O bom amigo da estrada

10 min de leituraHistorinha para dormir
O bom amigo da estrada
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Há muito, muito tempo, na terra onde Jesus vivia e contava suas histórias, existia uma estrada muito famosa e um pouquinho assustadora. Ela ligava duas grandes cidades: Jerusalém, a cidade alta e santa, e Jericó, a cidade das palmeiras, que ficava lá embaixo no vale.

Não era uma estrada como as nossas, com asfalto lisinho e postes de luz. Ah, não! Era uma estrada de terra amarela, cheia de pedras pontudas, curvas perigosas e cavernas escuras. O sol batia forte na cabeça dos viajantes, e o vento soprava poeira nos olhos. Mas o maior perigo não era o sol, nem as pedras. Eram os ladrões que gostavam de se esconder atrás das rochas para pegar as malas de quem passava sozinho.

Nessa estrada, nossa história começa com um homem chamado Benjamim.

Benjamim era um comerciante judeu, um homem bondoso que estava voltando para casa depois de trabalhar em Jerusalém. Ele cantarolava uma música alegre enquanto caminhava, pensando no jantar gostoso que teria quando chegasse a Jericó. Ele levava uma bolsa com moedas que ganhou com seu trabalho e algumas roupas novas.

— Só mais algumas curvas — pensou Benjamim, limpando o suor da testa. — Logo estarei em casa.

De repente, de trás de uma grande rocha, surgiram sombras rápidas. Eram bandidos! Antes que Benjamim pudesse correr ou gritar por socorro, eles o cercaram. Eles não foram nada gentis. Empurraram Benjamim no chão duro, pegaram sua bolsa de moedas, suas roupas novas e até o seu manto. Na confusão, Benjamim se machucou bastante.

Os ladrões fugiram correndo, deixando Benjamim caído na beira da estrada, sob o sol quente. Ele tentou se levantar, mas estava muito fraco e doía muito. Ele estava com sede, machucado e sozinho.

— Socorro… alguém me ajude… — sussurrou ele, mas sua voz era fraca como o zumbido de uma abelha.

O tempo passou. O sol ficou mais quente. Benjamim já estava quase desistindo quando ouviu um som. Toc-toc, toc-toc. Eram passos!

Ele abriu um olho inchado e viu alguém se aproximando. Seu coração se encheu de esperança. Pela roupa elegante, Benjamim reconheceu: era um Sacerdote. Um Sacerdote era um homem muito importante, que trabalhava no Templo de Deus. Ele ensinava as pessoas a serem boas. “Com certeza ele vai me ajudar”, pensou Benjamim. “Ele trabalha para Deus!”

O Sacerdote vinha caminhando, segurando seus mantos chiques para não sujar de poeira. Quando ele viu Benjamim caído, machucado e sujo de terra, ele parou. Mas, em vez de correr para ajudar, o Sacerdote fez uma cara feia. Ele pensou: — Ai, ai, ai. Olha só aquele homem. Está todo sujo e machucado. Se eu tocar nele, vou sujar minha roupa de cerimônia. E se os ladrões ainda estiverem por perto? Eu posso me machucar também. Eu tenho coisas importantes para fazer no templo. Alguém vai ajudar, mas não eu.

E assim, o Sacerdote atravessou para o outro lado da estrada, apressou o passo e foi embora, deixando Benjamim ali.

Benjamim sentiu uma lágrima escorrer pelo rosto. A esperança diminuiu. Mas, pouco tempo depois, ele ouviu outros passos. Pof-pof, pof-pof.

Era um Levita. Os Levitas eram os ajudantes do templo. Eles cuidavam da música e da limpeza da casa de Deus. Eles conheciam todas as regras da religião. “Agora sim”, pensou Benjamim. “O Sacerdote estava ocupado, mas o Levita vai parar. Ele é como um irmão para mim.”

O Levita chegou perto. Ele olhou para Benjamim. Ele parou por um momento. A curiosidade fez com que ele se aproximasse um pouco. Mas então, o medo falou mais alto em seu coração. — Nossa, ele parece muito mal — pensou o Levita. — Mas… e se ele estiver fingindo? E se for uma armadilha? É muito perigoso parar nesta estrada. Melhor eu não me envolver. Tenho pressa.

E, assim como o primeiro homem, o Levita atravessou a rua, olhou para frente e fingiu que não viu nada. Passou longe, bem longe.

