O Menino Samuel e a Voz da Noite

Em Israel, há muito tempo, morava uma mulher chamada Ana.
Ela queria muito um filho e demorou anos para ter. Quando finalmente nasceu um menino, ela deu a ele o nome de Samuel.
E Ana tinha feito uma promessa: aquele filho ia servir a Deus a vida inteira.
Então, quando Samuel ficou maiorzinho, ela o levou para o templo de Siló e o deixou aos cuidados do velho sacerdote, Eli.
A vida no templo
Samuel cresceu ali.
Varria o chão. Abria as portas de manhã. Ajudava o Eli, que já estava bem velho e enxergava muito pouco.
E, toda noite, ele dormia num quartinho perto do lugar mais importante do templo, onde ficava a arca da aliança.
Ali tinha uma lamparina que não podia apagar durante a noite. Era trabalho de alguém cuidar para que ela ficasse acesa até o amanhecer.
Uma vez por ano, a mãe dele aparecia para visitar, e trazia uma túnica nova, feita por ela, sempre um pouquinho maior que a do ano anterior.
Uma noite diferente
Naquela época, segundo a Bíblia conta, era raro alguém ouvir alguma coisa da parte de Deus.
Numa noite, Samuel estava deitado, e a lamparina do templo ainda estava acesa.
E ele ouviu alguém chamar o nome dele.
— Samuel!
Ele levantou num pulo e correu até o quarto do Eli.
— Estou aqui! O senhor me chamou.
O velho abriu os olhos, confuso.
— Eu não chamei você, meu filho. Volta para a cama.
E Samuel voltou.
A segunda vez
Não demorou nada e a voz chamou de novo.
— Samuel!
Ele levantou outra vez e foi até o Eli.
— O senhor me chamou.
— Não chamei, não. Vai deitar.
Samuel voltou, agora meio desconfiado da própria cabeça.
Ele ainda não conhecia a voz de Deus. Nunca tinha acontecido nada parecido com ele.
A terceira vez
Pela terceira vez, a voz chamou.
E pela terceira vez o menino levantou e foi até o quarto do velho sacerdote.
— Aqui estou. O senhor me chamou.
Foi aí que o Eli entendeu.
Ele sentou na cama, ficou um tempo quieto no escuro e disse:
— Vai deitar, Samuel. Se chamarem de novo, você responde assim: fala, Senhor, que o teu servo escuta.
O que aconteceu depois
Samuel voltou para o quartinho e deitou.
A voz chamou mais uma vez:
— Samuel! Samuel!
E o menino, com o coração batendo forte, respondeu do jeito que o velho tinha ensinado:
— Fala. O teu servo está escutando.
E Deus falou com ele.
O que Ele disse naquela noite era uma mensagem séria e dura a respeito da família do próprio Eli e dos erros que os filhos dele andavam cometendo.
Samuel ficou deitado até de manhã, acordado, sem saber o que fazer com aquilo.
A parte mais difícil
De manhã, Samuel se levantou e abriu as portas do templo, como fazia todo dia.
E ficou enrolando.
Ele tinha medo de contar ao Eli o que tinha ouvido.
Mas o velho chamou:
— Samuel, meu filho. O que foi que Ele te disse? Não esconde nada de mim.
Então o menino contou tudo, sem tirar nem pôr.
O Eli ouviu até o fim, calado. Depois disse só:
— Ele é o Senhor. Que Ele faça o que achar melhor.
O menino que virou profeta
A partir daquela noite, Samuel foi crescendo.
E aconteceu uma coisa que o povo inteiro percebeu: quando ele falava alguma coisa da parte de Deus, aquilo se cumpria. Nenhuma palavra dele caía no chão.
Com o tempo, todo mundo em Israel, de uma ponta à outra do país, sabia que Samuel era profeta.
Ele foi o homem que, muitos anos depois, ungiu o primeiro rei de Israel. E foi ele também quem ungiu um pastorzinho chamado Davi, o caçula de uma família de Belém.
O que fica
Tem uma coisa nessa história que é fácil de passar batido.
Deus não chamou o sacerdote velho e experiente, que morava no templo havia décadas.
Chamou o menino que varria o chão.
E o menino, nas três primeiras vezes, nem entendeu o que estava acontecendo. Ele só fez uma coisa certa: toda vez que ouviu o nome dele, ele levantou e foi atender.
Esta história está na Bíblia, no primeiro livro de Samuel, capítulo 3.
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