O pastor e suas ovelhinhas

9 min de leituraHistorinha para dormir
O pastor e suas ovelhinhas
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Nas terras antigas do Oriente, onde o sol nasce pintando as montanhas de dourado e se põe vestindo o céu de roxo, havia um vale especial conhecido como o Vale dos Pastos Verdes. E lá, cuidando de um rebanho muito amado, vivia o Pastor Emanuel.

Emanuel não era um pastor como os outros, que apenas vigiavam as ovelhas para vender sua lã. Não, Emanuel conhecia suas ovelhas como um pai conhece seus filhos. Ele não as contava apenas por números (“um, dois, três…”); ele as chamava pelo nome.

Havia a Algodão, que era tão fofinha que parecia uma nuvem com pernas. Havia o Saltitante, um carneirinho que não conseguia andar sem dar pulinhos de alegria. Havia a Vovó Lã, uma ovelha bem velhinha e sábia que andava devagar. E havia a Pipoca, uma ovelhinha pequena, curiosa e muito, muito agitada.

O Começo do Dia

Todos os dias, antes mesmo de o sol aparecer completamente, Emanuel se levantava. Ele pegava seu cajado — um bastão de madeira longo com uma curva na ponta — e ia até a porta do aprisco, o cercadinho de pedras onde as ovelhas dormiam seguras à noite.

— Bom dia, minhas meninas! — dizia Emanuel com sua voz forte e suave.

As ovelhas conheciam aquela voz. Elas não seguiam estranhos. Se outro viajante passasse pela estrada e chamasse, elas nem levantavam a cabeça. Mas quando Emanuel falava, todas as orelhinhas se levantavam. Elas sabiam que aquela voz significava comida, água e segurança.

Emanuel abria o portão e saía na frente. Isso era muito importante: o Pastor Emanuel nunca empurrava as ovelhas por trás, gritando ou batendo. Ele ia na frente. Ele pisava no caminho primeiro para garantir que não havia cobras, espinhos ou buracos. As ovelhas o seguiam porque confiavam que, onde o pé de Emanuel pisasse, era seguro pisar também.

O Cuidado no Caminho

Naquela manhã, o sol estava particularmente quente. O caminho até o riacho era longo e cheio de pedras. A pequena Pipoca começou a reclamar: — Mééé… Estou com sede! Minhas patinhas estão doendo! Por que não paramos aqui mesmo? Essa grama seca parece boa o suficiente.

Vovó Lã, caminhando ao lado dela, baliu baixinho: — Tenha paciência, pequena. O Pastor sabe o que faz. A grama aqui é seca e espinhenta. Ele está nos levando para as “águas tranquilas”.

Pipoca bufou, mas continuou andando. Ela olhava para as costas de Emanuel. Ele parava de vez em quando, usava seu cajado para afastar um arbusto espinhoso ou para levantar uma ovelha que tinha tropeçado.

Finalmente, eles chegaram. E Vovó Lã tinha razão. O lugar era lindo. A grama era verdejante, macia e suculenta. E o riacho não era barulhento e rápido (ovelhas têm medo de água rápida, pois sua lã fica pesada se molhar e elas podem afundar). Emanuel as levou para uma curva do rio onde a água formava uma piscina calma, espelhada e fresca.

— Podem beber — disse Emanuel, sorrindo ao ver a alegria delas.

Enquanto elas bebiam e comiam, Emanuel não descansava. Ele andava entre elas com um pequeno frasco de azeite. Ele viu que Algodão tinha arranhado o focinho em uma pedra. — Venha cá, minha menina — disse ele, ajoelhando-se. Com carinho, ele derramou o azeite na ferida. O azeite aliviou a dor na hora e protegeu contra moscas. Algodão lambeu a mão do pastor em agradecimento. A Bíblia diz: “Unges a minha cabeça com óleo”, e era exatamente isso que Emanuel fazia. Ele curava as feridas de suas ovelhas antes mesmo que elas pedissem.

