igual a cem mil outras rosas. O tempo não serve para nada se a gente não o der para alguém.
O Guardião do Tempo parou abruptamente, com a rede erguida no ar. Ele olhou para a sua coleção infinita de potes. Ele tinha séculos de minutos economizados, prateleiras e mais prateleiras de tempo que não pertencia a ninguém.
— Você tem muito tempo guardado — continuou o Príncipe. — Mas o seu planeta é tão pequeno. Basta arrastar a cadeira alguns passos. Quantas vezes você já viu o sol se pôr hoje?
O homem piscou por trás das lentes grossas, visivelmente confuso.
— Pôr do sol? Eu... eu não tenho tempo para olhar o pôr do sol. Estou muito ocupado guardando o tempo dos outros!
O Pequeno Príncipe suspirou, com um sorriso um pouco triste, como costumava fazer quando se deparava com as contradições dos adultos.
— Os adultos são decididamente muito estranhos. Eles correm e correm para economizar tempo, mas quando o economizam, não sabem o que fazer com ele e o trancam em potes de vidro.
O Príncipe se levantou, ajeitou seu cachecol dourado que esvoaçava sem vento e caminhou até a beira do asteroide B-328. Ele se sentou, abraçou os joelhos e esperou. Como o planeta era muito pequeno, não demorou muito para o sol começar a descer, pintando o céu de laranja, rosa e lilás profundo.
O Guardião do Tempo, movido por uma curiosidade que estava adormecida há anos, baixou a sua rede. Ele deu um passo tímido, depois outro, e sentou-se ao lado do menino. Juntos, no mais absoluto silêncio, eles assistiram ao sol desaparecer no horizonte infinito.
Quando a primeira estrela brilhou no céu escuro, o homem ouviu um leve pop vindo de trás dele. Era o som de uma rolha de cortiça saltando de um dos seus potes de vidro. O minuto guardado escapou, voou pelo ar como um vaga-lume dourado e desvaneceu, finalmente livre.
O Guardião não correu para caçá-lo. Ele apenas sorriu.
— Sabe de uma coisa, pequeno príncipe? — disse o homem, com os olhos brilhando refletindo as estrelas. — Acho que este foi o primeiro minuto da minha vida que eu não economizei. Eu o vivi.
E o Pequeno Príncipe riu, um riso claro como dezenas de pequenos guizos balançando ao vento, sabendo que, em algum lugar do universo, a sua rosa estaria sorrindo também.
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