O Menino que Dividiu o Lanche

Era uma vez um menino que morava perto de um grande lago, numa terra chamada Galileia.
A mamãe dele acordava cedo todo dia para fazer pão. E naquela manhã, antes de ele sair, ela encheu uma cestinha com cinco pãezinhos redondos e dois peixinhos salgados.
— É o seu lanche — disse ela. — Não deixe cair no caminho.
— Pode deixar, mamãe!
E o menino saiu, com a cestinha bem agarrada nos braços.
A multidão
Naquele dia, muita gente andava pela estrada na mesma direção. Eram famílias, avós, mães com bebês no colo, homens que tinham largado o trabalho.
— Para onde todo mundo está indo? — perguntou o menino a uma senhora.
— Vamos ouvir Jesus! — respondeu ela. — Ele ensina coisas lindas e cuida de quem está doente.
O menino ficou curioso, e foi atrás.
Chegando a uma colina verde, perto da água, ele viu Jesus sentado na grama, rodeado de gente. Falava com calma, e todos ouviam em silêncio.
O menino sentou lá no fundo, com a cesta no colo, e ficou escutando também.
A tarde passou
O tempo foi passando. O sol foi descendo, e as sombras ficaram compridas.
Os discípulos, que eram os amigos mais próximos de Jesus, começaram a ficar preocupados.
— Mestre, já está tarde — disseram. — Esse lugar é longe de tudo. Mande o povo ir comprar comida nos povoados.
— Eles não precisam ir embora — disse Jesus. — Deem vocês mesmos de comer a eles.
Os discípulos se olharam, espantados.
— Mestre, aqui tem cerca de cinco mil homens, fora as mulheres e as crianças! Nem o dinheiro de oito meses de trabalho compraria pão para todos.
Um deles se chamava André. Ele começou a andar no meio do povo, procurando alguma comida.
O menino
E foi aí que André viu o menino com a cestinha.
— Você tem comida aí? — perguntou ele.
— Tenho. Cinco pãezinhos e dois peixes.
André ficou pensando. Era tão pouco. Mas mesmo assim, ele disse:
— Quer vir comigo falar com Jesus?
O menino ficou um pouco tímido. Aquele lanche era dele, e a barriga já estava roncando.
Mas ele olhou em volta e viu tanta gente com fome, até criança do tamanho dele. Respirou fundo.
— Quero, sim.
Pouca coisa
André levou o menino até Jesus.
— Mestre, este menino tem cinco pães e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?
Jesus olhou para o menino e sorriu.
— Obrigado por dividir o que tem — disse. — Pode me dar a cesta?
O menino estendeu a cestinha com as duas mãos.
Jesus pegou os pães e os peixes, ergueu os olhos para o céu e agradeceu a Deus pelo alimento. Depois, pediu aos discípulos:
— Façam o povo sentar na grama, em grupos.
Para todos
As pessoas foram se sentando, em rodinhas, de cinquenta em cinquenta, sobre a grama verde.
Jesus partiu o pão. Partiu o peixe. Entregou os pedaços aos discípulos, e eles foram passando de mão em mão.
E o pão não acabava. E o peixe não acabava.
O menino, sentado no meio do povo, olhava boquiaberto. Uma senhora lhe deu um pedaço de pão quentinho, e ele comeu, com um sorriso enorme.
Todos comeram até ficar satisfeitos. Os bebês, os velhinhos, os trabalhadores cansados, os meninos e as meninas.
Os cestos
Quando terminou, Jesus disse aos discípulos:
— Recolham o que sobrou, para que nada se perca.
Os discípulos foram juntando os pedaços, e encheram doze cestos.
Doze cestos cheios, com a comida que tinha saído de uma cestinha de menino.
— Quem diria — disse André, baixinho, olhando para o menino. — Jesus fez maravilhas com o que você deu.
O menino ficou tão feliz que quase não conseguiu falar.
Boa noite
O sol se pôs sobre o lago, e o céu ficou cor de laranja e rosa. As pessoas começaram a voltar para casa, conversando baixinho, contentes e de barriga cheia.
O menino foi caminhando para casa. Não tinha mais lanche na cesta, mas o coração estava tão cheio que parecia que ia transbordar.
Quando chegou, a mamãe perguntou:
— E o seu lanche?
— Eu dividi, mamãe. E deu para todo mundo!
A mamãe o abraçou, sem entender direito, mas sentindo que o filho tinha aprendido algo grande.
Naquela noite, o menino dormiu logo, com um sorriso no rosto. E sonhou com uma colina verde, cheia de gente feliz.
Boa noite, pequeno leitor. Quando você divide, o que é pouco pode ser o bastante.
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