A Sombra do Medo

À tarde, o tempo mudou. Nuvens escuras cobriram o sol e o vento começou a uivar entre os desfiladeiros. Eles precisavam atravessar o “Vale da Sombra” para voltar para casa. Era um lugar estreito, onde as montanhas eram tão altas que quase tapavam a luz.

As ovelhas ficaram com medo. O Saltitante parou de pular e se escondeu atrás da Vovó Lã. Pipoca tremia. — E se houver lobos ali nas sombras? — perguntou Pipoca. — E se cairmos no precipício?

Foi então que Emanuel fez algo que acalmou a todos. Ele não apenas caminhou; ele começou a cantar e a bater ritmadamente com seu bordão no chão. Toc, toc, toc. O som do bastão batendo na pedra ecoava pelo vale.

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— Não tenham medo! — a voz dele ressoava. — O meu bordão e o meu cajado estão aqui. O bordão é para espantar os lobos, e o cajado é para puxar vocês se caírem. Eu estou com vocês.

Ouvindo o som do bastão e vendo a silhueta corajosa do Pastor à frente, o medo das ovelhas diminuiu. Elas perceberam que, mesmo no escuro, não estavam sozinhas. A presença de Emanuel era a coragem delas.

O Resgate de Pipoca

No entanto, quase na saída do vale, Pipoca se distraiu. Ela viu uma florzinha roxa crescendo na beira de um barranco perigoso. “Só uma mordidinha”, pensou ela. Ela se afastou do grupo. Esticou o pescoço. Escorregou.

Zuuup!

Pipoca deslizou barranco abaixo e caiu em um pequeno platô de pedra, alguns metros abaixo da trilha. Ela tentou subir, mas era muito íngreme. Ela olhou para baixo e viu um abismo escuro. — Méééé! Socorro! Emanuel! — gritou ela, apavorada.

O rebanho lá em cima parou. Emanuel contou rapidamente. Faltava uma. O Pastor não pensou: “Ah, é só a Pipoca, ela é muito teimosa, depois eu vejo”. Não. Ele deixou as outras ovelhas seguras encostadas na parede da montanha e correu para a beira do precipício.

Pipoca estava chorando, encolhida, com frio e medo. Então, ela viu algo lá em cima. O rosto de Emanuel. — Estou aqui, Pipoca! Não se mexa!

Emanuel não conseguia alcançar com a mão. Então, ele usou a parte curva do seu cajado. Ele se debruçou perigosamente sobre a borda, esticou o braço o máximo que pôde e enganchou a curva do cajado suavemente na barriga da ovelhinha.

— Segure-se! — grunhiu o Pastor, fazendo força. Com um puxão forte e seguro, ele içou Pipoca para cima. Assim que ela chegou à terra firme, Emanuel não brigou. Ele a abraçou forte contra o peito. Pipoca sentiu o coração do Pastor batendo rápido pelo esforço.

— Você está segura agora — sussurrou ele, tirando alguns carrapichos da lã dela. — Eu nunca vou deixar você cair.

A Festa no Aprisco

Quando finalmente chegaram em casa, a noite já tinha caído. O aprisco estava quentinho. Emanuel colocou comida fresca no cocho para elas — uma “mesa preparada” na presença dos inimigos (os lobos que uivavam longe, fora dos muros).

Pipoca estava exausta, mas feliz. Ela se deitou perto dos pés de Emanuel, que se sentou à porta para vigiar o sono delas. Vovó Lã olhou para Pipoca e disse: — Viu só, pequena? A bondade e a misericórdia dele nos seguiram todo o caminho, mesmo quando erramos.

Pipoca fechou os olhos. Ela sabia que, não importava se o dia fosse de sol ou de tempestade, se o caminho fosse de grama ou de pedra, ela era a ovelha mais feliz do mundo. Não porque ela era forte ou esperta, mas porque ela tinha um Bom Pastor.

E, enquanto o sono vinha, Pipoca pensou: “O Senhor é o meu pastor, e nada, absolutamente nada, me faltará.”

Emanuel olhou para o céu estrelado, fez uma oração de agradecimento ao Pai e sorriu, velando o sono de suas amadas ovelhinhas até o amanhecer.

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