O Dragão que Soprava Nuvens

No alto do Pico da Tempestade, vivia uma comunidade de dragões ferozes. Eles eram enormes, com escamas duras como aço e, o mais importante: todos cuspiam fogo. Grandes labaredas vermelhas, azuis e laranjas que iluminavam o céu noturno.
Todos, exceto Nimbo.
Nimbo era um dragãozinho pequeno, de cor azul-bebê e olhos grandes e brilhantes. Ele tentava com todas as suas forças ser assustador. Ele estufava o peito, fazia uma cara brava e soltava um rugido… mas o que saía de sua boca não era fogo.
Quando Nimbo soprava, saíam bolhas de sabão e pequenas nuvens de algodão-doce.
— Puf! — fazia a boca dele, soltando uma nuvenzinha rosa.
Os outros dragões riam. — Olha lá o Nimbo! — zombava Brutus, o maior dragão da turma. — Vai fazer o quê? Limpar o chão do castelo com essas bolhas?
Nimbo ficava triste e voava para longe, escondendo-se nas cavernas mais baixas. Ele se sentia inútil. Para que servia um dragão que não queimava nada?
O Grande Verão Seco
Certo ano, um verão terrível atingiu o reino que ficava ao pé da montanha. O sol estava tão forte que secou os rios. As plantações de trigo ficaram amarelas e murchas. As crianças não brincavam mais na rua porque estava quente demais.
O Rei, desesperado, subiu a montanha para pedir ajuda aos dragões. — Ó, poderosos dragões! — implorou o Rei. — Precisamos de ajuda. O frio da noite nos abandonou. Vocês podem fazer algo?
Brutus e os outros dragões se entreolharam. — Nós cuspimos fogo, Majestade — disse Brutus, soltando uma fumaça preta. — Se descermos lá, só vamos piorar o calor. Fogo não combate seca.
O Rei baixou a cabeça, desanimado, e começou a descer a montanha. O reino parecia condenado.
A Coragem de Nimbo
Nimbo observava tudo de trás de uma rocha. Ele sentiu seu coração bater forte. Ele sabia que não tinha fogo, mas talvez… talvez o que ele tivesse fosse exatamente o que o reino precisava.
Ele abriu suas asas azuis e mergulhou em direção à vila. — O que aquele tonto vai fazer? — perguntou Brutus.
Nimbo chegou sobre a praça central da vila, onde o calor era insuportável. As pessoas olharam para cima, assustadas, esperando chamas.
Nimbo encheu os pulmões com todo o ar que conseguia. Ele pensou em coisas frias: sorvete de menta, ventos de inverno e água fresca.
— FUUUUUUUUUUU!
De sua boca não saiu destruição. Saiu uma corrente gigantesca de nuvens brancas, densas e úmidas, misturadas com milhares de bolhas brilhantes que estouravam com um frescor mágico.
As nuvens de Nimbo cobriram o sol escaldante, criando uma sombra deliciosa. As bolhas estouravam e liberavam uma chuva fina e geladinha que cheirava a orvalho da manhã.
— É chuva! É sombra! — gritaram as crianças, correndo para estourar as bolhas. As plantas se ergueram novamente, o rio voltou a correr devagar e o ar ficou fresco e respirável.
O Novo Guardião
Quando Nimbo pousou, exausto, o povo não correu de medo. Eles correram para abraçá-lo (o que era fácil, já que suas escamas não queimavam; eram fresquinhas).
Do alto da montanha, os outros dragões assistiam, boquiabertos. Eles podiam destruir exércitos, mas só Nimbo podia salvar a vida daquela forma.
Daquele dia em diante, Nimbo não foi mais zombado. Ele ganhou o título de “O Guardião da Brisa”. E, nos dias muito quentes, todos no reino sabiam: bastava olhar para o céu e esperar pelas nuvens de algodão-doce do pequeno dragão azul.
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