A Noite do Pequeno Anquilossauro

Há muitos e muitos anos, quando os dinossauros ainda viviam na Terra, uma floresta enorme crescia entre montanhas.
Havia samambaias gigantes, pinheiros altos, e riachos cristalinos.
E, entre as plantas, andava um filhote de anquilossauro.
Ele se chamava Tuco.
O Tuco
O Tuco era um bicho baixo e largo, do tamanho de um cachorro grande.
Tinha o corpo coberto de placas duras, como se alguém tivesse colado muitas conchas nas costas.
Tinha pés curtos e fortes, o focinho largo, e olhos pequenos e curiosos.
E, no final da cauda, tinha uma pontinha arredondada, que ainda era pequena.
Ele gostava de comer folhas e raízes, de rolar na lama e de seguir a mãe por toda parte.
Mas tinha um defeito: era muito curioso.
A mãe
A mãe do Tuco era enorme.
Era bem maior que um carro, e tinha placas nas costas, espinhos nos lados e uma grande ponta de osso no final da cauda, que parecia um martelo.
Ela era muito calma.
Andava devagar, comia folhas e raízes, e sabia que o Tuco estava sempre por perto.
— Fique onde eu possa te ver — dizia ela, todo dia.
O Tuco respondia:
— Eu fico.
Mas, claro, nem sempre ficava.
A curiosidade
Numa tarde, enquanto a mãe comia folhas perto do riacho, o Tuco viu uma borboleta enorme, de asas azuis.
Foi atrás.
A borboleta voou entre as samambaias.
O Tuco correu, rindo, desviando de galhos e de pedras.
A borboleta foi mais longe, mais longe.
Quando o Tuco finalmente parou para respirar, olhou em volta.
Estava num lugar que não conhecia.
O barulho
O sol já estava baixo.
O Tuco ouviu um barulho nos arbustos.
Crec. Crec.
Alguma coisa estava se movendo.
Ele congelou, de olhos arregalados.
Das folhas, saiu um bicho comprido, de dentes afiados e olhos amarelos.
Era um dinossauro caçador, mais rápido do que ele, que andava em duas patas.
O caçador olhou para o Tuco, e começou a dar a volta, devagar.
A defesa
O Tuco teve medo.
Mas, lembrou do que a mãe tinha ensinado.
Quando houver perigo, você não corre. Você se abaixa.
Ele abaixou o corpo, grudado no chão, e encolheu as patas, de modo que só ficaram as placas duras para cima.
Ele ficou parecendo uma pedra com espinhos.
O caçador deu uma volta ao redor, olhando.
Tentou morder as costas do Tuco, mas só encontrou placas duras.
Deu um pulo, mas não conseguiu achar nenhum ponto fraco.
O Tuco ficou quietinho, tremendo.
A chegada
De repente, o chão tremeu.
Tum. Tum. Tum.
Era a mãe, correndo, muito mais depressa do que se imaginava.
Ela viu o Tuco, de cabeça baixa, e viu o caçador.
Colocou o corpo na frente do filho.
Levantou a cauda, devagar.
O caçador olhou para aquela ponta de osso, enorme e pesada.
E entendeu.
Ele se virou, sem nenhuma pressa, e foi embora, entre as samambaias.
O abraço
A mãe se aproximou do Tuco, e, com o focinho, o empurrou, bem devagar.
— Você está bem?
O Tuco levantou a cabeça.
— Estou. Eu me abaixei, como você ensinou.
A mãe fez um som baixinho, parecido com uma risada.
— Você fez muito bem. Mas da próxima vez, não se afaste de mim.
— Eu prometo.
O Tuco se encostou no corpo dela, quentinho, e as placas das costas dos dois se tocaram, com um barulhinho.
A noite
A noite chegou devagar.
O céu ficou cor de laranja, depois roxo, depois azul-escuro, com estrelas.
Lá longe, um vulcão soltava fumaça, mas bem devagar, sem perigo.
A mãe se deitou perto de uma pedra, e o Tuco se aninhou do lado dela.
Os dois ficaram olhando as estrelas.
— Mãe — disse o Tuco, baixinho —, quando eu crescer, vou ter uma cauda igual à sua?
— Vai, sim. Vai demorar. Mas vai.
O Tuco sorriu, de olhos fechados.
E dormiu.
De verdade
O anquilossauro existe, ou melhor, existiu. Ele viveu no fim da era dos dinossauros, há uns 68 milhões de anos, onde hoje é a América do Norte.
Era um dinossauro herbívoro, com o corpo coberto de placas ósseas e uma cauda terminada numa espécie de martelo de osso, que os cientistas acreditam que podia ser usado para se defender.
Provavelmente ele não corria: confiava em ser muito difícil de morder.
Os fósseis de anquilossauro são raros e, até hoje, os cientistas ainda estão descobrindo coisas sobre como eles viviam.
O nome Tuco, a mãe e a conversa entre eles são invenção desta história. Ninguém sabe ao certo como os anquilossauros criavam os filhotes, nem como eles reagiam ao perigo.
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