Lumina, a Peixinha-Lanterna que Iluminou o Abismo

4 min de leituraHistorinha para dormir
Lumina, a Peixinha-Lanterna que Iluminou o Abismo
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Muito abaixo de onde os raios de sol conseguem alcançar, existia a Zona Abissal. Era um mundo de escuridão fria e silenciosa, iluminado apenas pelos próprios moradores: águas-vivas que piscavam em neon, lulas que brilhavam em azul e, claro, os temíveis peixes-lanterna.

Lumina era uma peixinha-lanterna. Ela tinha uma antena na testa com uma bolinha na ponta que brilhava como uma estrela cadente. Mas ela também tinha uma boca enorme, cheia de dentes tão longos e afiados que nem cabiam direito dentro da boca.

Por causa de sua aparência, todos fugiam dela. Se ela tentasse sorrir e dizer "Bom dia!" para um caranguejo, ele se enterrava na areia em pânico. Se ela acenasse com a barbatana para os peixes-fantasma, eles desmaiavam de susto.

O que ninguém sabia era que Lumina não queria devorar ninguém. Na verdade, ela tinha pavor de caçar. Ela adorava comer algas doces e colecionava conchinhas brilhantes. Seu coração era tão mole quanto uma esponja-do-mar.

— Eu nasci com a cara errada — suspirava Lumina, olhando seu reflexo distorcido em uma pérola negra. — Minha luz só serve para enganar os outros. Eu pareço um monstro.

Cansada de assustar as pessoas, Lumina tomou uma decisão triste. Ela nadou até o fundo de uma caverna escura, enrolou uma alga espessa em volta da bolinha brilhante de sua antena e prometeu a si mesma que nunca mais a acenderia. Ela viveria no escuro, onde ninguém pudesse ver seus dentes, e assim ninguém teria medo dela.

Dias se passaram na escuridão. Até que, uma tarde (ou noite, era difícil saber no fundo do mar), o chão do oceano tremeu violentamente. Era um maremoto. A água girou com força, levantando nuvens de areia grossa que cegavam qualquer um.

Quando a água finalmente se acalmou, Lumina ouviu um choro fininho vindo de fora de sua caverna. Ela espiou pelas pedras e viu algo de cortar o coração: um grupo de dez cavalos-marinhos bebês, agarrados uns aos rabilhos dos outros, tremendo de frio e medo.

Eles haviam sido arrastados pela correnteza direto para a entrada da Fenda da Meia-Noite, um labirinto de rochas pontiagudas e cavernas sem saída de onde nenhum peixinho costumava voltar. O professor deles havia se perdido na tempestade de areia.

Lumina sabia que a fenda era perigosa. Ela precisava ajudá-los. Mas se ela saísse das sombras, eles veriam seus dentes e morreriam de susto!

O choro dos bebês ficou mais alto. A escuridão da fenda estava prestes a engoli-los.

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Esquecendo o próprio medo de ser rejeitada, Lumina tirou a alga que cobria sua antena. Ela pensou no quanto queria ajudar aqueles pequeninos e, de repente, sua luz não brilhou com o azul frio e predatório dos outros peixes-lanterna. Em vez disso, impulsionada pelo seu amor e empatia, a bolinha em sua cabeça acendeu com um brilho dourado e quente, como um pequeno sol submerso.

Ela nadou para fora da caverna.
Quando os cavalos-marinhos viram os dentes de Lumina, eles prenderam a respiração e fecharam os olhos com força, esperando o pior.

— Por favor, não me comam! — disse Lumina, de repente, com a voz embargada e tão assustada quanto eles.

Os cavalos-marinhos abriram um olho. O monstro estava... com medo deles?
— E-eu não como peixes — continuou Lumina, forçando um sorriso desajeitado (o que só mostrava mais os dentes, mas ela tentou). — Eu sei que eu pareço assustadora. Se quiserem, podem fechar os olhos. Apenas segurem-se na minha cauda e sigam a minha luz. Eu vou tirar vocês daqui.

A luz dourada de Lumina era tão aconchegante e sua voz era tão doce que o menor dos cavalos-marinhos, um amarelinho chamado Pip, nadou até ela e enrolou a cauda em sua barbatana traseira. Lentamente, os outros fizeram o mesmo, formando um trenzinho.

Lumina nadou para dentro da Fenda da Meia-Noite. Com sua luz poderosa, ela revelou perigos que eles nunca veriam no escuro: corais venenosos, pedras soltas e buracos fundos. Mas a luz dourada também revelou coisas maravilhosas: cristais de quartzo que brilhavam como diamantes e anêmonas que dançavam com as cores do arco-íris. Com Lumina os guiando, o labirinto aterrorizante virou um passeio mágico.

Eles nadaram por horas até finalmente encontrarem a saída, onde o Professor Cavalo-Marinho nadava em círculos, desesperado.

Quando ele viu seus alunos perfeitamente a salvo, guiados pelo maior e mais dentuço peixe-lanterna do abismo, ele quase desmaiou. Mas os bebês soltaram a cauda de Lumina e nadaram ao redor dela, abraçando seu focinho grande.

— Ela é a nossa heroína, Professor! — gritou Pip. — Os dentes dela são grandes, mas o coração dela é muito maior!

A notícia do resgate se espalhou por toda a Zona Abissal. Em poucos dias, ninguém mais fugia de Lumina. Pelo contrário! Quando caranguejos perdiam suas moedas brilhantes no escuro, eles chamavam Lumina. Quando os peixes-fantasma queriam ler histórias à noite, eles sentavam perto de Lumina.

Ela descobriu que sua aparência não definia quem ela era. Seus dentes podiam ser assustadores, mas a luz que vinha de dentro dela era mais do que suficiente para iluminar o abismo e aquecer as águas mais frias do oceano.

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