O Menino que Dividiu o Lanche

4 min de leituraHistorinha para dormir
O Menino que Dividiu o Lanche
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Era uma vez um menino que morava perto de um grande lago, numa terra chamada Galileia.

A mamãe dele acordava cedo todo dia para fazer pão. E naquela manhã, antes de ele sair, ela encheu uma cestinha com cinco pãezinhos redondos e dois peixinhos salgados.

— É o seu lanche — disse ela. — Não deixe cair no caminho.

— Pode deixar, mamãe!

E o menino saiu, com a cestinha bem agarrada nos braços.

A multidão

Naquele dia, muita gente andava pela estrada na mesma direção. Eram famílias, avós, mães com bebês no colo, homens que tinham largado o trabalho.

— Para onde todo mundo está indo? — perguntou o menino a uma senhora.

— Vamos ouvir Jesus! — respondeu ela. — Ele ensina coisas lindas e cuida de quem está doente.

O menino ficou curioso, e foi atrás.

Chegando a uma colina verde, perto da água, ele viu Jesus sentado na grama, rodeado de gente. Falava com calma, e todos ouviam em silêncio.

O menino sentou lá no fundo, com a cesta no colo, e ficou escutando também.

A tarde passou

O tempo foi passando. O sol foi descendo, e as sombras ficaram compridas.

Os discípulos, que eram os amigos mais próximos de Jesus, começaram a ficar preocupados.

— Mestre, já está tarde — disseram. — Esse lugar é longe de tudo. Mande o povo ir comprar comida nos povoados.

— Eles não precisam ir embora — disse Jesus. — Deem vocês mesmos de comer a eles.

Os discípulos se olharam, espantados.

— Mestre, aqui tem cerca de cinco mil homens, fora as mulheres e as crianças! Nem o dinheiro de oito meses de trabalho compraria pão para todos.

Um deles se chamava André. Ele começou a andar no meio do povo, procurando alguma comida.

O menino

E foi aí que André viu o menino com a cestinha.

— Você tem comida aí? — perguntou ele.

— Tenho. Cinco pãezinhos e dois peixes.

André ficou pensando. Era tão pouco. Mas mesmo assim, ele disse:

— Quer vir comigo falar com Jesus?

O menino ficou um pouco tímido. Aquele lanche era dele, e a barriga já estava roncando.

Mas ele olhou em volta e viu tanta gente com fome, até criança do tamanho dele. Respirou fundo.

— Quero, sim.

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Pouca coisa

André levou o menino até Jesus.

— Mestre, este menino tem cinco pães e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?

Jesus olhou para o menino e sorriu.

— Obrigado por dividir o que tem — disse. — Pode me dar a cesta?

O menino estendeu a cestinha com as duas mãos.

Jesus pegou os pães e os peixes, ergueu os olhos para o céu e agradeceu a Deus pelo alimento. Depois, pediu aos discípulos:

— Façam o povo sentar na grama, em grupos.

Para todos

As pessoas foram se sentando, em rodinhas, de cinquenta em cinquenta, sobre a grama verde.

Jesus partiu o pão. Partiu o peixe. Entregou os pedaços aos discípulos, e eles foram passando de mão em mão.

E o pão não acabava. E o peixe não acabava.

O menino, sentado no meio do povo, olhava boquiaberto. Uma senhora lhe deu um pedaço de pão quentinho, e ele comeu, com um sorriso enorme.

Todos comeram até ficar satisfeitos. Os bebês, os velhinhos, os trabalhadores cansados, os meninos e as meninas.

Os cestos

Quando terminou, Jesus disse aos discípulos:

— Recolham o que sobrou, para que nada se perca.

Os discípulos foram juntando os pedaços, e encheram doze cestos.

Doze cestos cheios, com a comida que tinha saído de uma cestinha de menino.

— Quem diria — disse André, baixinho, olhando para o menino. — Jesus fez maravilhas com o que você deu.

O menino ficou tão feliz que quase não conseguiu falar.

Boa noite

O sol se pôs sobre o lago, e o céu ficou cor de laranja e rosa. As pessoas começaram a voltar para casa, conversando baixinho, contentes e de barriga cheia.

O menino foi caminhando para casa. Não tinha mais lanche na cesta, mas o coração estava tão cheio que parecia que ia transbordar.

Quando chegou, a mamãe perguntou:

— E o seu lanche?

— Eu dividi, mamãe. E deu para todo mundo!

A mamãe o abraçou, sem entender direito, mas sentindo que o filho tinha aprendido algo grande.

Naquela noite, o menino dormiu logo, com um sorriso no rosto. E sonhou com uma colina verde, cheia de gente feliz.

Boa noite, pequeno leitor. Quando você divide, o que é pouco pode ser o bastante.

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