José do Egito

9 min de leituraHistorinha para dormir
José do Egito
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Há muito, muito tempo, nas terras quentes de Canaã, vivia um rapaz chamado José. José não era um menino comum; ele tinha um brilho especial nos olhos, como se estivesse sempre a ver coisas que ninguém mais via. E, na verdade, ele via mesmo. José era um sonhador.

O seu pai, Jacó, amava-o muito. Talvez até um bocadinho demais, pensavam os irmãos de José. Eram onze irmãos, todos mais velhos e fortes, que passavam o dia a cuidar das ovelhas sob o sol escaldante. José, sendo um dos mais novos, ficava muitas vezes perto do pai, ouvindo histórias antigas.

Um dia, para mostrar o quanto amava José, Jacó deu-lhe um presente que faria qualquer um parar para olhar: uma túnica. Mas não era uma túnica castanha e simples como a dos pastores. Era um casaco longo, tecido com as cores mais vibrantes que se possa imaginar — vermelho como o pôr do sol, azul como o céu de verão, e amarelo como o trigo maduro. Era o casaco mais bonito de toda a Canaã.

Quando José vestiu aquele casaco e girou, as cores dançaram. Mas os olhos dos seus irmãos não brilharam de alegria; escureceram de ciúme. — Por que é que ele ganha um casaco de príncipe e nós só ganhamos trabalho duro? — resmungavam eles à beira da fogueira.

Para piorar, José começou a ter sonhos estranhos. — Sabem o que sonhei? — contou ele numa manhã, inocentemente. — Sonhei que estávamos no campo a amarrar feixes de trigo. De repente, o meu feixe levantou-se e ficou em pé, e os vossos feixes curvaram-se diante do meu!

Os irmãos ficaram furiosos. — Achas que vais reinar sobre nós, ó “Grande Sonhador”? — gozaram eles.

A inveja é como uma erva daninha; se não for cortada, cresce e sufoca tudo o que é bom. E a inveja dos irmãos cresceu tanto que, num dia triste, eles fizeram algo terrível. Quando José foi levar-lhes comida ao campo, longe dos olhos do pai, eles agarraram-no.

— Vamos acabar com esses sonhos! — disseram.

Eles venderam o próprio irmão a uns mercadores que passavam em camelos, a caminho de um país distante e misterioso chamado Egito. Levaram o casaco colorido, mas José foi levado para longe, sozinho e com medo.

No Egito, tudo era diferente. As pirâmides tocavam o céu e o rio Nilo parecia um mar. José, que antes usava um casaco de príncipe, agora era um servo. Ele trabalhava na casa de um homem importante chamado Potifar.

Mas José tinha um segredo: ele não estava sozinho. Deus estava com ele. Mesmo a esfregar o chão ou a servir mesas, José fazia tudo com excelência e honestidade. Potifar percebeu isso e logo colocou José a cuidar de toda a sua casa.

Porém, a vida de José parecia uma montanha-russa. Justo quando tudo ia bem, ele foi acusado injustamente de algo que não fez e foi atirado para uma prisão escura e fria.

Imaginem como seria fácil para José ficar zangado. Ele podia ter pensado: “Isto não é justo! Eu fui bom e olha onde vim parar!”. Mas José não deixou o seu coração ficar amargo. Mesmo na prisão, ele ajudava os outros presos, ouvia as suas histórias e tentava animá-los. Ele brilhava, mesmo no escuro.

Uma noite, dois servos do Faraó (o rei do Egito) que estavam presos tiveram sonhos que não conseguiam entender. José, com a ajuda de Deus, explicou o significado dos sonhos. E aconteceu exatamente como ele disse: um servo voltou ao palácio e o outro não.

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Dois anos se passaram. José continuava preso, quase esquecido. Até que, numa noite quente, o próprio Faraó teve um sonho que o assustou. Ele viu vacas gordas sendo engolidas por vacas magras! Nenhum sábio do Egito conseguia explicar aquilo.

Foi então que o servo que tinha sido solto se lembrou: — Majestade! Conheço um jovem na prisão. Ele sabe decifrar sonhos.

José foi chamado. Ele tomou banho, fez a barba e apresentou-se diante do homem mais poderoso da Terra. — Não sou eu quem sabe, Majestade — disse José com humildade. — É Deus quem dá a resposta.

José explicou: — As vacas gordas são sete anos de muita comida e fartura. As vacas magras são sete anos de fome que virão depois. O Egito precisa guardar comida agora, enquanto há muita, para não passar fome depois.

O Faraó ficou impressionado. Não apenas com a sabedoria, mas com o espírito de José. — Quem melhor para fazer isso do que tu? — disse o Faraó, tirando o anel do próprio dedo e colocando-o em José. — A partir de hoje, tu governas o Egito. Só eu serei maior que tu.

Num instante, o prisioneiro tornou-se príncipe! José trabalhou muito. Construiu celeiros gigantes e guardou montanhas de trigo. E quando a fome chegou, como ele previra, o Egito tinha pão.

A fome espalhou-se por todo o mundo, chegando até Canaã, onde vivia um velho pai e os seus onze filhos. Jacó, sem saber de nada, mandou os seus filhos ao Egito para comprar comida.

Quando os irmãos chegaram ao Egito, curvaram-se diante do Governador, sem o reconhecer. José, agora homem feito e vestido com roupas egípcias, reconheceu-os imediatamente. O seu coração bateu forte. Ali estavam os irmãos que o tinham vendido. Ele tinha todo o poder do mundo nas mãos. Podia mandá-los prender. Podia vingar-se.

José decidiu testá-los para ver se tinham mudado. Fez algumas perguntas duras, mas viu que eles estavam arrependidos e que se preocupavam com o pai e com o irmão mais novo, Benjamim.

Não aguentando mais, José mandou todos os guardas saírem da sala. E começou a chorar. — Eu sou José! — disse ele, em soluços. — O meu pai ainda está vivo?

Os irmãos ficaram pálidos de medo. José, o irmão que eles traíram, era o dono das suas vidas!

Mas José abriu os braços. Não havia raiva nos seus olhos, apenas saudade e amor. — Não tenham medo — disse José, abraçando-os. — Vocês pensaram em fazer-me mal, mas Deus transformou isso em bem. Se eu não tivesse vindo para cá, não teria guardado comida, e todos nós morreríamos de fome agora. Deus enviou-me à frente para salvar a nossa família.

Foi um choro de alegria que ecoou pelo palácio. José mandou buscar o seu pai. Quando o velho Jacó chegou e viu o seu filho amado, que pensava estar morto, vivo e governando o Egito, foi o dia mais feliz da sua vida.

A família estava reunida de novo. E José, o menino do casaco colorido, ensinou ao mundo a maior lição de todas: que o perdão é mais poderoso que a vingança, e que, mesmo nos dias mais escuros, Deus está a escrever uma linda história de luz.

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