Jesus Acalma a Tempestade

9 min de leituraHistorinha para dormir
Jesus Acalma a Tempestade
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Era uma vez, num lugar muito bonito chamado Galileia, um lago tão grande, mas tão grande, que as pessoas de lá o chamavam de “Mar”. As águas eram azuis como o céu num dia limpo e, nas margens, montanhas verdes abraçavam a paisagem como se estivessem a proteger um tesouro.

Naquele dia específico, o sol tinha brilhado forte desde manhã cedo. As margens do lago estavam cheias de gente. Eram homens, mulheres, avôs, avós e muitas crianças a correr. Todos estavam lá por um motivo especial: queriam ver Jesus.

Jesus tinha passado o dia inteiro a ensinar. A voz d’Ele era diferente de todas as outras. Não era uma voz de quem grita zangado, nem de quem fala baixinho com medo. Era uma voz que parecia um abraço. Quando Ele falava sobre o amor de Deus, sobre perdoar os amigos e ajudar quem precisa, as pessoas esqueciam-se da fome, do cansaço e até das suas preocupações.

Mas, quando o sol começou a pintar o céu de cor-de-rosa e laranja, anunciando que a noite estava a chegar, Jesus sentiu-se cansado. Afinal, Ele também era humano. Os seus pés doíam de ficar em pé, e a sua voz estava rouca.

— Vamos para o outro lado do lago — disse Jesus aos seus amigos mais próximos, os Discípulos. — Vamos descansar um pouco longe da multidão.

Os Discípulos, que amavam estar com Jesus, prepararam prontamente um barco. Não era um navio gigante como os cruzeiros de hoje, mas um barco de pesca simples, feito de madeira forte, com velas que se estufavam quando o vento soprava e remos para quando o vento parava. Alguns dos amigos de Jesus, como Pedro, Tiago e João, eram pescadores experientes. Eles conheciam aquele lago como a palma das suas mãos. Sabiam o nome de cada vento e a profundidade de cada parte da água.

Eles ajudaram Jesus a entrar no barco. Jesus caminhou até à parte de trás, chamada popa, onde havia uma almofada macia. Ele sentou-se, encostou a cabeça e, em poucos minutos, os seus olhos fecharam-se. A respiração d’Ele ficou suave e rítmica. Jesus estava a dormir um sono profundo e merecido.

O barco partiu. No início, a viagem foi tranquila. A lua cheia refletia na água como uma estrada de prata, e o único som que se ouvia era o splash-splash suave das ondas batendo na madeira e o crec-crec dos remos. Os Discípulos conversavam baixinho para não acordar o Mestre.

— Foi um dia incrível, não foi? — sussurrou André. — Sim, nunca vi ninguém ensinar como Ele — respondeu Tiago.

Mas, na Galileia, o tempo pode ser um pouco brincalhão e traiçoeiro. De repente, o ar ficou frio. As estrelas, que piscavam felizes, foram engolidas por nuvens grossas e escuras que apareceram do nada. O vento, que antes era uma brisa suave fazendo carinho no rosto, transformou-se num uivo assustador. Fiuuuuuu!

Era uma tempestade. E não uma tempestade qualquer. Era uma tempestade furiosa.

As ondas, que antes eram pequenas marolas, começaram a crescer. Ficaram grandes como muros de água. O barco subia no topo da onda e — VUUUSHH — descia com força, batendo na água lá em baixo. A água começou a entrar no barco. Primeiro, molhou os pés dos Discípulos. Depois, os tornozelos.

— Rápido! Tirem a água! — gritou Pedro, tentando gritar mais alto que o trovão.

Eles pegaram em baldes, tigelas, o que tinham à mão, e começaram a jogar a água para fora. Mas, por cada balde que tiravam, duas ondas enormes entravam. O barco balançava para a esquerda, balançava para a direita, rangia e estalava como se fosse partir-se ao meio.

Os Discípulos, mesmo sendo pescadores experientes, começaram a sentir algo frio no estômago: o medo. Um medo terrível. Eles olharam uns para os outros e viram o pavor nos olhos dos amigos.

— Vamos afundar! — gritou um deles. — Não há nada a fazer!

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Foi então que alguém olhou para a popa do barco. E o que viram foi inacreditável.

No meio daquele caos, com o barco a pular como um cavalo selvagem, com a água a molhar tudo e o vento a gritar, Jesus continuava a dormir. Ele estava lá, tranquilo, com a cabeça na almofada, como se estivesse numa cama de penas no quarto mais silencioso do mundo. A paz d’Ele era tão grande que nem a tempestade conseguia tocá-la.

Desesperados, os Discípulos correram até Ele. Eles sacudiram o Mestre com força.

— Mestre! Mestre! — gritaram eles, com a voz embargada de choro. — Acorda! Não Te importas que morramos? O barco vai afundar! Salva-nos!

Jesus abriu os olhos. Ele não acordou assustado. Ele não olhou em volta com medo. Ele simplesmente levantou-Se.

Imaginem a cena: o barco a balançar, a chuva a molhar o rosto de Jesus, o vento a despentear o cabelo d’Ele. Mas Ele permaneceu firme, como uma rocha.

Jesus olhou para o vento furioso. Olhou para as ondas gigantes que pareciam monstros de água. E então, Ele falou. Ele não precisou gritar. Ele não precisou fazer magia. Ele apenas usou a Sua autoridade de Filho de Deus.

Ele disse ao vento e ao mar: — Silêncio! Aquietem-se!

E, naquele mesmo instante, aconteceu o milagre mais impressionante que aqueles homens já tinham visto.

O vento parou. Não foi devagarinho, a diminuir aos poucos. Ele parou de repente, como se alguém tivesse desligado um interruptor. As nuvens negras dissiparam-se a correr, com medo da voz de Jesus. As ondas gigantes baixaram a cabeça e a água ficou lisa, calma e brilhante como um espelho de vidro.

Fez-se um grande silêncio. Um silêncio tão profundo que eles podiam ouvir a própria respiração.

O barco parou de balançar. A lua voltou a brilhar, iluminando o rosto molhado e espantado dos Discípulos.

Jesus olhou para os Seus amigos. Havia amor nos Seus olhos, mas também uma lição importante. Ele perguntou suavemente: — Por que é que vocês ficaram com tanto medo? Ainda não têm fé? Vocês achavam mesmo que o barco ia afundar comigo aqui dentro?

Os Discípulos olharam uns para os outros, de boca aberta. Eles já tinham visto Jesus curar doentes, mas isto… isto era diferente. — Quem é este homem? — sussurravam eles, maravilhados. — Até o vento e o mar Lhe obedecem!

Naquela noite, eles aprenderam que não importa o tamanho da tempestade. Não importa se o problema parece gigante como uma onda ou assustador como um trovão. Quando Jesus está no barco da nossa vida, não precisamos de ter medo.

O barco seguiu viagem suavemente até à outra margem. E, enquanto remavam sob a luz das estrelas, os corações dos Discípulos estavam cheios de uma paz que ninguém podia tirar. A mesma paz que Jesus tinha quando dormia. A paz de saber que Deus é maior do que qualquer tempestade.

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