Agora, o sol estava se pondo. O frio da noite começava a chegar. Benjamim não tinha mais esperanças. Ele fechou os olhos, sentindo muita dor e tristeza. Ele pensou que ninguém no mundo se importava com ele.

Foi então que ouviu um som diferente. Ióóó! Ióóó! Era o barulho de um burrinho. E junto com ele, o som de cascos. Cloc-cloc, cloc-cloc.

Um terceiro viajante apareceu na curva. Mas quando Benjamim viu quem era, ele estremeceu de medo, e não de alívio. O homem que vinha montado no burrinho era um Samaritano.

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Para você entender, crianças, naquela época, o povo de Benjamim (os judeus) e o povo daquele viajante (os samaritanos) não se davam bem. Eles eram como torcidas de times rivais que brigavam muito, ou como vizinhos que não se falavam há anos. Eles não se olhavam, não se emprestavam açúcar e certamente não se ajudavam na estrada.

Benjamim pensou: “Ele vai rir de mim. Ou vai terminar de me roubar. Ele é meu inimigo.”

O Samaritano, cujo nome vamos imaginar que fosse Samuel, viu o homem caído. Samuel poderia ter pensado: “Ah, é um judeu. Eles não gostam de mim. Vou deixar ele aí.” Ele poderia ter pensado: “Estou cansado e quero chegar logo em casa.” Ele poderia ter pensado: “É perigoso.”

Mas Samuel não pensou em nada disso. Quando ele olhou para Benjamim, ele não viu um judeu, nem um inimigo, nem um estranho. Ele viu apenas alguém que precisava de amor. O coração de Samuel se apertou de compaixão. Era uma pena, uma dó profunda que mexia com a barriga dele.

Imediatamente, Samuel puxou as rédeas do burrinho. Ele pulou no chão e correu até Benjamim. Ele não se importou se ia sujar sua roupa. Ele não se importou se era perigoso.

Samuel se ajoelhou na poeira. — Calma, amigo — disse Samuel, com uma voz doce. — Eu vou ajudar você.

Samuel abriu sua bolsa de viagem. Ele pegou azeite e vinho (que naquela época eram usados como remédio para limpar machucados) e tratou as feridas de Benjamim com muito cuidado, como uma mãe cuida do joelho ralado do filho. Depois, ele rasgou pedaços de seu próprio pano para fazer faixas e cobrir os cortes.

Benjamim olhava para aquele homem, surpreso. As mãos do “inimigo” eram gentis. O olhar dele era bondoso.

Mas Samuel não parou por aí. Benjamim não conseguia andar. Então, Samuel, que estava cansado da viagem, fez um sacrifício. Ele levantou Benjamim com força e cuidado e o colocou sentado em cima do seu burrinho confortável. Agora, era Samuel quem ia a pé, guiando o animal, enquanto Benjamim ia montado.

Eles caminharam juntos até chegarem a uma estalagem (que é como um hotel antigo). Já era noite. Samuel alugou um quarto, colocou Benjamim na cama, deu água fresca para ele beber e ficou cuidando dele a noite toda, garantindo que ele não tivesse febre.

Na manhã seguinte, Samuel precisava seguir viagem. Mas ele não abandonou Benjamim. Ele chamou o dono da estalagem, pegou duas moedas de prata muito valiosas (o suficiente para pagar muitos dias de hospedagem e comida) e as entregou ao dono.

— Cuide bem deste homem — disse Samuel. — Dê a ele comida, cama limpa e remédios. Se você gastar mais do que isso, não se preocupe. Quando eu voltar da minha viagem, eu pagarei a diferença.

Benjamim, deitado na cama, ouviu tudo. Ele não conseguia acreditar. O Sacerdote não parou. O Levita não parou. Mas o Samaritano… o homem que ele achava que era diferente e estranho… aquele homem salvou a sua vida.

Samuel deu um último aceno para Benjamim e seguiu seu caminho.

O Ensinamento de Jesus

Quando Jesus terminou de contar essa história para as pessoas que o ouviam, ele fez uma pergunta muito importante: — Qual desses três homens vocês acham que foi o verdadeiro amigo, o verdadeiro “próximo” do homem machucado?

As pessoas responderam: — Aquele que teve misericórdia. Aquele que ajudou.

Jesus sorriu e disse a frase que ecoa até hoje em nossos corações: — Vão e façam a mesma coisa.

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