A Noite do Pequeno Anquilossauro

4 min de leituraHistorinha para dormir
A Noite do Pequeno Anquilossauro
Ads

Há muitos e muitos anos, quando os dinossauros ainda viviam na Terra, uma floresta enorme crescia entre montanhas.

Havia samambaias gigantes, pinheiros altos, e riachos cristalinos.

E, entre as plantas, andava um filhote de anquilossauro.

Ele se chamava Tuco.

O Tuco

O Tuco era um bicho baixo e largo, do tamanho de um cachorro grande.

Tinha o corpo coberto de placas duras, como se alguém tivesse colado muitas conchas nas costas.

Tinha pés curtos e fortes, o focinho largo, e olhos pequenos e curiosos.

E, no final da cauda, tinha uma pontinha arredondada, que ainda era pequena.

Ele gostava de comer folhas e raízes, de rolar na lama e de seguir a mãe por toda parte.

Mas tinha um defeito: era muito curioso.

A mãe

A mãe do Tuco era enorme.

Era bem maior que um carro, e tinha placas nas costas, espinhos nos lados e uma grande ponta de osso no final da cauda, que parecia um martelo.

Ela era muito calma.

Andava devagar, comia folhas e raízes, e sabia que o Tuco estava sempre por perto.

— Fique onde eu possa te ver — dizia ela, todo dia.

O Tuco respondia:

— Eu fico.

Mas, claro, nem sempre ficava.

A curiosidade

Numa tarde, enquanto a mãe comia folhas perto do riacho, o Tuco viu uma borboleta enorme, de asas azuis.

Foi atrás.

A borboleta voou entre as samambaias.

O Tuco correu, rindo, desviando de galhos e de pedras.

A borboleta foi mais longe, mais longe.

Quando o Tuco finalmente parou para respirar, olhou em volta.

Estava num lugar que não conhecia.

O barulho

O sol já estava baixo.

O Tuco ouviu um barulho nos arbustos.

Crec. Crec.

Alguma coisa estava se movendo.

Ele congelou, de olhos arregalados.

Das folhas, saiu um bicho comprido, de dentes afiados e olhos amarelos.

Era um dinossauro caçador, mais rápido do que ele, que andava em duas patas.

O caçador olhou para o Tuco, e começou a dar a volta, devagar.

A defesa

O Tuco teve medo.

Mas, lembrou do que a mãe tinha ensinado.

Quando houver perigo, você não corre. Você se abaixa.

Ele abaixou o corpo, grudado no chão, e encolheu as patas, de modo que só ficaram as placas duras para cima.

Ads

Ele ficou parecendo uma pedra com espinhos.

O caçador deu uma volta ao redor, olhando.

Tentou morder as costas do Tuco, mas só encontrou placas duras.

Deu um pulo, mas não conseguiu achar nenhum ponto fraco.

O Tuco ficou quietinho, tremendo.

A chegada

De repente, o chão tremeu.

Tum. Tum. Tum.

Era a mãe, correndo, muito mais depressa do que se imaginava.

Ela viu o Tuco, de cabeça baixa, e viu o caçador.

Colocou o corpo na frente do filho.

Levantou a cauda, devagar.

O caçador olhou para aquela ponta de osso, enorme e pesada.

E entendeu.

Ele se virou, sem nenhuma pressa, e foi embora, entre as samambaias.

O abraço

A mãe se aproximou do Tuco, e, com o focinho, o empurrou, bem devagar.

— Você está bem?

O Tuco levantou a cabeça.

— Estou. Eu me abaixei, como você ensinou.

A mãe fez um som baixinho, parecido com uma risada.

— Você fez muito bem. Mas da próxima vez, não se afaste de mim.

— Eu prometo.

O Tuco se encostou no corpo dela, quentinho, e as placas das costas dos dois se tocaram, com um barulhinho.

A noite

A noite chegou devagar.

O céu ficou cor de laranja, depois roxo, depois azul-escuro, com estrelas.

Lá longe, um vulcão soltava fumaça, mas bem devagar, sem perigo.

A mãe se deitou perto de uma pedra, e o Tuco se aninhou do lado dela.

Os dois ficaram olhando as estrelas.

— Mãe — disse o Tuco, baixinho —, quando eu crescer, vou ter uma cauda igual à sua?

— Vai, sim. Vai demorar. Mas vai.

O Tuco sorriu, de olhos fechados.

E dormiu.

De verdade

O anquilossauro existe, ou melhor, existiu. Ele viveu no fim da era dos dinossauros, há uns 68 milhões de anos, onde hoje é a América do Norte.

Era um dinossauro herbívoro, com o corpo coberto de placas ósseas e uma cauda terminada numa espécie de martelo de osso, que os cientistas acreditam que podia ser usado para se defender.

Provavelmente ele não corria: confiava em ser muito difícil de morder.

Os fósseis de anquilossauro são raros e, até hoje, os cientistas ainda estão descobrindo coisas sobre como eles viviam.

O nome Tuco, a mãe e a conversa entre eles são invenção desta história. Ninguém sabe ao certo como os anquilossauros criavam os filhotes, nem como eles reagiam ao perigo.

Ads
✦

O Que Achou da Historinha?

Toque nas estrelas para avaliar

O que achou desta história?

Compartilhe a Historinha:

Comentários (0)

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!

Historinhas Relacionadas