A Bela Adormecida

Há muito tempo, num reino distante, vivia um rei e uma rainha que queriam muito ter um filho.
Esperaram muitos anos.
Até que, um dia, nasceu uma menina.
Era tão pequenina e tão bonita que o rei fez uma festa enorme para o batizado.
Convidou todas as fadas do reino, para que cada uma desse um presente à princesa.
A festa
Eram sete fadas.
A primeira deu à princesa a beleza.
A segunda deu a bondade.
A terceira deu a graça ao dançar.
A quarta deu a voz doce para cantar.
A quinta, a alegria de viver.
E a sexta ia dar mais um presente, quando a porta do salão se abriu com um estrondo.
A oitava fada
Entrou uma fada muito velha, que ninguém tinha convidado.
O rei tinha esquecido dela, porque fazia muito tempo que ela não saía da torre.
— Eu também sou uma fada! — gritou ela. — E vim dar o meu presente.
Todos ficaram quietos.
A velha fada olhou para o berço e disse:
— Quando a princesa fizer quinze anos, vai espetar o dedo num fuso, e ficará dormindo para sempre.
O salão inteiro soltou um grito.
A rainha chorou.
A última fada
Mas ainda faltava uma fada dar o presente.
A sétima fada, que tinha se escondido atrás de uma cortina, saiu de lá.
— Não posso desfazer o que ela disse, mas posso mudar. A princesa não dormirá para sempre. Dormirá cem anos, e depois um príncipe virá e a acordará.
O rei, mesmo assim, ficou muito preocupado.
No dia seguinte, mandou queimar todos os fusos do reino, para a princesa nunca ver um.
A princesa
A menina cresceu.
Era alegre, gentil, e tinha uma voz tão bonita que, quando cantava no jardim, os passarinhos paravam para ouvir.
O rei e a rainha, aos poucos, foram esquecendo o susto.
No dia em que ela fez quinze anos, os dois saíram do palácio para resolver uns assuntos.
A princesa ficou sozinha.
A torre
Ela passeou pelo palácio, de sala em sala, abrindo portas que nunca tinha aberto.
Até que encontrou uma escadinha que subia para uma torre.
Subiu.
No alto, havia uma porta pequena, e do outro lado, uma velha, sozinha, trabalhando com uma roca de fiar.
— O que a senhora está fazendo? — perguntou a princesa, curiosa.
— Estou fiando.
— Posso tentar?
A velha, que não sabia da ordem do rei, deixou.
A princesa pegou o fuso.
E, no mesmo instante, espetou o dedo.
O sono
A princesa deu um suspiro, fechou os olhos e adormeceu.
E o palácio inteiro adormeceu com ela.
O rei e a rainha, que acabavam de voltar, dormiram no salão. Os cozinheiros dormiram na cozinha, com a colher na mão. Os cavalos dormiram no estábulo. Os passarinhos dormiram nos galhos.
O vento parou de soprar.
Do lado de fora, uma roseira começou a crescer, e a crescer, e a crescer, até cobrir todo o palácio com espinhos e rosas.
Os anos
Os anos foram passando.
Dez. Vinte. Cinquenta.
A roseira ficou tão alta e tão fechada que ninguém mais conseguia ver o palácio.
Os viajantes contavam que, por trás dos espinhos, dormia uma princesa muito bonita. Alguns tentaram chegar até ela, mas os espinhos eram tão fechados que não conseguiam passar.
Os anos foram passando, passando, passando.
O príncipe
Passaram-se cem anos.
Um dia, um príncipe, que estava viajando por aquelas terras, ouviu a história do castelo da roseira.
— Quero ver isso — disse ele.
Foi até lá.
E, quando chegou perto dos espinhos, uma coisa estranha aconteceu: as rosas, aos poucos, foram se abrindo, uma por uma, deixando um caminho no meio.
O príncipe entrou.
O palácio
Tudo estava quieto.
O príncipe passou pelo salão, onde todos dormiam. Passou pela cozinha. Passou pelo jardim.
Subiu a escada da torre.
E, no alto, abriu uma porta.
Lá dentro, numa cama enorme, dormia uma princesa, tão bonita que ele parou na porta.
Ele se aproximou, devagar, e disse:
— Acorde, princesa.
O despertar
A princesa abriu os olhos.
Olhou para o príncipe.
— Demorou — disse ela, sorrindo.
E, nesse mesmo instante, o palácio inteiro acordou.
O rei e a rainha. Os cozinheiros. Os cavalos. Os passarinhos. Todos se espreguiçaram como se tivessem dormido uma noite só.
A cozinheira terminou de mexer a panela.
O vento voltou a soprar.
O fim
O príncipe e a princesa se casaram, e a festa durou muitos dias.
Dizem que as rosas continuaram a florescer ao redor do palácio, mas, daquele dia em diante, só tinham flores, sem nenhum espinho.
E que a princesa nunca mais encostou num fuso.
Este conto tem várias versões, a mais conhecida escrita pelo francês Charles Perrault, em 1697, e outra pelos Irmãos Grimm, da Alemanha, em 1812. Na versão de Perrault, as fadas são sete; na dos Grimm, são treze. Aqui, a história foi encurtada, e a parte final de Perrault, em que a mãe do príncipe é uma ogra, foi retirada para a hora de dormir. A roseira que cobre o palácio vem da versão dos Grimm (em Perrault é uma floresta), e as rosas sem espinhos no final foram inventadas para esta versão.
O Que Achou da Historinha?
Toque nas estrelas para avaliar
O que achou desta história?
Comentários (0)
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!



