Elise do Capuz Vermelho e a Cabana da Fera

5 min de leituraHistorinha para dormir
Elise do Capuz Vermelho e a Cabana da Fera
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Nos arredores da Floresta dos Pinheiros Negros, onde a luz do sol lutava para tocar o chão, vivia um lenhador pobre com sua esposa e seus dois filhos: Elise e o pequeno Tomas. O inverno havia sido rigoroso e a fome era uma visita frequente na pequena choupana.

Elise, a mais velha, usava sempre uma pesada capa de lã vermelha, com um capuz que a protegia do frio cortante. A capa havia sido costurada por sua avó e era a única coisa de valor que a menina possuía.

Uma manhã, a mãe entregou a Elise uma cesta de vime contendo um pedaço de queijo duro, um pão rústico e uma garrafa de vinho.
— Seu avô está muito doente do outro lado da floresta — disse a mãe, com o rosto pálido de preocupação. — Levem isso a ele. Mas ouçam bem: não saiam da trilha de terra batida. A floresta é cheia de sombras e de feras que enganam os olhos e o estômago.

Os irmãos partiram. Tomas, porém, estava com a barriga roncando de fome. O pão rústico na cesta não podia ser tocado. Enquanto caminhavam por entre as árvores escuras, Tomas sentiu um cheiro doce no ar, como o de açúcar sendo derretido no fogo.

— Elise, olhe! — apontou o menino para fora da trilha.

No meio dos arbustos espinhosos, havia pequenas frutas vermelhas que brilhavam como rubis. Elas não pareciam frutas comuns; eram cobertas por uma fina camada de açúcar cristalizado. Tomas correu e comeu uma. Era deliciosa. Mais à frente, havia outra, e depois outra.

— Tomas, volte! Mamãe disse para não sairmos da trilha! — chamou Elise. Mas ao correr atrás do irmãozinho para puxá-lo de volta, a barra de sua capa vermelha enroscou nos espinhos e ela se desorientou.

Seguindo o rastro doce, os dois se viram na parte mais densa e escura da floresta. E lá, em uma clareira silenciosa, encontraram algo inacreditável: uma cabana cujas paredes eram feitas de pão de mel escuro, o telhado era coberto de glacê branco como a neve, e as janelas eram de caramelo transparente.

Famintos, os dois correram até a casa. Tomas começou a morder um pedaço da cerca de biscoito, enquanto Elise quebrava um pedacinho da janela de caramelo.

De repente, a pesada porta de carvalho se abriu com um rangido. Lá dentro, estava uma velha senhora muito curvada, vestindo um xale escuro. Ela tinha um sorriso gentil, mas seus olhos amarelos brilhavam intensamente na penumbra.

— Oh, pobres crianças famintas — disse a velha, com uma voz rouca que soava como folhas secas sendo arrastadas pelo vento. — Entrem, entrem. A menina do capuz vermelho e seu irmãozinho. Tenho tortas de carne e maçãs assadas lá dentro.

Apesar do frio na espinha, a fome falou mais alto, e as crianças entraram.

A cabana era quente e cheirava a canela. Mas, enquanto comiam, Elise começou a notar algo estranho na velhinha que se sentou na frente deles.

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— Senhora — disse Elise, apertando a capa vermelha contra o peito —, por que as suas mãos são tão grandes e peludas?
— São para amassar melhor a massa do pão, minha netinha — respondeu a velha, sorrindo.
— E por que as suas orelhas são tão pontudas sob esse xale?
— São para ouvir melhor o crepitar da lenha no fogo, minha pequena.
— Mas, senhora... por que os seus dentes são tão longos e afiados?

A velha deu uma gargalhada monstruosa. O xale caiu, revelando que não era uma mulher, mas uma terrível Bruxa-Lobo, uma fera antiga coberta de pelos escuros, com garras compridas e fauces babando.
— SÃO PARA MASTIGAR OS SEUS OSSOS MAIS RÁPIDO! — rugiu a criatura.

Antes que pudessem fugir, a Bruxa-Lobo agarrou Tomas e o jogou dentro de uma gaiola de ferro pendurada no teto. Elise tentou correr, mas a criatura bloqueou a porta.

— Você, a do capuz vermelho, será minha escrava! — rosnou a fera. — Vai cozinhar para mim e engordar o seu irmão. Ele está muito magricelo para o meu gosto. Só depois o devorarei, e você será a sobremesa!

Durante semanas, Elise foi forçada a trabalhar. Todos os dias, a Bruxa-Lobo apalpava o dedo de Tomas através das grades para ver se estava gordo. Mas Elise, que era muito astuta, deu a Tomas um pedaço de osso de galinha. Como a visão da fera era turva e ela confiava apenas em seu faro e tato, Tomas estendia o osso, fazendo a Bruxa rosnar de frustração: "Ainda tão magro!".

Até que, um dia, a paciência da Bruxa-Lobo acabou.
— Gordo ou magro, eu o comerei hoje! — gritou ela. — Menina do capuz, acenda o grande forno de pedra. Vá ver se as chamas estão altas o suficiente para assar a carne!

A fera empurrou Elise para perto da porta do forno aberto, onde as labaredas rugiam. A Bruxa pretendia empurrá-la lá dentro, assá-la primeiro e comer Tomas depois.

Mas Elise percebeu a armadilha.
— Eu não sei como olhar lá para dentro — disse Elise, fingindo-se de boba e trêmula. — A porta é muito estreita, e o meu capuz vermelho atrapalha. Como eu devo fazer?

— Criança estúpida! — rosnou a Bruxa-Lobo. — A porta é grande o suficiente! Olhe para mim, até eu consigo colocar a cabeça e os ombros lá dentro!

Quando a fera se abaixou e enfiou a grande cabeça peluda dentro do forno para mostrar a Elise, a menina agiu com a rapidez de um relâmpago. Ela tirou a pesada capa vermelha e jogou-a por cima da cabeça e das costas do lobo, cegando-o. Com um empurrão desesperado usando toda a sua força, Elise atirou a criatura desequilibrada e enrolada no tecido vermelho direto para dentro das chamas, batendo a pesada porta de ferro logo em seguida e passando a tranca.

Os uivos terríveis da Bruxa-Lobo abafaram na escuridão do fogo, até que a cabana ficou em absoluto silêncio.

Elise correu, pegou a chave que estava na mesa e soltou Tomas. Antes de fugirem, os irmãos abriram os baús da cabana e descobriram que estavam cheios de moedas de ouro e joias que a fera havia roubado de outros viajantes.

Eles encheram a cesta que antes guardava o pão, correram pela floresta até encontrar novamente o caminho de terra batida e finalmente chegaram à casa do avô. Com o ouro, compraram remédios, comida farta e nunca mais passaram fome. Mas Elise aprendeu a lição: encomendou uma nova capa, agora de um azul sereno, e prometeu que, por mais doce que a tentação fosse, jamais voltaria a sair do caminho seguro.

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